Palavras de Vida Eterna


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Guiados pelo Espírito Santo, Romanos 3.13


Para muitos Cristãos a liderança do Espírito é considerada como uma sugestão de pensamentos para nossa orientação. Eles almejam e pedem por ela em vão. Quando muitas vezes pensam que a têm, ela não traz a segurança ou o conforto que eles pensam que deve ser o selo daquilo que realmente é do Espírito. Assim a preciosa verdade da liderança do Espírito, ao invés de ser um fim para toda a controvérsia e a solução de toda dificuldade, uma fonte de conforto e poder em si mesma, se torna uma causa de perplexidade e a maior de todas as dificuldades.

O erro vem de não aceitar a verdade de que o ensinamento e a liderança do Espírito são primeiramente dados na Vida e não na Mente. No momento em que a conformidade com este mundo e seu espírito é crucificada e morta, quando deliberadamente negamos e reprimimos a vida natural e a vontade da carne, somos renovados no espírito da nossa mente e deste modo ela se torna apta para provar e conhecer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12:2).

Esta conexão entre a obra prática santificadora do Espírito em nossa vida interior e a Sua liderança aparece muito claramente em Romanos 3 verso 13: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. Então segue: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”. Isto é, tantos quantos se permitem serem liderados por Ele nesta mortificação das obras do corpo, estes são os filhos de Deus. O Espírito Santo é o Espírito da vida santa que havia e há em Cristo Jesus, e que opera em nós como uma Vida de Poder Divino. Ele é o Espírito de Santidade, e somente como tal liderará. Através dEle Deus opera em nós tanto o querer como o fazer Seu bom prazer; através dEle Deus nos faz perfeitos em toda boa obra para Sua vontade, operando em nós o que é agradável à Sua vista. Ser liderado pelo Espírito envolve, em primeiro lugar, a rendição à Sua obra enquanto Ele convence do pecado e purifica a alma e o corpo para o Seu templo. É como o Espírito interior, preenche, santifica e rege o coração e a vida, que Ele ilumina e lidera.

No estudo do significado da liderança do Espírito, é de fundamental importância compreender este conceito em todo o seu significado. Somente a mente espiritual pode discernir as coisas espirituais e pode receber a liderança do Espírito. A mente precisa crescer espiritualmente para se tornar capacitada para a orientação espiritual. Paulo disse aos Coríntios que devido ao fato de eles, embora nascidos de novo, serem ainda carnais, como meninos em Cristo, ele não pôde ensinar-lhes verdades espirituais. Se isso refreia o ensinamento que vem através do homem, quanto mais o ensinamento que vem direto do Espírito, pelo qual Ele nos guia a toda a verdade. O mais profundo mistério da Escritura, tantos quanto são compreendidos pela mente humana, pode ser estudado, aceito e até mesmo ensinado pela mente impura. A liderança do Espírito não tem início na região do pensamento ou do sentimento, mas no mais profundo, na própria vida, no laboratório escondido da vida interior, de onde emana o poder que molda a vontade e forma o caráter em nossos espíritos, ali o Espírito Santo faz a Sua morada, ali Ele respira, se move e impele. Ele nos conduz inspirando com a vida e disposição da qual procedem os propósitos e decisões corretos.

“Sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1:9). Esta oração nos ensina que é somente para um entendimento espiritual que o conhecimento da vontade de Deus pode ser dado, e o entendimento espiritual vem somente com o crescimento do homem espiritual e a fidelidade à vida espiritual. Aquele que possui a liderança do Espírito precisa render a si mesmo a fim de ter sua vida totalmente possuída e preenchida pelo Espírito. Foi quando Cristo foi batizado com o Espírito que, “cheio do Espírito”, “foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto” (Lc 4:1), “voltou Jesus para a Galiléia no poder do Espírito” (Lc 4:14), e começou Seu ministério em Nazaré com as palavras, “O Espírito do Senhor está sobre mim”.

