Não se enganem, Satanás é um ser real. Ele também é um inimigo explícito de Deus, de Seus propósitos, de Suas atividades e de Seu povo. O nome Satanás significa “adversário”, e diabo significa “acusador”. Em Mateus 12:24 ele é chamado de “maioral dos demônios”.
Em Apocalipse 12:9-10 nosso adversário é rotulado de “o grande dragão”, “a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo”. Também é designado ali como “o acusador de nossos irmãos”, incriminando-os diante de Deus dia e noite. O nome “grande dragão” fala de seu poder político como o soberano do mundo e “príncipe da potestade do ar” (Efésios 2:2). “Antiga serpente” fala de sua poder espiritual como o sedutor de todo o mundo e o “deus deste século”, que “cegou o entendimento dos incrédulos” (2 Coríntios 4:4).
Satanás é a mesma antiga serpente que veio ao jardim do Éden e enganou a mulher, levando Eva e Adão à desobediência e consequentemente ao pecado contra Deus. Eva teve de dizer mais tarde: “A serpente me enganou” (Gênesis 3:13).
SUA ORIGEM E QUEDA
Em Isaías 14:12-15 e Ezequiel 28:12-19 temos um marcante relato do lugar original que Satanás ocupou como “estrela da manhã, filho da alva”. Sua queda desta exaltada posição original -- sendo ele talvez o maior ser angelical criado por Deus -- é narrada nestas Escrituras.
Orgulho, obstinação, iniquidade, rebelião e violência são os motivos dados de sua queda.
Sob a figura do “rei de Tiro”, Ezequiel declara que este grande ser criado era “o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura”. Ele permanecia no monte santo de Deus e se cobria de todas as pedras preciosas. Deus o havia colocado ali como o “querubim da guarda ungido”, e andava no meio das pedras afogueadas. Talvez fosse o guardião da santidade de Deus, provavelmente sobre o planeta Terra no seu estado original[1].
O relato inspirado diz: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti” (Ezequiel 28:12-15).
O profeta Isaías diz no capítulo 14: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva!”. O título “estrela da manhã” pode ser traduzido como Lúcifer, e deriva de uma palavra hebraica que significa “brilhante ou aquele que resplandece”. O título “filho da alva” é uma expressão poética para “estrela da manhã”. Lúcifer, a brilhante estrela da manhã, é o primeiro nome dado a este grande ser angelical ao sair das mãos criadoras de Deus. Grande como era, ele não passava de uma criatura de Deus, responsável por obedecer a seu Criador.
Em Isaías 14:13-14 vemos cinco expressões imperativas que caracterizam a expressa rebeldia e obstinação de Satanás: “Subirei”, “exaltarei”, “assentarei”, “subirei” e “serei”. Nesta última ele diz: “serei semelhante ao Altíssimo”. Lúcifer não estava satisfeito com a posição de exaltação que recebera na criação de Deus. Ezequiel diz: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor” (Ezequiel 28:17). Ele intentou exaltar a si mesmo e a seu trono e buscou ser semelhante ao próprio Deus. Particularmente, ele talvez invejasse o lugar do Filho de Deus e desejasse ser tão exaltado como Ele. Sua ambição e propósitos eram ser adorado como Deus, e disso ele nunca desistiu. Essas cinco questões imperativas que Satanás proferiu em Isaías 14:13-14, manifestam a pungente essência do pecado: é a vontade da criatura oposta à vontade e determinação do Criador. Foi assim, por causa da obstinação de Lúcifer, que o pecado entrou no universo, antes mesmo da criação do homem.
Ademais, vemos em Ezequiel 28:16-18 que Lúcifer estava envolvido numa multidão de comércio. Ele encheu o céu de violência e pecou. Ali se lê: céu de violência e pecou. A Bíblia diz: “Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários”. Acreditamos que isto indica algum comércio profano de Lúcifer, algum tráfico, pelo qual outras criaturas angelicais foram seduzidas de sua fidelidade ao Criador, dedicando lealdade e devoção a Lúcifer.
Assim Lúcifer instigou violência e rebelião entre as hostes celestes antes da criação do homem, e aqueles que o acompanharam se tornaram seus anjos ou demônios. A sentença divina de expulsão de sua exaltada posição como o “querubim da guarda ungido” foi pronunciada, embora ainda não completamente executada. Isso acontecerá no futuro, segundo Apocalipse 12:7-17. Como deposto de seu lugar celestial no governo de Deus, ele passou a chamar-se Satanás, o adversário, e no Novo Testamento ele é chamado de diabo (Jó 1:6-12; Mateus 4:1-11).
SATANÁS E JÓ
O livro de Jó (1:8-19; 2:1-8) nos dá uma antiga ilustração do ódio e malignidade de Satanás contra o povo de Deus. Deus disse acerca de Jó que ele era Seu servo e não havia ninguém na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal (1:8). Então lemos que Satanás respondeu ao Senhor e insinuou que Jó verdadeiramente não temia a Deus, e caso Ele (Deus) estendesse Sua mão e tocasse em tudo o que possuía, Jó blasfemaria contra Deus. Aqui Satanás revelou seu caráter acusador e maligno.
Quando Deus autoriza Satanás a tocar em tudo o que Jó possuía -- menos em sua vida --, Satanás sai da presença de Deus e terríveis coisas começaram a acontecer aos filhos e às posses de Jó. Foi Satanás quem incitou os sabeus e os caldeus a roubar os animais de carga de Jó e a matar os seus servos. Foi ele quem fez cair fogo do céu e queimar as suas ovelhas e os seus servos, como também levantar um grande vento e derrubar a casa sobre os sete filhos e as três filhas de Jó, matando a todos. Tudo isso deixa claro o grande poder de Satanás e sua terrível hostilidade contra os servos de Deus. Mas também revela que Satanás só pode ir até onde Deus permite.
Jó conservou sua integridade e não amaldiçoou nem acusou a Deus, mas, em vez disso, lançou-se em terra e O adorou após todas estas calamidades. Então Deus novamente aponta Jó a Satanás como aquele que permaneceu inabalável e fiel a Ele.
Satanás respondeu com nova acusação e investida contra Jó, afirmando que, se os ossos e a carne de Jó fossem tocados, ele blasfemaria contra Deus. Deus disse a Satanás que Jó estava em seu poder para fazer o que quisesse, com a restrição de poupar-lhe a vida. Está escrito que Satanás saiu “da presença do Senhor e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça” (Jó 2:7).
O Senhor permitiu que Satanás tentasse severamente e causasse intenso sofrimento e angústia em Jó, e isto, no final das contas, serviu para o seu bem. O patriarca nunca amaldiçoou a Deus, e Satanás foi derrotado. No final Jó teve um maior conhecimento de Deus e de sua própria pecaminosidade, “e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra” (Jó 42:10). “Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro.” Também lhe foram dados outros sete filhos e três filhas, e “em toda aquela terra não se acharam mulheres tão formosas” (Jó 42:12 e 15).
AS PARÁBOLAS DE MATEUS 13
No Novo Testamento temos a atividade de Satanás salientadas em algumas das parábolas que o Senhor dá no tocante ao reino dos céus em Mateus 13.
Na primeira parábola, a do semeador, o Senhor disse que parte das sementes “caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram” (v. 4). Explicando a parábola, o Salvador disse que “a semente é a palavra de Deus. A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos” (Lucas 8:11-12, também Mateus 13:19).
Vemos aqui a atividade de Satanás impedindo a Palavra de Deus de ser semeada no terreno apropriado, no coração dos homens, evitando que eles creiam no evangelho e sejam salvos. É fácil entender que a beira do caminho é um solo endurecido pelo tráfego do mundo, e que ali a semente da Palavra de Deus só fica na superfície. O diabo então pode facilmente arrebatar a semente ao ocupar-nos com outras coisas, fazendo com que a Palavra de Deus seja esquecida.
Na segunda parábola, a boa semente é lançada no campo e, “enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se” (v. 25). O joio é uma nociva erva daninha que parece com o trigo. Na explicação desta parábola, o Senhor disse: “O que semeia a boa semente é o Filho do homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que semeou é o diabo” (vv. 37-39). O Senhor apresenta nesta parábola a atividade de Satanás como um inimigo em malévola oposição à semeadura da boa semente da pura Palavra de Deus.
