Palavras de Vida Eterna


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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

A Obediência do Filho de Deus

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Filipenses 2:5 a 11

Ele, Jesus, nos dias da Sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da Sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu  e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem. Hebreus 5: 7 a 9

O Senhor Inicia a Obediência
A Bíblia nos diz que o Senhor Jesus e o Pai são um. No começo era o verbo e o verbo era Deus. O céus e a terra foram criados pela palavra. A glória que Deus tinha no principio, até mesmo a glória inigualável de Deus, também era a glória do Filho. O Pai e o Filho existem igualmente e são iguais em poder e propriedade. Só em Pessoa há uma diferença entre o Pai e o Filho. Não é uma diferença essencial; é apenas um arranjo dentro da Divindade. Portanto, as Escrituras dizem que o Senhor “não julgou como usurpação o ser igual a Deus” – isto é, não era uma coisa a ser tomada. Sua igualdade com Deus não é uma coisa a ser tomada nem adquirida, pois inerentemente Ele é a imagem de Deus.

Filipenses 2:5-7 é uma seção e os versículos 8-11 outra. Nestas duas seções, nosso Senhor foi apresentado humilhando-se duas vezes: primeiro esvaziou-se de Sua divindade e, então, humilhou-se em Sua humanidade. Quando veio a este mundo, o Senhor tinha se esvaziado de tal maneira da glória que ninguém naquele tempo, a não ser por revelação, reconheceu-o como Deus. Trataram-no como homem, uma pessoa comum neste mundo. Como Filho, de boa vontade submeteu-se à autoridade do Pai e declarou “o Pai é maior do que Eu” (João 14:28). Portanto há perfeita harmonia na Divindade. Alegremente o Pai assume o lugar de Cabeça, e o Filho reage em obediência. Deus torna-se o emblema da autoridade, enquanto Cristo assume a posição de símbolo da obediência.

Para nós, os homens, obedecer deveria ser simples, porque tudo de que precisamos é um pouco de humildade. Para Cristo, entretanto, ser obediente não foi uma questão simples. Foi muito mais difícil para Ele ser obediente do que criar os céus e a terra. Por quê? Porque teve de esvaziar-se de toda a glória e poder de Sua divindade e assumir a forma de escravo para poder obedecer. Portanto a obediência foi iniciada pelo Filho de Deus.

O Filho originalmente partilhou a mesma glória e autoridade com o Pai. Mas quando veio ao mundo, de um lado, abandonou a autoridade e, de outro, assumiu a obediência. De boa vontade assumiu o lugar de escravo, aceitando as limitações humanas de tempo e espaço. Ele se humilhou ainda mais e foi obediente até à morte. Obediência dentro da Divindade é a coisa mais admirável em todo o universo. Sendo Cristo obediente até a morte – sofrendo uma morte muitíssimo dolorosa e vergonhosa na cruz – Deus o exaltou sobremaneira. Deus exalta todo aquele que se humilha. Este é um principio divino.

Estar Cheio de Cristo é Estar Cheio de Obediência
Uma vez que o Senhor deu inicio à obediência, o Pai tornou-se o Cabeça de Cristo. Portanto, uma vez que a autoridade e a obediência foram instituídas por Deus, é natural que aqueles que conhecem Deus e Cristo obedeçam. Mas aqueles que não conhecem Deus nem Cristo, não conhecem a autoridade e a obediência. Cristo é o principio da obediência. Portanto, uma pessoa que está cheia de Cristo deve ser uma pessoa que também está cheia de obediência.

Hoje em dia, as pessoas costumam perguntar: “Porque que eu tenho que obedecer? Considerando que ambos somos irmãos, por que tenho de obedecer a você?” Mas os homens não tem qualificações para fazer tais perguntas. Só o Senhor tem esta qualificação; contudo Ele jamais anunciou tais palavras nem um tal pensamento jamais penetrou em Sua mente. Cristo representa obediência, que é tão perfeita quanto a autoridade de Deus. Que Deus seja misericordioso com aqueles que proclamam conhecer a autoridade quando obediência falta em suas vidas.

O Caminho do Senhor
No que se refere à Divindade, o Filho e o Pai são co-iguais; mas sendo Ele o Senhor, foi recompensado por Deus. O Senhor Jesus Cristo foi feito Senhor só depois que Se esvaziou. Sua divindade deriva do que Ele é, por ser Deus em sua natureza inerente. Ser Senhor, entretanto, é um resultado do que fez. Foi exaltado e recompensado por Deus para ser Senhor só depois que abandonou Sua glória e manteve-se no papel perfeito de obediência. No que se refere a Ele, é Deus; no que se refere a recompensa, é o Senhor. Seu Senhorio não existia originalmente na Divindade. A passagem de Filipenses 2 é dificílima de explicar; pois é muitíssimo controvertida além de ser muitíssimo santa. Vamos descalçar nosso pés e pisar terreno santo recapitulando esta passagem bíblica. Parece que no principio houve um conselho na Divindade. Deus idealizou um plano para a criação do Universo. Nesse plano, a Divindade concordou que a autoridade fosse representada pelo Pai. Mas a autoridade não pode ser estabelecida no Universo sem a obediência, pois não pode existir sozinha. Portanto, Deus tem de encontrar a obediência no Universo. Seriam criados dois tipos de seres vivos: os anjos (espíritos) e os homens (almas viventes). De acordo com Sua onisciência, Deus previu a rebelião dos anjos e a queda do homens, por isso não lhe foi possível estabelecer Sua autoridade nos anjos ou na raça adâmica. Consequentemente, dentro do acordo perfeito da Divindade, essa autoridade seria atendida pela obediência no Filho. A partir daí começaram as operações distintas de Deus Pai e Deus Filho. Um dia Deus Filho se esvaziou e, tendo nascido em semelhança de homem, tornou-se símbolo da obediência. Considerando que a rebeldia surgiu nos seres criados, a obediência teria agora de ser estabelecida num ser criado. O homem pecou e se rebelou; por isso a autoridade de Deus tem de ser estabelecida na obediência do homem. Isto explica por que o Senhor veio ao mundo e foi feito igual ao homem criado.