Desfrutar da direção do Espírito demanda uma mente muito educável e obediente. O Espírito não é impedido somente pela carne como o poder que comete pecado, mas mais ainda pelo poder da carne que procura servir a Deus. Para ser capaz de discernir o ensino do Espírito, a Escritura nos diz que o ouvido precisa ser circuncidado, na circuncisão não feita por mãos, mas a circuncisão de Cristo. A vontade e a sabedoria da carne devem ser temidas, crucificadas e negadas. O ouvido deve se fechar para tudo o que a carne e sua sabedoria, quer em si mesma ou nos homens ao nosso redor, têm para dizer. Em todos os nossos pensamentos sobre Deus ou em nosso estudo de Sua Palavra, em toda nossa aproximação para adorar e em toda nossa saída para trabalhar para Ele, deve haver uma contínua desconfiança e abnegação do ego e uma bem definida espera em Deus para que o Espírito Santo nos ensine e nos guie. A alma que deste modo espera diariamente e a cada hora por condução Divina e por luz do conhecimento e obediência, seguramente as receberá.

A liderança do Espírito muito especialmente deve ser uma questão de fé, e isso em dois sentidos. O começo da liderança virá quando aprendemos em santo temor cultivar e agir com confiança: O Espírito Santo está em mim, e está fazendo Sua obra. A habitação do Espírito é a parte mais importante da obra redentora de Deus, a mais espiritual e misteriosa parte do mistério da piedade. Aqui é necessário fé. Fé é a faculdade da alma que reconhece o invisível, o divino, que recebe a impressão da Divina Presença quando Deus se aproxima; que em sua medida aceita o que o Ser Divino traz e nos dá. No Espírito Santo está a mais íntima comunicação da Vida Divina; aqui a fé não pode julgar pelo que sente ou entende, mas simplesmente se submete a Deus para deixa-Lo fazer o que Ele disse. Ele media e adora, ora e confia sempre de novo, rende toda a alma em adorável aceitação e agradecimento pela obra do Salvador, “Ele estará em vós”. Ele se regozija na segurança, o Espírito Santo, a força poderosa de Deus, habitando interiormente, da Sua própria maneira e posso depender dEle. Ele me guiará.

Por meio desta fé mais geral na habitação do Espírito, a fé também tem que ser exercitada em relação a cada parte da liderança. Quando há um questionamento, me prostro diante do Senhor e minha alma espera em simplicidade e vacuidade por Sua explicação e utilização daquilo que na Palavra ou providência me satisfaz, devo em fé confiar no meu Deus que Sua orientação não está retida. Não é por impulsos repentinos ou fortes impressões, nem por vozes celestiais que devemos esperar a condução do Espírito. Há almas para as quais tal orientação é indubitavelmente dada e o tempo virá, a medida em que nossa natureza se torna mais espiritual e vive mais em contato com o invisível, nossos próprios pensamentos e sentimentos se tornarão os veículos conscientes da Sua abençoada voz. Porém devemos deixar isto para Ele. Os degraus mais baixos da escada são arriados o suficiente para o mais fraco alcançar; Deus quer que todos os Seus filhos sejam guiados pelo Espírito todos os dias. Começar o caminho de seguir a orientação do Espírito pelo crer, não somente que o Espírito está dentro de você, mas que Ele empreende agora imediatamente a obra que você Lhe pede e confia. Submeta-se a Deus em completa rendição. Creia com implícita confiança que a aceitação de Deus dessa rendição significa que você está entregue ao controle do Espírito. Através dEle Jesus guia, dirige e salva você.

A condução do Espírito é inseparável da santificação do Espírito. Permita cada um que é guiado pelo Espírito de assim o ser pela entrega de si mesmo para ser conduzido pela Palavra, tanto quanto a conheça. Comece do começo, obedeça aos mandamentos. “Guarda meus mandamentos e o Pai lhes enviará o Espírito.” Deixe todo pecado, desista de tudo por Deus, e permita-O tomar a Sua direção. Através do Espírito faça morrer os delitos do corpo. Como um filho de Deus ponha-se inteiramente à disposição do Espírito, para ir por onde Ele conduz, e o Próprio Espírito, este mesmo Espírito, através do qual você mortifica o pecado e se rende a fim de ser conduzido como uma criança, testificará com o seu espírito, em regozijo e poder ora desconhecidos, que você de fato é um filho de Deus, que goza de todos os privilégios de filho no amor e direção de Seu Pai.