Satanás tem estado ocupado na semeadura de seus falsos e enganosos ensinos, que são representados pelo joio. A figura do joio está para a imitação, o engano e a corrupção. O diabo lança sementes de engano e imitação que envenenam e corrompem a mente e o coração da humanidade. Ele tem um evangelho imitado, moderno; um Cristo imitado, falso; uma igreja imitada, falsa. Dessa forma busca destruir o verdadeiro cristianismo, que é uma obra de Deus, introduzindo no lugar uma brilhante imitação da coisa real. Aqueles que aceitam os malignos ensinamentos de Satanás tornam-se espiritualmente ligados a ele, vindo a ser “filhos do maligno”, como disse o Senhor. O caráter destes é moldado segundo suas inspirações e influenciado segundo os sutis ensinamentos dele.
UM ANJO DE LUZ
Nos dias do apóstolo Paulo, ele encontrou aqueles que praticavam as obras de engano de Satanás. Eles semearam seu venenoso joio e demonstraram que eram filhos do maligno. Observem como Paulo os descreve aos coríntios: “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras” (2 Coríntios 11:13-15).
Quando condiz com seus propósitos, ele vem como anjo de luz e ministro de justiça. Ele tem ministros que citam as Escrituras como ele próprio fez quando tentou ao Senhor Jesus no deserto. Só que eles torcem e distorcem as Escrituras, como afirmou o apóstolo Pedro em sua segunda epístola (2 Pedro 3:17). O apóstolo Paulo também escreveu aos crentes da Galácia acerca daqueles que perturbaram e perverteram (distorceram) o evangelho de Cristo (Gálatas 1:7). O diabo é o grande enganador que age por intermédio de seus servos, os quais têm sido enganados por ele e buscam enganar e seduzir outros.
Paulo escreveu a Timóteo que “nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” (1 Timóteo 4:1-2).
Mediante espíritos de engano e mentira há ensinos demoníacos sendo atrevidamente proclamados em muitos lugares na atualidade sob a bandeira do cristianismo. O apóstolo João nos exorta a provar “os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 João 4:1). Temos de provar tudo à luz da íntegra Palavra de Deus e não apenas tomar textos isolados e dar a eles a nossa própria interpretação. O profeta Isaías há muito declarou: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaías 8:20).
UM LEÃO QUE RUGE
Satanás é também mencionado na Bíblia num caráter completamente diferente. O apóstolo Pedro escreveu aos cristãos de seus dias que eles deveriam ser “sóbrios e vigilantes”. Porque o “diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1 Pedro 5:8-9).
A figura de um leão que ruge apresenta Satanás como o perseguidor do povo de Deus. Os cristãos primitivos sofreram muito com o ódio e os intentos de Satanás de pôr fim ao testemunho cristão mediante tratamentos desumanos e morte. A palavra à assembleia em Esmirna foi: “Não temas as cousas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova... Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10).
O nosso grande adversário continuou a sua implacável oposição à igreja de Deus através dos séculos até os dias atuais. Os homens cruéis que infligem perseguição e sofrimento aos servos de Deus nada mais são que ferramentas nas mãos do diabo.
UM INIMIGO DERROTADO
Para o cristão, Satanás é um inimigo derrotado! Jesus Cristo tomou parte na carne e no sangue “para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hebreus 2:14-15).
Como Senhor ressuscitado, Jesus declarou: “Não temas; eu sou... aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:17-18). Como Aquele que conquistou a vitória sobre Satanás, a morte e a sepultura, irá um dia prender e selar o diabo no abismo, onde ele ficará até se completarem mil anos.
Finalmente, o Senhor lançará Satanás para dentro do lago de fogo e enxofre, onde este será atormentado pelos séculos dos séculos (Apocalipse 20:1-3, 10). Por isso o apóstolo Tiago nos diz: “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7).
O PAI DA MENTIRA
Embora Satanás tenha sido derrotado por Jesus Cristo, ele continua um inimigo implacável em sua guerra contra Deus e Seu povo. Assim, é importante que tomemos ciência das táticas e caminhos de nosso grande adversário. O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios: “Que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios” (2 Coríntios 2:11).
Ele também exorta os crentes de Éfeso a não ser “mais... agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4:14). Tais coisas, sem dúvida alguma, são inspiradas por Satanás, o pai da mentira.
O Senhor Jesus disse aos fariseus que O odiavam: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a verdade, não me credes” (João 8:44-45).
A PENEIRA DE SATANÁS
Um exemplo da obra de Satanás contra os crentes em Jesus é dado pelo próprio Senhor em Suas palavras a Pedro em Lucas 22:31-32: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos”.
Satanás requereu a pessoa de Pedro, o líder dentre os apóstolos, para peneirá-la como trigo. Talvez ele tenha observado alguma autoconfiança em Pedro e então o pleiteou para testá-lo e sacudi-lo fortemente em seu peneirar, da mesma forma que fez com Jó séculos antes. É provável que ele tenha pensado poder levar Pedro à desgraça e ruína como apóstolo e testemunha de Cristo. Mas, de qualquer modo, essa reivindicação que Satanás faz no tocante a Pedro manifesta sua inimizade e propósitos de fazer o mal ao seguidor de Cristo.
Contudo, é muito bom observar que o Senhor, a quem Pedro amava e seguia, conhecia todos os intentos de Satanás e permitiu que Pedro caísse na peneira do inimigo. Mas primeiro Ele avisou a Pedro acerca disso e assegurou que já havia orado por ele, a fim de que a sua fé não desfalecesse.
O Senhor em Seu amor viu que era necessário Pedro ser peneirado a fim de trazer à luz todo o joio da autoconfiança que havia nele, pois o que fica na peneira é somente o joio imprestável. O verdadeiro trigo passa pela peneira, e Satanás somente fica com o joio. Tanto Pedro como o Senhor Jesus ganharam através da experiência que o diabo infligiu. Pedro falhou terrivelmente ao negar o Senhor três vezes, mas chorou amargamente de arrependimento depois de o galo cantar e o Senhor fixar os olhos nele. Ele foi levado a perceber o quanto ele mesmo era fraco.
A oração do Senhor por ele sustentou a sua fé. Por meio dela ele foi restabelecido e restaurado para o Senhor. Agora ele estava mais capacitado para uma tarefa que viria depois: confirmar e fortalecer seus irmãos -- o que ele fez na força do Senhor. Satanás só pode tocar num filho de Deus se o Senhor lhe permitir, e nunca sem a intercessão do Senhor por nós.
JUDAS E SATANÁS
Uma ilustração bem diferente de como Satanás logra vitória em sua obra como adversário de Cristo é visto em Judas Iscariotes. Ele foi escolhido como um dos doze apóstolos por Cristo, que conhecia tudo acerca de seu verdadeiro caráter. Certa vez o Senhor disse aos doze: “Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo. Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze” (João 6:70-71).
Veremos mais tarde que Satanás entra em Judas e o usa como instrumento seu na ocasião em que Cristo foi traído para a multidão que O prendeu e O conduziu ao sumo sacerdote e aos anciãos. Mas antes que isso acontecesse, Judas era um ladrão e roubava da bolsa de dinheiro do grupo apostólico, como João 12:6 nos diz. Ele era avarento e amava o dinheiro. É por isso que o vemos indo ter com os principais sacerdotes e dizendo a eles: “Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar” (Mateus 26:14-16).
A próxima coisa que lemos acerca de Judas é logo após o final da ceia da páscoa, que diz: “tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus” (João 13:2). Embora Judas tenha acompanhado o Senhor em Seu tremendo ministério de três anos e meio, ouvido todas as Suas maravilhosas palavras e testemunhado Seus graciosos atos de misericórdia e milagres, seu coração permaneceu endurecido diante de tudo isso. Ele continuou com sua gatunagem e avareza, que abriram seu coração para levar a cabo os malignos desígnios de Satanás.
Na última ceia, o Senhor molhou um pedaço de pão e o deu a Judas. Era costume do anfitrião honrar um convidado, e isto indicava uma manifestação de amor. Lemos que “após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás... Ele, tendo recebido o bocado, saiu logo. E era noite” (João 13:15-30). Judas deu as costas a este último apelo de amor do Senhor, e então Satanás o possuiu para fazer sua obra de traição, entregando Jesus a Seus inimigos com um beijo de falsidade.
Quando Judas viu que Jesus fora condenado, “tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo. Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se” (Mateus 27:3-5).
Esse foi o trágico fim de alguém que estava tão próximo do Salvador, sem, contudo, jamais entregar seu coração e alma a Cristo. Em vez disso, ele deu ouvidos a Satanás e foi possuído por ele para trair e entregar o amado Mestre aos que eram servos do diabo e queriam a morte de Jesus.