O nascimento de nosso Senhor é na realidade o aparecimento de Deus. Em lugar de permanecer como Deus com autoridade, colocou-se ao lado do homem, aceitando todas as limitações do homem e assumindo a forma de escravo. Ele enfrentou o possível perigo de não ser capaz de retornar com glória. Se desobedecesse na terra como homem, ainda poderia reclamar o Seu lugar na Divindade usando de Sua autoridade original; mas, nesse caso, teria para sempre quebrado o principio de obediência.

Havia duas formas de o Senhor retornar: uma era obedecendo absolutamente e sem reservas como homem, estabelecendo a autoridade de Deus em todas as coisas, em todas as ocasiões, sem o menor toque de rebeldia; assim, passo a passo, através da obediência a Deus, tornar-se-ia o Senhor de tudo. A outra seria forçando o Seu caminho de volta, reclamando e usando a autoridade, o poder e a gloria de Sua divindade, se considerasse a obediência impossível através da fraqueza e limitações da carne humana.

Mas o Senhor ignorou o segundo caminho e trilhou humildemente o caminho da obediência – até a morte. Tendo-se esvaziado, recusou voltar atrás. Ele jamais tomaria um caminho assim ambíguo. Se o Senhor falhasse no caminho da obediência, depois de renunciar Sua gloria e autoridade divinas, assumindo a forma de escravo, jamais teria novamente retornado com glória. Só através da obediência como homem é que ele retornou. Assim Ele retornou com base na obediência perfeita e singular. Embora sacrifício fosse acrescentado a sacrifício, Ele demonstrou obediência absoluta, sem o menor toque de resistência ou rebeldia. 

Consequentemente, Deus o exaltou grandemente e o Fez Senhor quando retornou à glória. Não foi Jesus que se encheu com aquilo de que uma vez se esvaziara; antes, foi Deus Pai. Foi o Pai que trouxe este Homem de volta à glória. E, assim, Deus Filho também é agora Jesus Homem em Seu retorno à glória. Por causa disto, o nome de Jesus é preciosíssimo; não há ninguém no Universo igual a Ele. Quando na cruz exclamou “Tudo está consumado!”, proclamou não somente a consumação da salvação mas também o cumprimento de tudo o que Seu nome significa. Portanto, Ele obteve um nome que está acima de todo nome, e diante do Seu nome todo joelho deverá se dobrar e toda língua deverá confessar que Jesus é Senhor. Doravante, Ele é o Senhor bem como Deus. Ser o Senhor fala do Seu relacionamento com Deus, de como foi recompensado por Deus. Ser Cristo revela o Seu relacionamento com a igreja.

Resumindo, então: quando o Filho deixou a glória não pretendia retornar com base nos Seus atributos divinos; pelo contrário, desejou ser exaltado como homem. Desta maneira, Deus confirmou Seu principio de obediência. Como é imprescindível que sejamos totalmente obedientes sem o mais leve traço de rebeldia! O Filho retornou ao céu como homem; foi exaltado por Deus depois que obedeceu na semelhança de homem. Vamos encarar este grande mistério da Bíblia. Quando se despediu da glória e se revestiu da carne humana, o Senhor determinou não regressar por virtude de Seus atributos divinos. E tendo jamais dado o menor sinal de desobediência, foi exaltado por Deus com base em Sua humanidade. O Senhor abandonou a Sua gloria quando veio; mas quando retornou, não só recebeu de volta essa mesma gloria, mas recebeu ainda glória muito maior.

Que nós também tenhamos esta mente que havia em Cristo Jesus. Vamos todos trilhar o caminho do Senhor e nos apegar à obediência tornando muito nosso este principio da obediência. Sujeitemo-nos uns aos outros. Tendo uma vez entendido este principio não teremos dificuldade em discernir que nenhum pecado é mais sério do que a rebeldia e nada é mais importante do que a obediência. Só no principio da obediência podemos servir a Deus; só obedecendo como Cristo obedeceu podemos reafirmar o principio divino da autoridade, pois a rebeldia é a operação do principio de Satanás.

Aprendendo a Obediência Através do Sofrimento
Em Hebreus 5:8 somos informados que Cristo “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. O sofrimento exigiu obediência do Senhor. Por favor, observe que Ele não trouxe obediência a esta terra; Ele a aprendeu – e o fez através do sofrimento.

Quando encontramos o sofrimento, aprendemos a obediência. Tal obediência é verdadeira. Nossa utilidade não fica determinada através do nosso sofrimento, mas pelo tanto de obediência que aprendemos por meio desse sofrimento. Sós os obedientes são úteis para Deus. Enquanto o nosso coração não for amolecido, o sofrimento não nos abandonará. Nosso caminho passa por muitos sofrimentos; os que amam os prazeres e as coisas fáceis são inúteis para Deus. Vamos, portanto, aprender a obedecer no sofrimento.