Autor: Andrew Murray
Do livro “O Espírito de Cristo” (The Spirit of Christ)


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Impossível para o Homem, Possível para Deus

Disse Jesus: “As coisas que são impossíveis aos homens, são possíveis a Deus”. (Lucas 18,27).

Esta passagem contém dois pensamentos; que no Cristianismo, a questão da salvação e do seguir a Cristo através de uma vida santa, é impossível para nós. E então, ao lado deste, está o pensamento de que o que é impossível para nós é possível a Deus.

Os dois pensamentos marcam as duas grandes lições que temos que aprender em nossa vida Cristã. Muitas vezes leva um longo tempo para aprendermos aquela primeira lição, ‘que na vida Cristã nós não podemos fazer nada', que a salvação é impossível para nós. E muitas vezes, quando aprendemos isto, não aprendemos a segunda lição que, ‘o que tem sido impossível para nós é possível para Deus'. Abençoado é aquele que aprende estas duas lições.

O aprendizado destas duas lições marca dois estágios na vida Cristã. O primeiro estágio é quando estamos tentando fazer o máximo que podemos e fracassamos, e então tentamos ainda mais duramente e fracassamos novamente, e então tentamos ainda mais e sempre fracassamos. E no entanto, muitas vezes, mesmo assim não aprendemos a lição. É impossível. Pedro gastou três anos na escola de Cristo e nunca aprendeu que ‘é impossível', até que negou seu Senhor e fugiu e chorou amargamente. Então ele aprendeu a lição que ‘para o homem é impossível' servir a Deus e a Cristo.

Olhe apenas por um momento para o que significa aprender esta lição. Primeiramente nós lutamos contra ela; então nos submetemos a ela, mas relutantemente e em desespero; e por último a aceitamos de boa vontade e regozijamo-nos nela. No começo da vida Cristã não temos a concepção dessa verdade. Fomos convertidos, temos a alegria do Senhor em nossos corações e começamos a correr a carreira e lutar o combate. Estamos seguros da vitória, pois somos determinados e sinceros, e Deus nos ajudará . No entanto, por alguma razão, muito breve, falhamos onde não esperávamos e o pecado tira o melhor de nós. Ficamos desapontados mas pensamos: ‘Eu não estava vigilante o suficiente, não fiz minhas resoluções fortes o suficiente'. E novamente prometemos, e novamente oramos, e ainda outra vez falhamos. Pensamos: ‘Não sou regenerado? Não tenho a vida de Deus em mim?'. E pensamos: ‘Sim, eu tenho Cristo para me ajudar. Eu posso viver uma vida santa'. Mas no final começamos a compreender que tal vida é impossível para nós; e há uma multidão de Cristãos que chegam a este ponto; fazemos o nosso melhor, mas nunca chegamos muito longe.

Mas, ainda assim, o Senhor nos conduz. Quando voltamos a tomar aquela palavra, ‘é impossível', em toda a sua verdade, e em desejo intenso e oração começamos a clamar a Deus: ‘Senhor, qual o significado de tudo isso. Como posso ser liberto do poder do pecado?'. Então chegamos ao estado da pessoa regenerada em Romanos 7. Ali encontramos os Cristãos tentando o melhor para viverem uma vida santa. A lei de Deus tem sido revelada a eles de modo a alcançar a profundidade dos desejos do coração, e eles ousam dizer: ‘Me deleito na lei de Deus, no tocante homem interior. O querer o bem está presente em mim. Meu coração ama a lei de Deus, e minha vontade escolheu aquela lei'. Pode um homem como este fracassar, com seu coração cheio do prazer na lei de Deus e com sua vontade determinada para fazer o que é certo? Sim. Isto é o que Romanos 7 nos ensina, mas é preciso algo mais. Não somente devo me deleitar na lei de Deus por causa do homem interior e desejar o que Deus deseja, mas preciso de uma onipotência divina para efetuar isto em mim. E isto é o que o apóstolo Paulo ensina em Filipenses 2:13: “É Deus quem opera em vós, tanto o querer como o realizar”. Note o contraste. Em Romanos 7 a pessoa regenerada diz: ‘O querer está em mim, mas o fazer descobri que não posso. Eu desejo, mas não posso realizar'. Mas em Filipenses 2, temos uma pessoa que vai mais longe, aquele que entende que quando Deus efetuou o querer renovado, Deus dará o poder para realizar o que aquele querer deseja.