Embora Judas tivesse sentido remorso pelo que fez – um profundo e torturante senso de culpa –, ele não se arrependeu verdadeiramente ou mesmo se voltou ao Senhor contra quem ele tinha pecado. Em vez de se arrepender diante de Deus, ele saiu e cometeu suicídio. Pedro mais tarde disse: “Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar” (Atos 1:25). Ele não foi para o paraíso como aconteceu ao arrependido e moribundo ladrão na cruz. Quão triste é a história de Judas, que vendeu sua alma a Satanás por dinheiro. Verdadeiramente “melhor lhe fora não haver nascido!” (Mateus 26:24), como disse o Senhor Jesus.
Que lição admoestadora é Judas para qualquer pessoa religiosa! Ele recebeu o grande privilégio de ter convivido tão proximamente ao Senhor, mas nunca teve uma relação vital de fé em Cristo, o seu coração nunca se rendeu a Ele. Que contraste entre Judas e o apóstolo Pedro, que falhou mas amava o Senhor, e arrependido de fato foi restaurado e grandemente usado em Seu serviço.
AS TENTAÇÕES DE SATANÁS
Estudando como Satanás aproximou-se de Eva no jardim do Éden e seduziu-a para transgredir contra um único mandamento de Deus, descobrimos que ele fez uso de três atrativos. Nas tentações que Satanás apresenta ao Senhor Jesus Cristo no deserto, vemo-lo recorrer aos mesmos três atrativos.
O apóstolo João fala em 1 João 2:16 desses três portões pelos quais Satanás busca entrar com seus ataques e tentações. Trata-se de uma síntese do que há neste mundo, o sistema do qual Satanás é o deus, e que em outro lugar é chamado de “mundo perverso”. Cristo morreu para nos desarraigar deste lugar (Gálatas 1:4). Vejamos quais são as suas três esferas de atrativos:
A concupiscência da carne. O homem possui uma natureza que é caracterizada pela sua carnalidade: apetite, desejos, anseios e paixões. Satanás apela a estes desejos da carne. No caso de Eva, ela viu que o fruto proibido era bom para ser comido.
Quando Satanás tentou o Senhor Jesus, sua primeira oferta foi que Ele transformasse pedras em pão para satisfazer Sua fome.
A concupiscência dos olhos. A segunda esfera que caracteriza a natureza do homem está indicada na expressão “a concupiscência dos olhos”. Satanás recorre ao sentido da visão e desperta os desejos através dos olhos. O que vemos, nós desejamos e cobiçamos, e então nos esforçamos por conseguir isso para nós. O homem é basicamente ambicioso e egoísta por natureza, e Satanás busca levá-lo à tentações através da concupiscência dos olhos. No caso de Eva, ela viu que a árvore proibida e seu fruto eram agradáveis aos olhos.
A segunda tentação que o diabo apresentou ao Senhor segundo o evangelho de Lucas, que apresenta os fatos em sua ordem moral, apela aos olhos. Satanás elevou a Jesus a um alto monte e Lhe mostrou todos os reinos do mundo e ofereceu o poder e a glória deles caso Ele o adorasse.
A soberba da vida. O terceiro portão através do qual Satanás busca entrar na vida de um indivíduo está no domínio designado como “a soberba da vida”. A soberba caracteriza a natureza humana. O homem é basicamente orgulhoso e existem pecados que apelam ao orgulho. A natureza caída gosta e se esforça por aquilo que promove, eleva e agrada o indivíduo. No jardim do Éden, Eva viu que a árvore do conhecimento do bem e do mal, da qual eles eram proibidos de comer, era “desejável para dar entendimento”. Os apelos de Satanás visaram despertar todos estes três distintos desejos (ou concupiscências), e então Eva tomou do fruto proibido e o comeu, transgredindo o único mandamento de Deus para eles (Gênesis 3:6).
No caso do Senhor, a terceira tentação era para que Ele Se atirasse do pináculo do templo para mostrar que era o Messias e que nenhum mal Lhe aconteceria (Lucas 4:2-12). Isto iria apelar à soberba da vida, mas no Senhor não habitava nenhum orgulho ou pecado que O fizesse cair nas tentações do diabo. Ele refutou todos os seus apelos citando a Palavra de Deus e agindo em obediência à Sua vontade. Jesus venceu Satanás e todas as suas tentações sujeitando-Se à sagrada Escritura em dependência ao poder do Espírito Santo. Então Satanás apartou-se do Senhor derrotado.
Vitória sobre a tentação. Podemos obter vitória sobre Satanás e suas tentações da mesma maneira que o Senhor fez: usando a Palavra de Deus e agindo em sujeição a ela. Aos jovens na família de Deus o apóstolo João escreveu: “Eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno” (1 João 2:14).
Habitando em nossa alma como um princípio controlador, a Palavra de Deus nos fará fortes e capazes de vencer as tentações de nosso cruel adversário. O salmista Davi pôde dizer: “Pela palavra dos teus lábios, eu me tenho guardado dos caminhos do violento” e “guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Salmos 17:4 e 119:11). O Senhor Jesus usou Escrituras específicas e apropriadas para resistir a cada uma das tentações de Satanás.
Não apenas a Palavra de Deus de modo geral, mas sim Escrituras específicas que fazem frente à sedução do tentador. E assim, como parte da armadura de Deus, somos exortados a tomar “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:17). É a escritura específica que o Espírito de Deus nos apresenta para usarmos contra Satanás e suas tentações.
COMO SATANÁS OPERA POR MEIO DOS DEMÔNIOS
Já vimos que Satanás é mencionado como “o príncipe deste mundo” em três ocasiões (João 12:31; 14:30; 16:11). A palavra “príncipe” aqui significa “governante”. Um príncipe é o cabeça de um principado e tem um reino. Assim nos é dito que a nossa luta é “contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6:12). Satanás encabeça assim um grande reino do mal. Ele tem um grande exército de demônios que são espíritos malignos em seu reino.
No livro de Apocalipse lemos acerca de um tempo vindouro quando haverá guerra no céu entre Miguel e seus anjos de um lado, e o dragão, “que se chama o diabo e Satanás”, e seus anjos de outro. Também em Apocalipse 9:1-11 há uma cena profética em linguagem simbólica: gafanhotos atormentam os homens sobre a terra. Lemos que eles têm um rei que os governa, que é o anjo do abismo, cujo nome é Abadom (hebraico) ou Apoliom (grego), que significa “o destruidor”. Estes representam o diabo e seus demônios, cujo propósito naquele dia futuro será atormentar e destruir a humanidade.
Essas Escrituras nos dizem claramente que Satanás tem um grande exército de anjos caídos que estão sob seu governo e controle, e através destes seres espirituais que são espíritos mentirosos e sedutores ele leva avante sua obra diabólica (ver 1 Reis 22:22; 1 Timóteo 4:1).
O deus deste mundo. Ademais, como o deus deste mundo, Satanás tem autoridade sobre uma federação que também inclui todos os não salvos, toda a humanidade caída que ele leva cativa e usa segundo a sua vontade (2 Timóteo 2:26). O apóstolo João escreveu: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno” (1 João 5:19). Também nos é dito que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho” (2 Coríntios 4:4).
Quão maravilhoso é o fato de que o crente em Cristo Jesus pode dizer: “Dando graças ao Pai, que... nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”! (Colossenses 1:12-13).
O sistema de idolatria de Satanás. Ao abordar o sistema pagão de idolatria, o apóstolo Paulo declarou, por inspiração divina, que as coisas que os gentios sacrificam aos ídolos “é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1 Coríntios 10:10-21).
A Bíblia revela claramente que há um demônio por trás de todo ídolo pagão, e os sacrifícios oferecidos a tais ídolos são oferecidos a demônios, não ao único e verdadeiro Deus. Há a mesa dos demônios e a mesa do Senhor, e somente podemos expressar comunhão com uma delas.
Há muitas outras atividades demoníacas, associadas ao sistema satânico de idolatria pagã, sobre as quais Moisés havia alertado os filhos de Israel. No livro de Deuteronômio lemos: “Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao Senhor” (Deuteronômio 18:9-12).
A adivinhação é a predição de eventos futuros por meios sobrenaturais – os adivinhos lêem a sorte. Um prognosticador é um vidente que declara saber predizer eventos. O rei Nabucodonosor mantinha em sua corte esse tipo de pessoa, e ainda astrólogos que determinavam o rumo da vida das pessoas mediante a observação do curso das estrelas. A astrologia professa interpretar as influências de corpos celestiais sobre questões humanas utilizando signos do Zodíaco. Um agoureiro é aquele que lança um feitiço sobre outra pessoa por meio de influências mágicas. Tal indivíduo está sob o controle de um demônio e com seus encantamentos coloca outras pessoas debaixo do domínio demoníaco.