A salvação torna as pessoas obedientes e também alegres. Se nós só buscamos a alegria, nossas propriedades espirituais não serão abundantes; mas aqueles que são obedientes experimentarão a abundancia da salvação. Não vamos transformar a natureza da salvação. Vamos obedecer – pois nosso Senhor Jesus, tendo sido aperfeiçoado pela obediência, tornou-se a fonte de nossa salvação eterna. Deus nos salva para que possamos obedecer à Sua vontade. Se travamos conhecimento com a autoridade de Deus, descobrimos que a obediência é fácil e que a vontade de Deus é simples, porque o próprio Senhor sempre foi obediente e nos transmitiu esta vida de obediência.

Autor: Watchman Nee
Extraído do livro Autoridade Espiritual


quinta-feira, 25 de março de 2021

A Rebeldia no Homem

As armas com as quais lutamos não são humanas: ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. E estaremos prontos para punir todo ato de desobediência, uma vez estando completa a obediência de vocês. (2 Coríntios 10.46)

O Elo entre o Raciocínio e o Pensamento
O homem manifesta sua rebeldia não apenas em palavras e raciocínio, mas também em pensamentos. Palavras rebeldes brotam do raciocínio rebelde, e o pensamento, por sua vez, trama o raciocínio. Portanto, o pensamento é o fator central na rebeldia. Uma das mais importantes passagens da Bíblia é 2 Coríntios 10.4-6, porque, nesses versículos, destaca-se a área da vida do homem na qual se exige obediência a Cristo. O versículo 5 diz”[...] levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Isso dá a entender que a rebeldia do homem se encontra basicamente no pensamento.

Paulo menciona que devemos destruir argumentações e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus. O homem gosta de edificar raciocínios como fortalezas à volta de seu pensamento, mas tais raciocínios devem ser destruídos, e o pensamento deve ser levado cativo. As argumentações devem ser deixadas de lado, mas o pensamento deve ser reconduzido. Na guerra espiritual, as fortalezas devem ser tomadas de assalto para que o pensamento seja levado cativo. Se as argumentações não forem descartadas, não há como reconduzir o pensamento do homem à obediência de Cristo.

A palavra “pretensão”, no versículo 5, significa “edifício alto” no original. Do ponto de vista de Deus, as argumentações humanas são como um arranha-céu, pois obstrui o conhecimento de Deus. Logo que o homem começa a raciocinar, seus pensamentos ficam sitiados, e ele perde a liberdade de obedecer a Deus, uma vez que a obediência é uma questão de pensamento. A razão expressa-se externamente em palavras, mas, quando as argumentações se escondem no interior do ser humano, cercam o pensamento e o paralisam, para que não obedeça. O hábito de argumentar é tão sério que não pode ser resolvido sem uma batalha.

Mas Paulo usou a razão para lutar contra a razão. A inclinação mental para argumentar deve ser derrotada com armas espirituais, isto é, o poder de Deus. É Deus que luta contra nós, pois nos tornamos seu inimigo. Nosso hábito mental de argumentar é algo que herdamos da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas como são poucos os que percebem quantos transtornos nossa mente cria para Deus! Satanás emprega toda sorte de argumentações para nos escravizar, a fim de que nos tornemos inimigos de Deus em vez de submissos a Ele.

O texto de Gêneses 3 exemplifica 2 Coríntios 10. Satanás argumentou com Eva, e Eva, percebendo que a árvore era boa para alimento, reagiu com argumentação. Ela não deu ouvido a Deus, pois tinha suas razões. Quando o raciocínio aparece, o pensamento do homem cai em uma armadilha. O raciocínio e o pensamento estão totalmente ligados; o primeiro tende a derrotar o segundo. E, quando o pensamento é levado cativo, o homem encontra-se impossibilitado de obedecer a Cristo. Portanto, podemos concluir que, se realmente desejamos obedecer a Deus, devemos saber como a autoridade Dele destrói as fortalezas da razão.

Recapturando a Mente Cativa
No novo testamento grego, a palavra noema (noemata no plural) é usada seis vezes: Filipenses 4.7; 2 Coríntios 2.11, 3.14, 4.4, 10.5 e 11.3. Em português é traduzida por “entendimento”, “intenções”, “mente”, “argumento”, e o significado é desígnios da mente. A “mente” é a faculdade; o “desígnio” é sua ação – o produto da mente humana. O homem, por meio da faculdade da mente, pensa e decide livremente, e isso representa o próprio homem. Assim, se alguém deseja preservar sua liberdade, deve dizer que todos os seus pensamentos são bons e corretos. Não se atreve a expô-los a interferência e, portanto, deve cercá-los com muitas argumentações. Eis por que os homens falham em crer no Senhor: ficam, habitualmente, aprisionados na fortaleza de alguma argumentação.