Vamos receber isso como a primeira grande lição na vida espiritual: ‘É impossível para mim, meu Deus: fazer com que haja um fim da carne e todo seu poder, um fim do ego, e fazer com que minha glória seja abandonada'. Louvado seja Deus pelo divino ensinamento que nos faz incapazes!

Agora vem a segunda lição: ‘As coisas que são impossíveis para o homem são possíveis para Deus”. Eu disse um pouco atrás que há muitos que têm aprendido que ‘é impossível para o homem', mas então se dão por vencidos em impotente desespero e vivem uma vida Cristã miserável sem alegria ou firmeza ou vitória. Mas por quê? Porque não se humilham e não aprendem aquela outra lição: “Para Deus tudo é possível”.

Sua vida todos os dias é uma evidência de que Deus faz coisas impossíveis; sua vida é para que as impossibilidades sejam tornadas possíveis pelo onipotente poder de Deus. Isso é o que o Cristão precisa. Você tem um Deus onipotente que você adora, e precisa aprender a entender que você não quer um pouco do poder de Deus, mas que você quer – com reverência permita ser dito – a totalidade da onipotência de Deus para mantê-lo justo, para viver uma vida Cristã.

Todo o Cristianismo é um efetuar da onipotência de Deus. Olhe para o nascimento de Jesus. Aquilo foi um milagre do poder divino, e foi dito à Maria, “Para Deus nada é impossível”. Foi a onipotência de Deus. Olhe para a ressurreição de Cristo. Nós fomos ensinados que foi conforme a excelsa grandeza de Seu poder que Deus levantou Cristo da morte.

O Cristianismo teve seu começo na onipotência de Deus, e em toda alma deve ter sua continuação naquela onipotência. Todas as possibilidades da vida Cristã têm suas origens em uma nova percepção do poder de Cristo para operar toda a vontade de Deus em nós.

A causa da fraqueza em nossa vida Cristã é que queremos exercita-la nós mesmos, consentindo que Deus nos ajude. Isto não funciona. Devemos nos achegar em completa fraqueza e deixar Deus efetuar, e então Ele efetua, gloriosamente. Isto é o que precisamos se somos de fato obreiros de Deus.

Podemos ver nas Escrituras que quando Moisés liderou Israel para fora do Egito; quando Josué trouxe-os para a Terra Prometida; e todos os servos de Deus no Velho Testamento; todos eles contaram com a onipotência de Deus fazendo o impossível. Este Deus vive hoje, e este é o Deus de todo aquele que é Seu filho. E ainda tão freqüentemente estamos esperando Deus nos dar uma pequena ajuda, enquanto fazemos nosso melhor; ao invés de buscar compreender o que Deus quer e estar desejando dizer: ‘Eu nada posso fazer, mas Deus deve fazer e fará tudo'.

Precisamos chegar ao ponto de admitir: 'Na adoração, na obra, na santificação, na obediência a Deus, não posso fazer nada por mim mesmo. E então minha posição é de adorar o Deus onipotente e crer que Ele trabalhará em mim em todo momento'. Oh que Deus pela Sua graça possa nos mostrar que Deus temos, a que Deus temos nos confiado. Um Deus onipotente, desejando, com toda Sua onipotência, colocar-se a Si mesmo à disposição de todos os Seus filhos. Devemos tomar a lição do Senhor Jesus e dizer, ‘Amém, as coisas que são impossíveis para mim, são possíveis para Deus'.

Autor: Andrew Murray
Do livro “Absolute Surrender” (Entrega Absoluta).

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