Um feiticeiro significa “aquele que conhece, prognostica ou prediz o futuro.” A feitiçaria no Velho Testamento era um meio demoníaco pelo qual os eventos futuros eram revelados a um indivíduo que se submetia ao controle de demônios. Mágico é uma variação masculina da palavra feiticeiro, ou seja, um homem que faz predições.
Um encantador é aquele que utiliza magia e opera milagres pelo poder demoníaco, assim como o fizeram os mágicos egípcios nos dias de Moisés. O consultor de mortos é também referido, em outra tradução, como alguém que consulta a um espírito adivinhador. Este sujeita-se voluntariamente ao controle de um espírito maligno, e tem intimidade com ele. Tais consultores são conhecidos hoje como médiuns. Um necromante é aquele que diz predizer o futuro alegando comunicação com os mortos. Isto é realizado pelo demônio, o qual se faz passar por alguém que morreu, servindo de contato entre o mundo vivo e o mundo dos espíritos do além.
Foi atuando destas várias formas que Satanás procurou enganar a humanidade no passado. Deus declara explicitamente em vários pontos da Bíblia que todos os que praticam tais coisas são abominação para Ele.
O ocultismo nos dias atuais. Oculto significa “encoberto, escondido, secreto, misterioso”. Ouvimos falar muito sobre ocultismo nos dias de hoje. Muitas das abominações que Deus condenou em Deuteronômio 18 são praticadas em terras que se dizem cristãs. Os atuais leitores da sorte, médiuns, astrólogos, videntes, hipnotizadores, mágicos, ventríloquos, curandeiros mágicos e ocultistas, bruxos, paranormais e todas as outras expressões de ocultismo tiveram sua origem em antigas práticas pagãs e são condenadas por Deus.
Este tipo de tráfico com demônios ocorre abertamente de várias formas, tendo crescido rapidamente em muitos países. Jornais e revistas renomados contêm colunas de horóscopos e astrologia. Uma delas é escrita por uma autodenominada feiticeira que se apresenta como “a mais famosa bruxa do mundo”.
Universidades e faculdades nos Estados Unidos e em outros países começaram a oferecer cursos intitulados “Bruxaria, Mágica e Feitiçaria” devido ao crescente interesse pelo ocultismo. Várias igrejas de Satanás foram fundadas, e a adoração ao diabo é realmente praticada no mundo atualmente. A maior ambição de Satanás é ser adorado como Deus e controlar a mente da humanidade. É lamentável ver que Satanás continua a operar com sucesso, utilizando demônios, mesmo depois de quase dois mil anos desde a revelação da luz de Cristo, da Bíblia e do evangelho da graça de Deus!
POSSESSÃO DEMONÍACA
O Evangelho contém muitas referências a manifestações demoníacas e casos de pessoas possuídas por demônios. Estas manifestações demoníacas eram muito comuns devido à presença do Filho de Deus entre os homens. Ele se ofereceu como Salvador e Senhor, provocando a fúria de Satanás e suas hostes, que se levantaram para se opor e derrotar a Cristo.
Oposição a Cristo. Um exemplo desta oposição é visto em Marcos 1:21-27. Quando Cristo ensinava na sinagoga em Cafarnaum e as pessoas se maravilhavam com Sua doutrina, um homem com um espírito imundo (um demônio) bradou: “Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem. Então o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele”. Todos se admiraram ao perceber que Jesus tinha autoridade para dar ordens até aos espíritos imundos, e estes Lhe obedeciam.
Quando Jesus Se apresentou como Salvador e ensinou a Palavra de Deus com poder, Ele imediatamente se deparou com esta irrupção de violência do endemoninhado, o qual procurava opor-se a Cristo, silenciar Sua voz e evitar que Ele fosse recebido pela nação de Israel.
Demônios são seres espirituais que não possuem um corpo de carne e osso. São habitantes de um mundo invisível. Para se manifestar entre os homens, devem possuir ou controlar o corpo físico de uma pessoa ou animal. Quando se apoderam de pessoas, sua influência tem seus efeitos em diferentes áreas:
Efeitos no corpo. Em Mateus 9:32-33 vemos um homem mudo possuído por um demônio que foi trazido à presença de Jesus. Quando Ele expulsou o demônio, o mudo começou a falar. Parece que a surdez e a mudez tinham sido causadas pelo demônio residente. Cristo libertou o homem do controle demoníaco e então curou os efeitos físicos da presença maligna naquela vida. Muitas outras ilustrações dos Evangelhos demonstram que os demônios podiam causar efeitos físicos.
Efeitos na mente. Os demônios também afetavam os homens na esfera mental. Mateus 17:15 registra o relato de um homem que veio a Cristo e disse: “Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático” (ou insano). Isto estava relacionado a algum distúrbio mental. A presença do demônio roubou a razão de seu filho, de forma que seu raciocínio era controlado pelo demônio.
Efeitos nas emoções. Alguns casos dos Evangelhos demonstram que os demônios também têm influência sobre indivíduos na esfera emocional. No caso de Mateus 17:15, o pai também disse que seu filho sofria muito, ou seja, estava agitado e transtornado. No registro de Marcos 9:18 do mesmo incidente, o pai disse que seu filho estava “definhando”, ou seja, a angústia o estava consumindo.
O indivíduo possesso, também conhecido como o endemoninhado gesareno, descrito em Marcos 5:1-20, é um exemplo vivo e notável do que os demônios podem fazer a uma pessoa. Neste caso ele foi possuído por uma legião de demônios, numerosos o suficiente para entrar e controlar dois mil suínos logo em seguida. Eles afetaram seu corpo de maneira que ele abandonou seu lugar de residência. Suas emoções também foram afetadas, pois ele passou a morar entre sepulcros por se sentir impuro e possuir complexo de culpa. Ele era vítima de tal depressão mental que continuamente se feria com pedras e gritava noite e dia. Sob a direção de Satanás, os demônios o levaram a esta condição desesperadora e sem auxílio. Mas o Senhor Jesus o livrou completamente do poder de Satanás e de todos os seus demônios, de modo que foi encontrado com Jesus “assentado, vestido, em perfeito juízo” (Marcos 5:15).
TRÊS ABORDAGENS DE SATANÁS
Satanás, o Príncipe dos Demônios, parece manifestar-se de três maneiras diferentes. Em Atos 10:38 lemos que Jesus andava por toda a parte “curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”. Este seria o ataque pela opressão. A palavra original significa “exercer domínio sobre alguém, ser subjugado”. Os demônios pressionam e exercem severo controle sobre o oprimido.
Em segundo lugar, lemos a respeito de indivíduos que eram “atormentados por espíritos imundos” e foram curados (Lucas 6:18, Atos 5:16). A palavra grega tem o significado de “ser atormentado, afligido, incomodado e perturbado”. Isto pode ser chamado de obsessão, que o dicionário define como “elevado grau de tormento ou perturbação mental; estado de estar obsesso por uma ideia, desejo, emoção – que não pode ser eliminado pela razão”.
Em terceiro lugar, as Escrituras falam de pessoas “possuídas por demônios” e habitadas por eles (Lucas 8:36; Atos 8:7, 16:16). Possessão significa estar completamente sob o controle de um demônio. Aqueles que se encontravam neste estado na época do Senhor expressavam a índole e os sentimentos do demônio (ou demônios) que os habitavam.
Hoje, sem sombra de dúvida, os demônios continuam abordando as pessoas segundo estas três maneiras, assim como fizeram nos tempos bíblicos. Entretanto, visto que os verdadeiros crentes em Jesus Cristo são habitados pelo Espírito de Deus, estes nunca poderão ser possuídos por demônios. Em 1 João 4:4 temos esta garantia: “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”.
Todavia, é possível que um filho de Deus seja oprimido e atormentado por demônios e seja tomado por alguma obsessão e tormento mental, chegando até a duvidar de sua salvação por algum tempo. Porém o crente logo experimentará a libertação caso voltar a sua mente para as coisas do Alto e se considerar morto para as coisas de Satanás (Colossenses 3:1-5).
CONCLUSÃO
Apenas uma pessoa pode libertar alguém do poder de Satanás e de seus demônios. Este é Jesus de Nazaré, que expeliu demônios quando esteve aqui na terra. Ele derrotou Satanás ao morrer pelos pecadores e ressuscitar dentre os mortos. Ele é o Vitorioso que um dia porá fim a todo o poder de Satanás. Somos instruídos a resistir ao diabo e ser perseverantes na fé (1 Pedro 5:8-9). O apóstolo Paulo podia escrever: “Graças a Deus, que nos deu vitória, através de nosso Senhor Jesus Cristo”.