Um incrédulo pode dizer: “Vou esperar até ficar bem velho”; ou: “Muitos cristãos não se comportam bem. Por isso não posso crer”; ou: “Ainda não. Vou esperar até que meus pais morram”. Semelhantemente, há razões que os cristãos apresentam para não amar ao Senhor: os estudantes dirão que estão ocupados demais com seus estudos; os homens de negócios ocupados demais com seus negócios; o doente acha que sua saúde é fraca demais, e assim por diante. Se Deus não destruir essas fortalezas, os homens jamais ficarão livres. Satanás aprisiona os homens utilizando a fortaleza dos argumentos. A maioria dos homens coloca-se atrás de tantas linhas de defesa que são incapazes de atravessá-las para a liberdade. Só a autoridade de Deus pode levar cativo cada pensamento para obedecer a Cristo.

Para reconhecer a autoridade, as argumentações humanas devem ser primeiramente lançadas ao chão. Só depois que o homem começa a ver que Deus é Deus, conforme declarado em romanos 9, é que suas argumentações são destruídas. E quando as fortalezas de Satanás são destruídas, nenhuma argumentação permanece, e os pensamentos humanos podem ser, portanto, levados cativos, para que obedeçam a Cristo. Só depois que os pensamentos são recapturados é que o homem pode verdadeiramente obedecer a Cristo.

Podemos perceber se alguém já tomou conhecimento da autoridade observando se suas palavras, seus argumentos e pensamentos já foram devidamente reestruturados. Quando uma pessoa depara com a autoridade de Deus, sua língua não se atreve a se agitar livremente, suas argumentações e, ainda mais profundamente, seus pensamentos já não podem mais ser livremente expressos. Naturalmente, o homem tem numerosos pensamentos, todos fortalecidos com muitas argumentações. Mas chega o dia em que a autoridade de Deus derruba todas as fortalezas da argumentação que satanás levantou e recaptura todos os pensamentos do homem, para torná-lo escravo espontâneo de Deus. Por conseguinte, já não pensa mais independentemente de Cristo: é totalmente obediente a Ele. Isso é libertação total.

Aquele que ainda não tomou conhecimento da autoridade geralmente aspira a ser conselheiro de Deus. Tal pessoa não tem, ainda, os pensamentos cativos a Deus. Aonde quer que vá, seu primeiro pensamento é como descobrir como melhorar a situação. Seus pensamentos jamais foram disciplinados, pois são muitas e incessantes suas argumentações. Devemos permitir que o Senhor faça em nós uma operação de corte, penetrando nas profundezas de nosso pensamento até que sejam todos levados cativos por Deus. Depois disso, reconheceremos a autoridade de Deus e não nos atreveremos a livremente argumentar ou aconselhar.

Agimos como se existissem duas pessoas no universo que são oniscientes: Deus e eu. Eu sou um conselheiro que sabe tudo! Tal atitude indica claramente que meus pensamentos precisam ser levados cativos, que não sei nada sobre autoridade. Se eu fosse alguém cujas fortalezas da argumentação estivessem realmente tomadas pela autoridade de Deus, não ofereceria mais conselhos nem teria interesse em fazê-lo. Meus pensamentos ficariam subordinados a Deus, e eu já não seria mais uma pessoa livre. (A liberdade natural é o solo para o ataque de satanás e deve ser renunciada.) Eu deveria estar pronto a ouvir. Os pensamentos do homem são controlados por um destes dois poderes: pela argumentação ou pela autoridade de Cristo. Na verdade, ninguém neste universo pode exercer livremente sua vontade, porque é cativo ou das argumentações ou de cristo. Por conseguinte, ou serve a Satanás ou serve a Deus.

Observando-se o seguinte, é fácil perceber se uma pessoa reconhece ou não a autoridade:
1) se ela pronuncia palavras rebeldes,
2) se argumenta diante de Deus e
3) se emite muitas opiniões.

A derrota da argumentação é simplesmente o aspecto negativo; o positivo é ter todos os pensamentos cativos para obedecer a Cristo, de modo que a opinião pessoal não mais se manifeste. Antes, tinha muitos argumentos para sustentar meus muitos pensamentos; agora não tenho mais nenhum argumento, pois fui capturado. O cativo não tem liberdade. Quem prestaria atenção a opinião de um escravo? O escravo deve aceitar os pensamentos de outra pessoa sem jamais emitir opinião própria. Portanto, nós, que fomos capturados por Cristo, estamos prontos a aceitar os pensamentos de Deus, em vez de oferecer qualquer conselho que seja nosso.

Advertências aos Teimosos
1. PAULO 
Paulo, em seu estado natural, era uma pessoa inteligente, capaz, sábia e racional. Sempre descobria um meio de resolver as coisas, era confiante e servia a Deus com todo entusiasmo. Mas, quando liderava um grupo de pessoas a caminho de Damasco para ali aprisionar os cristãos, foi levado ao chão por uma grande luz. Naquele momento, todas as suas intenções, meios e capacidade foram dissolvidos. Não retornou a Tarso nem voltou a Jerusalém. Não só abandonou sua tarefa em Damasco, como também jogou fora todos os seus motivos para a empreitada.

Muitas pessoas, quando encontram dificuldades, mudam de direção, tentando primeiro um caminho e, depois, outro. Mas, não importa o que façam, continuam agindo de acordo com suas ideias e meios. São tolas e não caem com o golpe desferido por Deus. Embora Deus, nesse assunto em particular, as deixe prostradas, não aceitam a derrota de suas argumentações e pensamentos. Assim, a estrada para Damasco pode ficar realmente bloqueada para elas, enquanto prosseguem sua viagem para Tarso ou para Jerusalém.

