Palavras de Vida Eterna


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domingo, 4 de agosto de 2019

Caótica sem Forma e em Crise

Lembro-me das primeiras aulas de hebraico tentando ler Gênesis 1.2: “a terra estava sem forma e vazia”, e o professor nos ensinando a expressar de forma bem gutural as palavras “tohu va-bohu”, que significam: um amontoado caótico de trevas aterrorizantes.

Segundo os teólogos que defendem a “Teoria da Lacuna” teria ocorrido uma catástrofe cósmica entre o verso 1 e 2 de Gênesis, e uma antiga criação que  abrigou uma raça pré-adâmica e também os dinossauros foi destruída pelo juízo divino há milhões de anos. E o que restou foi o caos.

Há algo em nosso ser interior muito próximo disso. Somos seres fragmentados, desconhecidos para nós mesmos, buscando ordenar nossa confusão interna. E o mesmo Senhor que pôs em ordem o cosmos com sua palavra e vontade deseja reorientar o interior do homem. É possível ver este desejo divino em prática quando Paulo diz que Deus nos “libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho” (Cl 1.13). Enquanto o império das trevas cósmico recebeu a ordem divina: “haja luz”, e houve luz, o reino humano foi irradiado pela presença de Cristo, e nas regiões dominadas pelas sombras  brilhou a Luz de Sua Presença entre nós.

Desde o princípio o homem sofre de delírios de grandeza e por isso busca encontrar segurança nas suas realizações. A primeira grande tentativa da humanidade de realizar-se foi erigir uma torre para chegar ao céu, e gravar seu nome ali. De igual modo, a partir da Idade Média também passamos a construir templos monumentais e catedrais, procurando através deles “tocar o céu”, inspirar segurança e passar solidez aos seus frequentadores.

Hoje, não contentes com o “poder eclesial” este mesmo homem busca também o “poder político”. O maior grupo neo-pentecostal do Brasil já tem o seu partido (PRB), e agora, a mais tradicional igreja pentecostal foi picada pela “mosca azul” e está montando  também uma agremiação – o PRC – para entrar na política partidária. É o ovo da serpente sendo chocado: sabemos que em algum momento da História, a besta que emerge da terra (sistema religioso) juntará suas forças à besta que emerge do mar (poder político) para sua derradeira investida.

Se houve um juízo divino sobre o faraó do Egito e seu povo, se houve sobre os construtores da torre de Babel, se os filisteus  sofreram terríveis conseqüências por terem se apossado da arca, se a terra engoliu os adoradores do bezerro de ouro e se o rei Herodes foi  comido por vermes na frente de uma multidão por não ter dado glórias a Deus (At 12.23) não viria um juízo também sobre esta geração?

Deus é paciencioso e suporta longamente a perversidade dos que se desviam, mas Ele avisa: “Dei-lhe tempo para que se arrependesse”. Porém, a loucura e a bazófia dos homens tem subido até os céus.

Vivemos a mercantilização da vida onde tudo tem seu preço: valorizamos o que tem utilidade imediata para nós, inclusive gente, e quando não tem mais, a ordem é: jogue fora, e esqueça. Na atividade econômica trabalhadores precisam atingir as metas  traçadas por  acionistas ávidos de lucros – senão todos perdem o emprego.  Mas que ninguém se escandalize, pois isso já é normal nos grandes conglomerados da fé: pastores também têm de atingir suas metas – de valores, diga-se de passagem – e não de amor, visitação, cuidado ou pastoreio. É a mercantilização da fé onde “deus” nada mais é que um sujeito obcecado por dinheiro, e que só sabe falar money, money, money....

Ao contrário do que muitos imaginam, o juízo não começará pelos ímpios, porém, “o julgamento começa pela casa de Deus” (1Pe 4.17). Compreendo agora quando Salomão diz que “se o justo é punido na terra, quanto mais o perverso e pecador” (Pv 11.31).

A palavra grega que expressa juízo é “krisis”.  Não significa necessariamente condenação, podendo até mesmo ser uma oportunidade para decisão, porém será sempre dolorosa.  Para os médicos da Antiga Grécia a palavra “krisis” tinha um especial significado: quando o doente depois de medicado entrava em “crise”, era sinal de que haveria um desfecho: a cura ou a morte.

O Juízo e sua crise estão aí por toda a parte. Vidas tresloucadas, destroçadas, amarguradas. Mas João Batista adverte que a única coisa que pode nos livrar do juízo divino é o arrependimento e a conversão.

Não sei quanto a você, mas algo me diz que estes últimos acontecimentos que abalaram o mundo irão se aprofundar ainda mais para todas as áreas da vida. A humanidade se encontra sob a ira divina, pois “todo aquele que se mantém rebelde contra o Filho...  sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36).  Ou seja, o único que pode impedir a ira do Eterno é Jesus. Vamos ouvir mais o que Ele tem a nos dizer, vamos praticar mais as Suas Verdades, e permitir que Ele controle o nosso ser cansado,  afinal o Juízo divino já está entre nós e horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10.31).

Autor: Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 3 de julho de 2019

O Mar já não Existe

“E o mar já não existe.” Apocalipse 21:1

Dificilmente poderíamos nos alegrar diante da idéia de perdermos o nosso velho e glorioso oceano: o novo céu e a nova terra não vão além da nossa imaginação, sendo assim, literalmente não deveria haver um grandioso e vasto oceano, com suas ondas reluzentes e suas costas cheias de conchas. O texto não deveria ser lido como uma metáfora, tingida com o preconceito da mente Oriental que considera universalmente o mar como algo dos tempos antigos?

Um mundo físico real sem um oceano é triste de imaginar, é como um anel de ferro sem a safira que o torna precioso. Deve haver um significado espiritual aqui. Na nova dispensação não haverá divisões - os oceanos separando as nações e mantendo os povos separados uns dos outros. Para João em Patmos as águas profundas eram como muros de uma prisão, prendendo-o de seus irmãos e de sua obra: não haverá esse tipo de barreira no novo mundo que virá.

Léguas de ondas rolando entre nós; muitos compatriotas que lembramos em nossas orações da noite, mas no mundo brilhante que estamos indo haverá uma comunhão inquebrável para todos da família redimida. E nesse sentido não haverá o oceano. O oceano é o símbolo da mudança, com seus fluxos e refluxos, sua suavidade vítrea e suas ondas montanhosas, seus murmúrios suaves e seus rugidos barulhentos, nunca mais serão o mesmo. Escravo dos ventos instáveis e da lua inconstante, sua instabilidade é notória.

Neste estado mortal nós temos muito dessas coisas, a terra é constante apenas em sua inconstância, mas no estado celestial toda mudança fúnebre será desconhecida, assim como todo o medo das tempestades que destroem nossa esperança e afoga a nossa alegria. A cada onda o mar de vidro resplandecerá com uma glória ininterrupta. Não haverá ruivos de tempestades ao longo das pacíficas costas do paraíso. Brevemente chegaremos a está terra feliz onde separações, mudanças, e tempestades terão fim! Jesus nos conduzirá até lá. Nós estamos nEle ou não? Está é a grande questão.

Autor: Charles Huddon Spurgeon

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