O grande Salvador. A vitória sobre Satanás é mediante o sangue do Cordeiro de Deus. O apóstolo João nos diz: “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1 João 3:8). Também em Hebreus 2:14 nos é dito que Cristo participou em carne e sangue para que “por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”. E Ele mesmo, como Filho do Homem glorificado, diz: “Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:17,18).
Já foi dito que a morte é a divisa onde finda o poder de Satanás. Mas onde ele sai de cena, entra o Deus da ressurreição. Por isso, no grande capítulo de ressurreição, 1 Coríntios 15, o apóstolo Paulo dá graças pela vitória através do Senhor Jesus Cristo. Mediante Sua morte e ressurreição Jesus derrotou Satanás -- e assim temos vitória pelo sangue do Cordeiro de Deus, bem como salvação, força e poder. Aqueles que manifestam a fé salvadora no sangue do Cordeiro estão no lado vitorioso da secular batalha contra Satanás.
A grande questão. Leitor, de que lado você está? Você já entregou seu coração e alma a Jesus Cristo, o vitorioso Salvador? Se não, você está sob o poderio de Satanás, o grande adversário e enganador que um dia será preso durante mil anos por Jesus Cristo e, tempos depois, finalmente acabará lançado no eterno lago de fogo (Apocalipse 20:1-3, 10). Ele já é um inimigo derrotado. E se você escutar Satanás, e rejeitar ou negligenciar as promessas de Jesus Cristo, não abrindo seu coração e vida para Ele, seu destino eterno também será o “fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). Imploramos que você receba Cristo agora, o Vitorioso, como seu Salvador, e seja salvo eternamente.
Autor: R.K. Campbell
Extraído do site do Depósito de Literatura Cristã - www.literaturacrista.com.br
Palavras de Vida Eterna
segunda-feira, 4 de abril de 2022
Satanás e seus Ardis
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Onde Está o Teu Tesouro?
''Não acumuleis tesouros sobre a terra... mas ajuntai tesouros no céu ... porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração'' (Mt 6:19-21).
O coração está onde o tesouro está: num cofre ou no céu, mas não pode estar nos dois lugares. Alguém disse: 'Um cristão ou deixa sua riqueza ou se agarra a ela'. A ordem do Senhor Jesus para Seus discípulos foi de não acumular tesouros na terra, pois Ele queria que seus corações estivessem no céu.
No entanto este ensinamento de Cristo parece radical, extremista para nós hoje. Será que Ele quis realmente dizer isso? O bom senso não nos ensina a fazer provisões adequadas para a nossa velhice? Ele não espera que sejamos prudentes no sentido de reservar algo para qualquer eventualidade, ou para cuidar da nossa família?
Estas são perguntas sérias que devem ser encaradas com firmeza e honestidade por todos os crentes no Senhor Jesus. Quais são as respostas? O que a Bíblia ensina sobre a riqueza na vida do crente?
É errado construir uma fortuna pessoal? Qual é o padrão de vida?
I. TRABALHAR DILIGENTEMENTE
1. Podemos todos concordar que a Bíblia não proíbe dinheiro. O apóstolo Paulo trabalhava como fabricante de tendas para suas necessidades pessoais (At 18:1-3; 2 Ts 3:8). Ele ensinou que se um homem não estivesse disposto a trabalhar, os irmãos deveriam deixar que ele passasse fome (2 Ts 3:10). Sem dúvida, a ênfase bíblica é que um homem deve trabalhar diligentemente para o suprimento de suas necessidades e das necessidades de sua família.
Podemos dizer então que um crente pode fazer tanto dinheiro quanto possível? Não, a Palavra de Deus não diz bem assim. Ele pode ganhar tanto quanto possível, mas com as seguintes reservas:
(a) Não deve permitir que o seu trabalho tome prioridade sobre as coisas do Senhor. Sua primeira obrigação, é buscar o reino de Deus e a Sua justiça (Mt 6:33). A adoração e o serviço a Deus não devem sofrer por causa da pressão dos negócios.
(b) Suas obrigações familiares não podem ser negligenciadas (1 Tm 5:8). Normalmente, quanto mais dinheiro o homem ganha, tanto menos tempo ele tem para a sua esposa e filhos. Ele não pode compensar esta falta dando a eles luxo e riqueza; isso somente aumenta sua queda espiritual e moral. Eles precisam muito mais da companhia e da liderança de um esposo e pai dedicado, do que de uma farta conta bancária. Seu dinheiro deve ser ganho em negócio honesto 'O trabalho do justo conduz à vida; a renda do ímpio, para o pecado' (Pv 10:16).
Isso nem precisaria ser dito. É um fato questionável se um cristão empregar seu tempo para a produção, distribuição ou propaganda de artigos que prejudicam a saúde ou contribuem para a queda da moral. Nem deve um crente gastar seu tempo promovendo diversões para pessoas que estão a caminho do inferno. O trabalho deve ser construtivo e para o bem comum.
(c) Além disso, o crente deve ter: certeza de que está ganhando seu dinheiro honestamente: 'Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas' (Pv 20:17) Seu negócio pode ser bem conceituado, mas seus métodos podem ser desonestos:
c-a) Sonegar imposto de renda
c-b) Pesos enganosos
c-c) Subornar inspetores locais
c-d) Divulgar diferença em produtos quando tal diferença não existe
c-e) Falsificar relatórios de despesas
c-f) Fazer especulações no mercado de ações - isto é simplesmente outra forma de jogo.
c-g) Pagar salários inadequados aos empregados.
É contra este abuso que Tiago proclama: 'Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até os ouvidos do Senhor dos exércitos' (Tg 5:4)
5. O cristão pode ganhar tanto dinheiro quanto puder, sem se tornar ganancioso Ele nunca deve se tomar um escravo de Mamom ou das riquezas (Mt 6:24) É certo ganhar dinheiro mas não amá-lo. (Sl 62:10). Concluindo, um cristão pode ganhar tanto dinheiro quanto puder, contanto que ele dê a Deus o primeiro lugar, que cumpra suas obrigações, familiares, que trabalhe de forma construtiva, cuide de sua família, negocie honestamente e evite a ganância.
Texto selecionado por Delcio Meireles
terça-feira, 20 de agosto de 2019
E-mail para o Apóstolo Paulo
Estou escrevendo para colocá-lo a par da situação do Evangelho que um dia você ajudou a propagar para nós gentios, e que lhe custou a própria vida. As coisas estão muito difíceis por aqui. Quase tudo o que você escreveu foi esquecido ou deturpado.
Você foi bastante claro ao despedir-se dos irmãos em Éfeso, alertando que depois de sua partida lobos vorazes penetrariam em meio à igreja, e não poupariam o rebanho [At 20.23]. Palavras de fato inspiradas, pois isso se concretiza a cada dia.
Lembra-se que você escreveu ao jovem Timóteo, que o amor ao dinheiro era a 'raiz de todos os males'[1Tm 6.10]? Quero que saiba que suas palavras foram invertidas, e agora se prega que o dinheiro é a 'solução' de todos os males.
Também é com tristeza que lhe digo que em nossa época ninguém mais quer ser chamado de pastor, missionário ou evangelista, pois isso é por demais humilde: um bom número almeja levar o título de apóstolo. Sei que em seu tempo, os apóstolos eram 'fracos... desprezíveis... espetáculo para os homens... loucos... sem morada certa... injuriados... lixo e escória' [1Co 4.-9-13]. Agora é bem diferente. Trata-se de uma honraria muito grande: acercam-se de serviçais que lhes admiram, quando viajam exigem as melhores hospedarias e são recebidos nos palácios pelos governantes.
Eles não costumam pregar seus textos, pois você fala muito da 'Graça' e da 'liberdade que temos em Cristo' [Gl 2.4]. Isso não soa bem hoje, pois a Igreja voltou à 'teologia da retribuição' da Antiga Aliança (só recebe quem merece), e liberdade é a última coisa que os pastores querem pregar à suas ovelhas.
Você não é bem visto por aqui, pois sempre foi muito humano, sem jamais esconder suas fraquezas: chegou até reconhecer contradições internas, dizendo que não faz o bem que prefere, mas o mal, esse faz [Rm 7.19]. Eles não gostam disso, pois sempre se apresentam inabaláveis e sem espinhos na carne como você. A presença deles é forte, a sua fraca [2Co 10.10], eles são saudáveis, você sofria de alguma coisa nos olhos [Gl 4.13-15], eles jamais recomendariam a um irmão tomar remédio, como você fez com Timóteo [1Tm 5.23], mas aqui eles oram e determinam a cura – coisa que você nunca fez.