Não foi o que aconteceu com Paulo. Uma vez abatido, perdeu tudo. Não podia mais dizer nem pensar coisa alguma. Não sabia mais nada. “Que devo fazer, Senhor”, perguntou. Encontramos aqui alguém cujos pensamentos foram levados cativos pelo Senhor e que obedeceu do fundo de seu coração. Antes, Saulo de Tarso, fossem quais fossem as circunstâncias, sempre liderava. Agora, ao tomar conhecimento da autoridade de Deus, seus argumentos sumiram. A principal evidência de que a pessoa entrou em contato com Deus está no desaparecimento de seus argumentos e de sua esperteza. Peçamos honestamente a Deus que nos conceda a perplexidade produzida pela luz. Paulo parecia dizer: “Sou um homem que foi levado cativo por Deus e, portanto, agora sou seu prisioneiro. Chegou a hora de ouvir e obedecer, não de pensar e decidir”.

2. REI SAUL
O rei Saul foi rejeitado por Deus não porque roubasse, mas porque poupou o que havia de melhor entre os bois e ovelhas para sacrificá-los ao Senhor. Foi algo que brotou de sua mente – ideias próprias sobre como agradar a Deus. Sua rejeição ocorreu porque seus pensamentos não foram capturados por Deus. Ninguém poderá dizer que o rei Saul não foi zeloso em servir a Deus. Não mentiu, uma vez que realmente poupou o melhor entre o gado e as ovelhas. Mas tomou por si mesmo uma decisão (v. 1 Samuel 15).

A inferência é clara: todos os que servem a Deus devem, categoricamente, refrear decisões com base em pensamentos próprios; antes, devem executar a vontade de Deus. Precisam dizer, cheios de expectativa: “Que devo fazer, Senhor?”. Dizer mais que isso seria totalmente errado. A obediência é melhor que o sacrifício. Não temos absolutamente o direito de oferecer conselhos a Deus.

Quando o rei Saul viu aquelas ovelhas e o gado, desejou poupá-los da morte. Seu coração talvez se inclinasse para Deus, mas lhe faltava o espírito de obediência. Um coração que se inclina para Deus não pode substituir a atitude de “não me atrevo a dizer coisa alguma”. Uma oferta de gorduras não pode suplantar o “não dar opinião”. O rei Saul, ao se recusar a destruir todos os amalequitas, com suas ovelhas e gado, conforme Deus ordenara, foi sentenciado a ser morto por um amalequita. E foi assim que seu governo terminou. Ele foi morto por um amalequita! Todo aquele que, em seu pensamento, poupa um amalequita, será finalmente aniquilado por ele.

3. NADABE E ABIÚ
Nadabe e Abiú rebelaram-se quanto à oferta porque deixaram de se sujeitar à autoridade de seu pai. Tentaram executar ideias próprias. Pecaram contra Deus, oferecendo fogo estranho. Assim, ofenderam a administração divida. Embora não falassem nenhuma palavra nem apresentassem motivos, ainda assim, pondo em prática ideias e sentimentos próprios, queimaram incenso. Acharam esse culto alternativo uma coisa boa. Se errassem, seria apenas tentando fazer uma coisa boa- isto é, servindo a Deus. Acharam que tal pecado seria insignificante. Não sabiam que seriam totalmente rejeitados por Deus e punidos com a morte.

O Testemunho do Reino Apresentado por Meio da Obediência
Deus não considera o fervor de nossa pregação ou a disponibilidade de espírito para sofrer por Ele. Ele olha para ver até que ponto somos obedientes. O reino de Deus começa quando há absoluta obediência a Deus – nenhum pronunciamento de opinião, nenhuma apresentação de argumentos, nenhuma murmuração, nenhuma injúria. Por esse dia glorioso, Deus tem esperado desde a criação do mundo. Embora Deus tenha seu Filho primogênito, as primícias da obediência, está aguardando os muitos filhos semelhantes ao primogênito. Sempre que, neste mundo, surge uma igreja que verdadeiramente obedece à autoridade de Deus, há o testemunho do reino, e satanás é derrotado. Satanás não tem medo de nosso trabalho enquanto agimos sobre o principio da rebeldia. Apenas ri, secretamente, quando fazemos a coisas de acordo com nossos pensamentos.

A lei mosaica declara que a arca deveria ser carregada por levitas, mas filisteus enviaram a arca de volta a Israel sobre um carro puxado por bois. Davi, ao transportar a arca para sua cidade, deixou de consultar a Deus. Em vez disso, ordenou, por conta própria, que a arca fosse transportada por um carro de bois. Os bois tropeçaram e a arca começou a cair. Uzá estendeu a mão na direção da arca para segurá-la. Instantaneamente, foi morto por Deus. Mesmo que a arca não tivesse caído, não se encontrava, como deveria, sobre os ombros dos levitas, mas sobre um carro de bois. Numa ocasião anterior, quando a arca foi carregada pelos levitas através do rio Jordão, ela esta segura e protegida, apesar do transbordamento do rio. O contraste mostra-nos que Deus quer que lhe obedeçamos, não que lhe façamos sugestões. Deus deve esvaziar-nos primeiro, para que sua vontade seja executada sem interferência. O modo de servir, se acrescentamos pensamentos humanos, fica para sempre obstruído. Deus deve governar; os homens não devem dar conselhos.

Por isso os pensamentos humanos devem ficar totalmente de fora. No passado, encontramos a liberdade vivendo segundo nossa vontade; agora, encontramos a verdadeira liberdade, pois nossos pensamentos foram levados cativos por Deus. Ao perder nossa liberdade, obtemos a verdadeira liberdade no Senhor

“E estaremos prontos para punir todo ato de desobediência, uma vez estando completa a obediência de vocês” (2 Coríntios 10.6). A obediência perfeita só é possível depois que os pensamentos são recapturados. Aquele que ainda se inclina a oferecer conselhos a Deus não é totalmente obediente. O Senhor estará pronto a vingar toda desobediência quando nossa obediência estiver completa. Se nós, na qualidade de cristãos, podemos nos transformar totalmente quanto à obediência absoluta a Deus, temendo nossas ideias e opiniões, então Deus será capaz de manifestar sua autoridade sobre a terra. Como esperar que o mundo seja obediente, se a igreja não obedece? Uma igreja desobediente não pode esperar que os incrédulos obedeçam ao evangelho. Mas, com uma igreja obediente, também surgirá a obediência ao evangelho.

Todos nós devemos aprender a aceitar a disciplina, para que nossa boca seja instruída no sentido de não falar levianamente, nossa mente, a não argumentar, nosso coração, a não oferecer conselho. O caminho da glória está exatamente à nossa frente. Deus há de manifestar sua autoridade sobre a terra.

Autor: Watchman Nee
Extraído do livro Autoridade Espiritual


terça-feira, 2 de julho de 2019

Manjares Enganosos

“Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti” (Pv 23:1).

Supõe-se que este verso tem pouca ou nenhuma aplicação para muitos de nossos leitores, visto como não há quase ninguém que possa vir, algum dia, a ser convidado para jantar com o presidente dos Estados Unidos ou com o rei da Grã-Bretanha. Infelizmente esse é o tipo de pensamento que pode encontrar lugar na mente de qualquer cristão. Infelizmente essa é a tendência de carnalizar a Palavra de Deus que é agora tão generalizada. Infelizmente esse é o [verso] que nossos intérpretes espirituais dos Oráculos Divinos têm quase banido da terra. Mas ainda que não haja um professor ungido para abrir as Escrituras, não deveria ser auto-evidente que o Espírito Santo nunca teria colocado um verso como este na Palavra se não possuísse aplicação para todos os do povo de Deus? E não deve esta mesma consideração nos levar a buscar em oração seu significado oculto?

“Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti”. Há outros “governantes” mencionados nas Escrituras, além dos civis. Não lemos sobre o “principais da congregação” (Êx 16:22), o “chefe da sinagoga” (Lc 8:41), bem como dos “dominadores deste mundo tenebroso” (Ef 6:12)? Perceba que nem todos os “chefes” da cristandade hoje foram escolhidos por Deus. De fato, longe disso. Pessoalmente o escritor duvida muito que dois a cada mil dentre os pregadores, ministros, e missionários, por todo mundo, foram chamados por Deus! Muitos deles se auto-indicaram, alguns foram enviados por homens, a maioria cresceu sobre a tutela de Satanás. O leitor atento do Velho e Novo Testamento perceberá que o número dos falsos profetas, em todas as eras, superavam em muito o número dos verdadeiros. É por essa razão que Deus nos ordena a “não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (I Jo 4:1). Por isso a admoestação dada em Provérbios 23:1 tem sempre sido atual para o povo de Deus prestar muita atenção, e talvez nunca tenha sido tão necessário dar um alerta sobre isso do que neste tempo apóstata e degenerado em que todos nós fomos lançados.

A pregação que ouvimos, e que em certa medida é absorvida, tem precisamente o mesmo efeito sobre nossas almas, assim como a comida que comemos tem efeito sobre nossos corpos: se for saudável, é nutritivo; se danosa, nos fará mal. “Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti”. É um fato trágico que muitos dos próprios filhos de Deus são tão pouco espirituais, e tão ignorantes espiritualmente, que eles mal sabem como “atentar bem” o que está “diante deles”. Eles não sabem quais testes usar, nem como examinar o que ouvem. Se o pregador for “ortodoxo” e aprovado por aqueles que ele mesmo considera “sadios na fé”, eles pensam que sua mensagem deve estar correta. Se o pregador apenas crê nos “fundamentos” da fé, eles creem que deve ser um verdadeiro servo de Deus. Se o pregador se achega à letra das Escrituras, eles imaginam que suas almas estão sendo alimentadas com o verdadeiro leite da Palavra. Que tristeza a credulidade de tais almas desavisadas.

O leitor está prestes a perguntar, “Mas que outros testes devemos aplicar?” Vamos ajudá-lo a responder sua própria pergunta ao perguntar outra. Que critérios você aplica à comida material que você come? Você se satisfaz se ela foi preparada e cozida conforme os melhores livros de culinária? Claro que não. O principal é, o que sua comida produz? Ela satisfaz ou incomoda seu sistema digestivo? Ela promove ou ataca sua saúde? Nós concordamos, não? Muito bem, agora aplique a mesma regra ou teste à comida espiritual – ou, deveríamos dizer, mais acuradamente, a comida “religiosa” – que você está saboreando; que efeito ela está tendo sobre seu caráter e conduta, o que está produzindo no seu coração e na sua vida? Mas não devemos parar aí com uma mera generalização. Se as almas precisam de ajuda hoje, o servo de Deus deve ser preciso, e entrar em detalhes. Pondere cuidadosamente estas questões, querido leitor.