Você dizia que por amor de Cristo perdeu 'todas as coisas' considerando-as refugo [Fp 3.8]. As coisas mudaram, irmão. Agora cantamos: 'Restitui, quero de volta o que é meu!'.
Vivo em uma cidade que recebeu o seu nome, e aqui há um apóstolo que após as pregações distribui lencinhos vermelhos encharcados de suor, e as pessoas levam pra casa, como fizeram em Éfeso, imaginando que afastarão enfermidades [At 19.12]. Sim, eu sei que você nunca ordenou isso, nem colocou como doutrina para a igreja nas epístolas, mas sabe como é o povo....
Admiro sua coragem por ter expulsado um 'espírito adivinhador' daquela jovem [At 17.18], embora isso tenha lhe custado a prisão e açoites. Você não se deixou enganar só porque ela acertava o prognóstico. Hoje há uma profusão de pitonisas e prognosticadores no meio do povo de Deus, todavia esses espíritos não são mais expulsos, ao contrário, nos reunimos ansiosos para ouvir o que eles têm a dizer para nós.
Gostaria de ter conhecido os irmãos bereanos que você elogiou. Infelizmente, quase não existem mais igrejas como as de Beréia, que recebam a palavra com avidez e examinem as Escrituras 'todos os dias para ver se as coisas são de fato assim'[At 17.11].
Tem hora que a gente desanima e se sente fragilizado como Timóteo, o seu companheiro de lutas. Mas que coisa bonita foi quando você o reanimou insistindo para que reavivasse 'o dom de Deus' que havia nele [2Tm 1.6]. Estou lhe confessando isso, pois atualmente 90% dos pregadores oferecem uma 'nova unção' para quem fraqueja. Amo esta sua exortação, pois você ensina que dentro de nós já existe o poder do Espírito, dado de uma vez por todas, e não precisamos buscar nada fora ou nada novo!
Nossos cultos não são mais como em sua época, onde a igreja se reunia na casa de um irmão, havia comunhão, orações, e a palavra explanada era o prato principal.... as coisas mudaram: culto agora é como fosse um show, a fumaça não é mais da nuvem gloriosa da presença de Deus, mas do gelo seco, e a palavra é só para ensinar como conseguir mais coisas do céu.
O Espírito lhe revelou que nos últimos tempos alguns apostatariam da fé 'por obedecerem a espíritos enganadores' [1Tm 4.1]. Essa profecia já está se cumprindo cabalmente, e creio que de forma irreversível.
Amado apóstolo, sinto ter lhe incomodado em seu merecido descanso eternal, mas eu precisava desabafar. Um dia estaremos todos juntos reunidos com a verdadeira Igreja de Cristo.
Autor: Daniel Rocha
Enviado em 26/09/2008
domingo, 4 de agosto de 2019
Caótica sem Forma e em Crise
Segundo os teólogos que defendem a “Teoria da Lacuna” teria ocorrido uma catástrofe cósmica entre o verso 1 e 2 de Gênesis, e uma antiga criação que abrigou uma raça pré-adâmica e também os dinossauros foi destruída pelo juízo divino há milhões de anos. E o que restou foi o caos.
Há algo em nosso ser interior muito próximo disso. Somos seres fragmentados, desconhecidos para nós mesmos, buscando ordenar nossa confusão interna. E o mesmo Senhor que pôs em ordem o cosmos com sua palavra e vontade deseja reorientar o interior do homem. É possível ver este desejo divino em prática quando Paulo diz que Deus nos “libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho” (Cl 1.13). Enquanto o império das trevas cósmico recebeu a ordem divina: “haja luz”, e houve luz, o reino humano foi irradiado pela presença de Cristo, e nas regiões dominadas pelas sombras brilhou a Luz de Sua Presença entre nós.
Desde o princípio o homem sofre de delírios de grandeza e por isso busca encontrar segurança nas suas realizações. A primeira grande tentativa da humanidade de realizar-se foi erigir uma torre para chegar ao céu, e gravar seu nome ali. De igual modo, a partir da Idade Média também passamos a construir templos monumentais e catedrais, procurando através deles “tocar o céu”, inspirar segurança e passar solidez aos seus frequentadores.
Hoje, não contentes com o “poder eclesial” este mesmo homem busca também o “poder político”. O maior grupo neo-pentecostal do Brasil já tem o seu partido (PRB), e agora, a mais tradicional igreja pentecostal foi picada pela “mosca azul” e está montando também uma agremiação – o PRC – para entrar na política partidária. É o ovo da serpente sendo chocado: sabemos que em algum momento da História, a besta que emerge da terra (sistema religioso) juntará suas forças à besta que emerge do mar (poder político) para sua derradeira investida.
Se houve um juízo divino sobre o faraó do Egito e seu povo, se houve sobre os construtores da torre de Babel, se os filisteus sofreram terríveis conseqüências por terem se apossado da arca, se a terra engoliu os adoradores do bezerro de ouro e se o rei Herodes foi comido por vermes na frente de uma multidão por não ter dado glórias a Deus (At 12.23) não viria um juízo também sobre esta geração?
Deus é paciencioso e suporta longamente a perversidade dos que se desviam, mas Ele avisa: “Dei-lhe tempo para que se arrependesse”. Porém, a loucura e a bazófia dos homens tem subido até os céus.
Vivemos a mercantilização da vida onde tudo tem seu preço: valorizamos o que tem utilidade imediata para nós, inclusive gente, e quando não tem mais, a ordem é: jogue fora, e esqueça. Na atividade econômica trabalhadores precisam atingir as metas traçadas por acionistas ávidos de lucros – senão todos perdem o emprego. Mas que ninguém se escandalize, pois isso já é normal nos grandes conglomerados da fé: pastores também têm de atingir suas metas – de valores, diga-se de passagem – e não de amor, visitação, cuidado ou pastoreio. É a mercantilização da fé onde “deus” nada mais é que um sujeito obcecado por dinheiro, e que só sabe falar money, money, money....
Ao contrário do que muitos imaginam, o juízo não começará pelos ímpios, porém, “o julgamento começa pela casa de Deus” (1Pe 4.17). Compreendo agora quando Salomão diz que “se o justo é punido na terra, quanto mais o perverso e pecador” (Pv 11.31).
A palavra grega que expressa juízo é “krisis”. Não significa necessariamente condenação, podendo até mesmo ser uma oportunidade para decisão, porém será sempre dolorosa. Para os médicos da Antiga Grécia a palavra “krisis” tinha um especial significado: quando o doente depois de medicado entrava em “crise”, era sinal de que haveria um desfecho: a cura ou a morte.
O Juízo e sua crise estão aí por toda a parte. Vidas tresloucadas, destroçadas, amarguradas. Mas João Batista adverte que a única coisa que pode nos livrar do juízo divino é o arrependimento e a conversão.
Não sei quanto a você, mas algo me diz que estes últimos acontecimentos que abalaram o mundo irão se aprofundar ainda mais para todas as áreas da vida. A humanidade se encontra sob a ira divina, pois “todo aquele que se mantém rebelde contra o Filho... sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36). Ou seja, o único que pode impedir a ira do Eterno é Jesus. Vamos ouvir mais o que Ele tem a nos dizer, vamos praticar mais as Suas Verdades, e permitir que Ele controle o nosso ser cansado, afinal o Juízo divino já está entre nós e horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10.31).
Autor: Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Dinheiro e Possessões em Provérbios
No entanto, em referência a dinheiro e possessões, há um problema oposto. Porque a Bíblia fala muito sobre dinheiro, é tentador desenvolvermos uma teologia desequilibrada sobre dinheiro.
Por um lado, é fácil percebermos de onde vem a teologia da prosperidade. Tire de seu contexto nacional algumas poucas promessas da aliança mosaica, tome a promessa de Malaquias 3 a respeito de abrir as janelas do céu, misture com algumas afirmações de Jesus sobre receber o que você pede com fé, e assim você constituirá um pequeno evangelho de saúde e prosperidade.
Por outro lado, é possível surgir com uma desequilibrada teologia de austeridade. Ressalte que Jesus nunca teve onde reclinar a cabeça, recorra à história do jovem rico, enfatize a parábola do rico insensato, e você terá uma teologia que diz que o dinheiro é mau, como o são aqueles que o têm.