A pregação que você ouve entra no seu coração pelo poder do Espírito? Se não, qual o uso de ouvi-la? A pregação que você ouve lhe faz em pedaços, sonda sua consciência, lhe condena, e lhe faz clamar, “Desventurado homem que sou”? Ou ela traz mais informação para seu conhecimento, ministra ao seu prazer, e lhe faz sentir-se satisfeito consigo mesmo? Não trate estas questões levemente, nós lhe imploramos, ou você estará se mostrando como seu próprio pior inimigo. Defronte-se com elas de forma equilibrada e justa, como se na presença de Deus. “atente bem” o que está diante de você saindo do púlpito, pois só pode fazer duas coisas: ajudar ou atrapalhar você. Ou promove humildade, ou alimenta o orgulho. Ou lhe estimula a desenvolver com esforço a sua salvação “com temor e tremor”, ou apóia a segurança carnal e confiança em si mesmo. Ou lhe faz clamar a Deus dia e noite para que Ele produza em seu coração um ódio cada vez maior ao mal, ou (provavelmente de forma inconsciente) te leva a pensar do pecado como algo não tão sério – dando desculpas de “pequenos” erros, e lhe consolando com o pensamento de que nenhum de nós consegue ser perfeito nesta vida; mesmo que Deus diga, “tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento” (I Pe 1:15).

“Mete uma faca à tua garganta, se és homem glutão” (Pv 23:2). Essas são palavras fortes, não é mesmo? Sim, e o assunto as exige. Muito poucos percebem as temíveis conseqüências que advém de violar esse mandamento de Cristo, “atentai no que ouvis” (Mc 4:24). Falsa doutrina tem o mesmo efeito sobre a alma que veneno tem sobre o corpo. Mas Satanás apela ao orgulho de tantos, e tem sucesso em fazê-los acreditar que estão imunes, que eles estão “tão bem estabelecidos na verdade” que ouvir o erro não lhes fará mal. Entretanto o Espírito Santo diz, “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (I Co 15:33): elas não podem, mas IRÃO! Sim, ainda que você esteja bastante desavisado disso. “Mete uma faca à tua garganta, se és homem glutão”. Isso é claramente uma palavra de aviso para aqueles que são consumidos de curiosidade para ouvir cada novo “evangelista” ou “professor da Bíblia” que vem à cidade; àqueles que tem um apetite insaciável para experimentar cada “festa” religiosa que é divulgada em sua comunidade. É isso que significa “homem glutão”: o que anseia ouvir o último sensacionalista do púlpito ou do palco.

Para todos estes Deus diz: Segure-se, e não poupe medidas para checar essa tendência perigosa. É perigoso para você mesmo violar essa admoestação divina. Se você desobedecer, Satanás irá ou matá-lo, ou envenená-lo e colocá-lo para dormir profundamente. “não cobices os seus delicados manjares, porque são comidas enganadoras” (Pv 23:3). Sim, ele tem “manjares” para lhe oferecer: é por isso que tantos são atraídos à sua mesa. Esses “manjares” são habilidosamente variados para chamar a atenção de diferentes gostos. Para “estudantes proféticos” eles são itens picantes dos jornais, servidos com o nome de “sinais dos tempos”. Mas estas são “comidas enganosas”, pois deixam a alma com fome e improdutiva: não há nenhum nutriente espiritual nas mesmas! Para os jovens enérgicos, há uma agradável apresentação do “serviço cristão”, chamando-os a se engajarem na “obra do Senhor”: essas são também “comidas enganosas”, pois elas nem edificam (constroem) nem levam a um andar mais próximo com Cristo; ao invés disso, eles tiram os olhos de Cristo, para as “multidões que perecem”: como se Deus tivesse sido incapaz de salvar os Seus eleitos sem nossa ajuda! “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23) é a palavra de Deus para você.

Para outros é a exposição regular das “nossas doutrinas” que são de fato “manjares” para aqueles com uma mente teológica. “Sim, mas ‘nossas doutrinas’ são doutrinas das Escrituras, e certamente elas não podem ser ‘comidas enganosas’!” Oh querido amigo, Satanás freqüentemente se transforma em “anjo de luz”; ele sabe muito bem que nenhum mal se fará à sua causa enquanto dissertações doutrinárias são endereçadas ao intelecto, e a consciência não é sondada. A não ser que haja uma aplicação prática das doutrinas das Escrituras, o coração não é tocado nem a alma humilhada; ao contrário, o orgulho é alimentado e a cabeça meramente entulhada com um conhecimento teorizado da verdade. Guarde isso bem: doutrina distanciada da pregação prática e experimental é altamente perigosa!

O que o escritor e leitor precisam não são “manjares”, mas “ervas amargas” (Êx 12:8) para nos limpar do orgulho, independência, amor-próprio! Temos de nos alimentar do “pão de lágrimas” (Sl 80:5) e a “água de aflição” (Is 30:20). Somente esta ministração ajudará verdadeiramente e nos levará a lamentar diante de Deus, que nos leva até o pó, que nos faz aborrecer-nos a nós mesmos. Talvez alguns repliquem, “Eu quero uma ministração e que Cristo é exaltado”. Bom; mas você tem prazer em uma ministração que lhe faz ver quão diferente de Cristo você é em seus caminhos, e o quão longe você está do exemplo que Ele deixou para ser seguido? Uma ministração de “Cristo”, fiel e equilibrada, inclui Seu ensino sobre discipulado, Seus clamores e exigências sobre nós, Seus preceitos e avisos de perigo. Tome cuidado com “manjares” agradáveis à carne, querido leitor.

Nós pulamos os [versos] intermediários e chegamos ao 8 de Provérbios 23, “Vomitarás o bocado que comeste e perderás as tuas suaves palavras”. Sim, se você é realmente um filho de Deus, isso é o que o Espírito irá fazer com você, cedo ou tarde. Ele irá fazer o seu coração ter náuseas com aqueles “manjares” que agradam a carne com os quais você tanto se deleita agora; Ele lhe fará se voltar com desgosto daquilo que os professores vazios lhe alimentam com tanta avidez. Falamos com base em uma dura experiência. A ovelha não pode crescer com o alimento dos bodes! Se seu pregador é admirado e elogiado por palavras macias e agradáveis, você pode estar certo de que seu ministério não pode lhe ajudar. Se grandes multidões o ouvem entusiasticamente, é um sinal seguro de que ele não ministra a Palavra no poder do Espírito!

Para fecharmos, vamos apenas dizer que tudo o que foi apontado como “atentar bem” à pregação que você ouve, se aplica com a mesma força ao ouvir o rádio! “Atentais no que ouvis”: se não deixar sua consciência mais macia, a deixará mais cauterizada. O mesmo se aplica à leitura. A maioria das revistas “ortodoxas” e “fiéis” que são impressas hoje, só podem lhe fazer mal, pois não possuem nada que lhe faça chorar diante de Deus, nada para aumentar o “temor do Senhor” em sua alma, nada que lhe levará à mortificação crescente dos seus membros sobre a terra. Se tem sido este o caso, evite-os como uma praga. “Afastai-vos, pois, do homem” (Is 2:22) e se alimente da Palavra.

Autor: Arthur W. Pink
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Extraído do site Eternal Life Ministries
Tradução: Projeto Castelo Forte

Revisão: Daniel Campos

domingo, 30 de junho de 2019

O Ministério e a Autoridade do Espírito Santo

A administração ativa do Espírito Santo pode ser vista pela primeira vez na Igreja na forma da escolha dos diáconos. O Espírito Santo não entrega a Sua autoridade na igreja confiando às mãos humanas qualquer departamento dos Seus assuntos. (Atos 6:3). O ministério dessas pessoas deve ser visto como o próprio ministério do Espírito. Mesmo em se tratando de coisas temporais, tais como a distribuição de dinheiro e alimento, a condição é ser cheio do Espírito Santo. O homem natural, ainda que seja um príncipe neste mundo, não tem lugar na administração da igreja (1 Co 2:8, 14). Tais pessoas obstruem, bloqueiam e barram o Espírito Santo. Elas são indiferentes, estagnadas e não cooperam com o Espírito Santo.

O Espírito Santo é como uma pomba que anseia por descansar no Seu ninho. Mas Ele também é tímido e pode ser facilmente afugentado. Seus métodos são sempre persuasivos e não forçados. Ele pode ser entristecido como o coração terno de um pai e pode ser apagado como uma chama de fogo. Ele é tolerante para com as nossas criancices e erros de julgamento, mas não pode tolerar um espírito indisposto. A desobediência praticamente O afugenta.

E se Ele vê homens e mulheres não espirituais na responsabilidade da igreja Ele fica ou Se retira? As igrejas que recusaram a pregação de George Whitefield permanecem estéreis até o dia de hoje. O contrário é verdadeiro: “Esta palavra agradou toda a multidão”. Estevão foi o primeiro a ser escolhido depois de Filipe. Estevão foi o primeiro mártir e Filipe o primeiro evangelista. Estevão impressionou Saulo de Tarso, e Filipe levou a benção pentecostal a Samaria e através do eunuco ele introduziu o evangelho na África e levou o evangelho a Cesaréia (Atos 8:40) e preparando o caminho para Pedro abrir a porta aos gentios.

A palavra apóstolos enfatizou o caráter espiritual dos oficiais da igreja e “agradou à multidão”. Eles deviam:
(1) Ser de boa reputação – perante os de fora;
(2) Ser cheios de sabedoria – em relação a eles próprios;
(3) Ser cheios do Espírito Santo – com relação a Deus.

Logo depois da escolha dos sete homens foi registrado: “E a palavra de Deus crescia e o numero dos discípulos se multiplicava” (Atos 6:7,8). Você acha que não existe ligação aqui? Está enganado. Havendo homens espirituais, o Espírito Santo pode operar sem impedimento. “As leis do Reino são mais imutáveis do que as leis dos Medos e Persas”. Só assim haverá crescimento:
(1) Da Palavra, e (2) Dos discípulos. No inicio os discípulos eram acrescentados, mas agora eles são multiplicados e grande numero de sacerdotes obedecem à fé.

A igreja forneceu diáconos do Espírito Santo e ganhou sacerdotes convertidos. Os discípulos escolheram diáconos do Espírito Santo e ganharam um mártir (Estevão) e um evangelista (Filipe). Eles foram escolhidos para servir às mesas (Atos 7:55). O ultimo desafio de Estevão aos seus perseguidores foi: “Vós sempre resistis ao Espírito Santo”. Eles resistiram a Estevão e ao Espírito Santo que era pleno nele.

Selecionado por Delcio Meireles

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