Você poderia formar um argumento bíblico de que Deus ama os ricos. Apenas considere Abraão, Jó e Zaqueu. Veja a maneira como Deus abençoou reis obedientes. Considere a visão do deleite cósmico no jardim e na era por vir.
Você também pode facilmente elaborar um argumento bíblico de que Deus odeia os ricos. Pense na história do rico e Lázaro. Considere o livro de Tiago. Observe a versão de Lucas sobre o Sermão do Monte.
Então, como devemos pensar sobre dinheiro e possessões? Que princípios bíblicos devemos ter em mente quando consideramos riqueza e pobreza, quando lidamos com nossa própria pobreza ou riqueza? Há algumas poucas coisas que a Bíblia diz com mais freqüência. E isso é bom, porque há poucas coisas tão relevantes para pessoas em todos os lugares como ter uma boa teologia sobre dinheiro.
Onde Começar
O livro de Provérbios é um ótimo ponto de partida para desenvolvermos uma teologia bíblica sobre possessões materiais. Para iniciantes, há muitos versículos sobre este assunto. E, o que é mais importante, há várias linhas diferentes de ensino sobre o assunto. Se você começasse por Gênesis, poderia concluir que Deus sempre faz seu povo prosperar. Se começasse por Amós, poderia pensar que todas as pessoas ricas são opressoras. Mas Provérbios examina riqueza e pobreza sob vários ângulos. E, porque Provérbios é um livro de máximas gerais, os princípios que encontramos nos provérbios são mais facilmente transferíveis ao povo de Deus em diferentes épocas e lugares.
Recentemente, num domingo à noite, dei à minha congregação dez princípios extraídos de Provérbios sobre dinheiro e possessões materiais. Não quero apresentar todo o sermão aqui, mas achei que valeria a pena alistar, pelo menos, os pontos principais. Talvez eu possa apresentar os detalhes posteriormente.
Darei os pontos em ordem de quanto o livro de Provérbios diz sobre um princípio específico. Essa maneira de apresentá-los terminará com os temas mais importantes.
Dez princípios sobre dinheiro e possessões extraídos de Provérbios
1- Há extremos de riqueza e pobreza que oferecem tentações singulares à que vivem nesses extremos (Pv 30.7-9).
2-Não se preocupe em acompanhar o estilo de vida de seus amigos e vizinhos (Pv 12.9; 13.7).
3- Os ricos e os pobres são mais semelhantes do que pensam (Pv 22.2; 29.13).
4- Você não pode dar mais do que Deus (Pv 3.9-10; 11.24; 22.9).
5- A pobreza não é agradável (Pv 10.15; 14.20; 19.4).
6- O dinheiro não lhe pode dar segurança final (Pv 11.7; 11.28; 13.8).
7- O Senhor odeia aqueles que ficam ricos por meio de injustiça (21.6; 22.16, 22-23).
8- O Senhor ama aqueles que são generosos para com o pobre (Pv 14.21, 31; 19.7; 28.21).
9- Trabalho árduo e boas decisões levam geralmente a maior prosperidade (Pv 6.6-11; 10.4; 13.11; 14.24; 21.17, 20; 22.4, 13; 27.23-27; 28.20).
10- O dinheiro não é tudo. Não satisfaz (Pv 23.4-5). É inferior à sabedoria (Pv 8.10-11, 18-19; 24.3-4). É inferior à justiça (Pv 10.2; 11.4; 13.25; 16.8; 19.22; 20.17; 28.6). É inferior ao temor do Senhor (Pv 15.16). É inferior à humildade (Pv 16.19). É inferior a bons relacionamentos (Pv 15.17; 17.1).
Chegando a conclusões delicadas e achando a Cristo
Você não pode entender o ponto de vista bíblico sobre o dinheiro se não está preparado para aceitar diversas verdades mantidas em tensão.
Você talvez obtenha mais dinheiro se trabalhar bastante e for cheio de sabedoria. Mas, se toda a sua preocupação é obter mais dinheiro, você é um grande insensato.
O dinheiro é uma bênção da parte de Deus, mas você será mais abençoado se o der.
Deus lhe dá dinheiro porque ele é generoso; mas ele é generoso com você para que você seja generoso com os outros. E, se você é generoso em dar seu dinheiro, Deus será, provavelmente, mais generoso com você.
É sábio economizar dinheiro, mas não pense que o dinheiro lhe dá verdadeira segurança.
Riqueza é mais desejável do que pobreza, mas a riqueza não é tão boa quanto justiça, humildade, sabedoria, bons relacionamentos e o temor do Senhor.
Em 1 Coríntios 1.30-31, lemos que Cristo é para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção, para que, como está escrito: 'Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor'. O dinheiro não pode lhe dar qualquer das coisas que você necessita essencialmente. Não pode torná-lo santo. Não pode torná-lo justo. Não pode salvá-lo de seus pecados. A riqueza é um sinal de bênção, mas é também uma das maiores tentações porque seduz você a gloriar-se em si mesmo. O dinheiro promete ser a sua dignidade e promete torná-lo auto-suficiente. Ele o convida a gloriar-se em outras coisas ou em outras pessoas, exceto no Senhor.
Portanto, dinheiro é totalmente uma questão de fé. Creia que fazer coisas à maneira de Deus é o melhor caminho para você. Creia que, se você der seu dinheiro, Deus pode dá-lo de volta. Creia que o dinheiro pode ser bom. Mas não ouse crer que ele é tudo. O dinheiro é um dom de Deus, mas os dons de que você realmente precisa só podem ser achados em Deus.
Autor: Kevin DeYoung
Extraído do Blog Voltemos ao Evangelho do Ministério Fiel
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
Ofertas Daí e dar-se-vos-á!, Watchman Nee
O Princípio Cristão
“Dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” Lc 6:38. Como crentes, esperamos em Deus todo o nosso suprimento, mesmo os que são ricos. Paulo nos exorta a não colocarmos nossa esperança na incerteza das riquezas (I Tim. 6: 7-10 e 17-19). Só os que confiam no Senhor, mesmo não tendo economias, não passarão falta. Mas existe uma condição para experimentar isso. Aquele que chega ao ponto de privação, não administrou seu dinheiro de acordo com o princípio de Deus. Se seguirmos a lei do gastar, naturalmente cairemos na pobreza. Deus pode nos suprir ricamente; nunca pense que Ele é pobre. Tudo no mundo é dEle. Mas precisamos preencher esta condição “dai e dar-se-vos-á!”.
O Receber é Medido pelo Dar
Tenho visto irmãos em crises financeiras e a dificuldade não está no ganhar pouco e sim no dar pouco. Aquele que pensa em si é pobre; o que dá é rico. Para evitarmos a pobreza precisamos dar! Quanto mais dermos, mais Deus vai nos dar (é bom lembrar que não se trata de barganha com Deus! Sou movido a dar, mesmo que não receba de volta o que dei). Devemos dar porque sabemos que temos bastante na poupança? De modo nenhum! Deus nos tratará da mesma forma que tratamos nossos irmãos. Se dermos tudo a eles, eles nos darão tudo! Se ganhamos pouco é porque ofertamos pouco! O ensino da Palavra é: “Dai e dar-se-vos-á !” Dê e o Senhor dará a você; se não dermos aos outros, Deus não terá obrigação de nos dar. Muitos têm fé para pedir dinheiro a Deus, mas não tem fé para dar ofertas aos outros. Os novos crentes devem aprender essa lição logo. Aprendam isso: vocês devem dar da forma como gostariam de receber! Na verdade Deus Se compromete a suprir apenas um tipo de pessoa: as que estão dispostas a dar. Os termos em Lucas 6:38 são maravilhosos: boa medida. Quando Deus dá, ele nunca faz cálculos. Ele dá abundantemente! Seu cálice transborda: boa medida, recalcada, sacudida, transbordante! Não esqueça: “com a medida com que medirdes vos medirão a vós.”
A História do Dr. Moule
Handley C. G. Moule da Inglaterra foi o editor da revista Vida e Fé. Conhecia muito bem a Bíblia e vivia pela Fé. Foi provado muitas vezes mas conhecia Lucas 6:38. Sempre que havia falta de algo, ele dizia à esposa que havia algo errado com eles na questão do dar. Nunca considerava o quanto haviam dado, mas apenas onde podiam estar errando no deixar de dar. Uma vez ficaram reduzidos a quase nada. A farinha acabou de todo.Esperou dois dias e nada chegou. Ele e a esposa começaram a procurar o que estava sobrando na casa, que impedia o Senhor de dar mais. Descobriram que tinham manteiga além do necessário. Já eram idosos nesta época. Cortaram a manteiga em pedacinhos e enviaram aos irmãos mais pobres. Ajoelharam e disseram: “Senhor, queremos apenas lembrar ao Senhor as Tuas palavras: “dai e dar-se-vos-á”. Entre os que receberam a manteiga havia uma irmã idosa que comia pão há vários dias sem manteiga. Ele havia orado: “Senhor, envia-me um pouco de manteiga” e logo depois o sr. Moule levou a manteiga a ela, sem saber da sua oração. Ao orar ela disse: “Embora nosso irmão não tenha falta de nada, pois me trouxe essa manteiga, se houver alguma necessidade, dê a ele, Senhor”. O irmão Moule não deixava ninguém conhecer sua necessidade e muitos imaginavam que ele era um homem rico, pois estava sempre ofertando aos outros! Mas a irmã orou por ele e dentro de duas horas ele recebeu duas sacolas com farinha.
A História de Watchman Nee
“Vou falar a minha primeira experiência. Foi em 1923 (20 anos de idade). Fui convidado para pregar o evangelho em uma cidade, distante 180km de onde eu morava. A viagem ficava em 70 ou 80 dólares de barco. Pedi direitinho ao Senhor e ele começou a chegar: 20 dólares e cento e poucos daimes. Era um terço da passagem mas resolvi viajar assim mesmo. Na quinta-feira de manhã, um dia antes da viagem, fui impressionado pelas palavras “dai e dar-se-vos-á”. Fiquei um pouco conturbado em meu coração por causa da viagem. Mas a impressão ficou mais forte e senti que devia dar os 20 dólares e guardar os centavos. A quem devo dar? Orei e saí esperando encontrar um irmão que tinha família e tinha necessidades. De repente estava diante dele e lhe entreguei o dinheiro dizendo: “Irmão, o Senhor quer que eu lhe dê esta quantia.” Depois de andar alguns metros as lágrimas rolaram dos meus olhos. Eu disse: “Senhor, já avisei que iria pregar. O que farei agora?”. Chegou a vez do Senhor suprir. Fui pegar o barco e saí pela primeira vez da minha cidade. Orei até adormecer no barco. No mesmo dia mudei de barco e andei de um lado para outro, pensando que isso podia ajudar o Senhor. Mas meu coração dizia que se dei, o senhor me daria! O barco chegaria em Sueicou às 5 da tarde e teria que fazer a última parte da viagem que era mais cara. Tinha apenas uns 70 daimes de resto. Pensei em voltar, mas dentro de mim uma voz dizia: “Por que você não pede uma viagem menos cara?” Fiz isso. Ao aproximar do barco o responsável me perguntou se eu ia para determinada cidade. Respondi que sim. Ele disse que me levaria por 70 daimes. Eu tinha 80! A viagem já havia sido paga aquele homem pelo governo local e o meu pagamento seria ganho extra!
Chegou a hora de voltar. Três dias antes da viagem um missionário me convidou para almoçar e me disse que gostaria de pagar minha viagem de volta. Eu respondi que já tinha Um responsável por mim. Ele me pediu desculpas. Quando voltei ao meu quarto me lamentei pelo que havia feito, mas tinha descanso no coração. No dia da viagem só tinha 2 daimes no bolso. Minha bagagem foi enviada para o barco e eu orava o tempo todo: “Senhor, Tu me trouxeste; És responsável por mim”. A meio caminho do barco o missionário amigo me enviou uma carta dizendo: “Sei que alguém responsabiliza-se por você, mas Deus me mostrou que eu devia participar da sua visita aqui. Permita que seu irmão possa ter uma pequena parte?” Agradeci ao Senhor e além de pagar a viagem de volta, ainda deu para imprimir um número da revista Reavivamento. Chegando em casa encontrei com a esposa do irmão a quem dera o dinheiro. Ela disse: ‘Irmão, estávamos orando há três dias porque não tínhamos nem alimento nem combustível.\' Não disse nada a ela sobre minha viagem, mas fiquei pensando comigo mesmo: ‘Se tivesse guardado os 20 dólares, teriam ficado inúteis; mas ao dá-los, quão úteis se tornaram.\' Aquele que dá é que recebe!
A forma do cristão administrar suas finanças não é segurando firmemente o dinheiro em suas mãos. Quanto mais seguramos, mais fatal ele se torna. Tal dinheiro será inútil; derreterá como gelo. Somente dando é que o dinheiro é aumentado. Segurar o dinheiro produz pobreza.
Semeando para Deus
“E isto afirmo: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (II Co. 9:6). Isso se relaciona com as finanças do cristão. Não se trata de jogar fora e sim de semear. Como podemos colher se não semeamos? Muitas orações por suprimento não são ouvidas porque somos duros e queremos colher onde não semeamos! Semeia para seus irmãos e irmãos em dificuldade! Paulo está falando de enviar dinheiro para os irmãos pobres em Jerusalém. Muitos comem tudo o que ganham. Semeia um pouco e no próximo ano você terá o dobro.
Entregando ao Senhor
A palavra de Deus é muito clara no Antigo Testamento: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro... e fazei prova de mim, diz o Senhor ” (Ml 3:10). O povo de Israel estava em grande pobreza nessa ocasião porque não deram ao Senhor. Se com 100 reais já é difícil, como será com 80? Esse é o raciocínio humano; mas “para os homens isso é impossível, mas com Deus tudo é possível ” ( Mt 19:26). O motivo da pobreza é os 100 reais e não os 80. Se entregamos a Deus, entramos na benção.
Espalhando para Deus
“Um dá liberalmente e se torna mais rico; outro retém mais do que é justo e se empobrece” (Pv 11:24) Muitos não espalham e por isso nada sobra. Mas os que espalham se tornam ricos diante de Deus.
Gastando para Deus
Quando Elias orou pedindo chuva, a nação estava sofrendo grande seca. Mas quando Elias ofereceu um sacrifício e pediu chuva, ele ordenou que derramassem água sobre o holocausto. A água era preciosa, mas Elias fez com que derramassem três vezes sobre o sacrifício, até a vala ao redor do altar ficar cheia de água. Não havia chovido ainda; não era um desperdício? Mas Deus enviou a chuva. Você quer a chuva do céu? Então derrame sua água primeiro.
Eis o problema de muitos: o apego ao que possuem. Depois querem que Deus os ouça. Sempre reservam um pouco para o caso de Deus não responder. Não, devemos gastar o que temos. Isso se aplica ao dinheiro. Os novos crentes (e os mais antigos) devem aprender a se livrar do poder de Mamom. Coloquemos tudo no altar.
O Suprimento de Deus
“E o meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as Suas riquezas em glória em Cristo Jesus” (Fl 4:19). Os de Corinto eram limitados no dar, mas os Filipenses eram generosos. Uma e outra vez eles supriram o Apóstolo Paulo; agora Paulo diz que Deus vai supri-los ricamente. Muitos tentam aplicar este versículo mas esquecem que Deus supre os doadores e não os que apenas pedem! Quando sua panela estiver quase vazia e a botija faltando azeite, lembre-se de fazer um bolo para Elias, o profeta de Deus. Aí o seu pouco durará três anos e seis meses. Quem já ouviu falar de tal coisa? Isso não dá para uma refeição, mas se for dado a Deus primeiro, sua vida poderá ser sustentada por esse pouco.
A PRÁTICA CRISTÃ É DAR
O Antigo e o Novo Testamento enfatizam a mesma coisa. Existe pobreza em nosso meio? A razão pode ser o apego ao que temos. Quanto mais nos amamos, mais fome teremos. Se a questão do dinheiro não for resolvida, nada será resolvido. Qualquer que considera o dinheiro como algo grande, está próximo da pobreza. Posso não ter condições de testemunhar de outras coisas, mas dessa eu posso: quanto mais seguramos o dinheiro, mais pobres nos tornamos. Vamos soltar o dinheiro, permitindo que ele realize milagres para Deus.
O gado nas montanhas e as ovelhas nos campos, pertencem a Deus. Quem é tolo em pensar que pode ser dono disso? Que o dinheiro da igreja seja vivo. Coloquemo-nos na Palavra de Deus, senão ele não terá como realizar Sua Palavra em nós. Vamos nos dar primeiro ao Senhor e depois soltar nosso dinheiro para que Ele possa nos dar.
SETE FORMAS DE DAR
1. Descuidada: Damos para toda causa, sem discriminação
2. Impulsiva: Damos sem meditação
3. Preguiçosa: Fazemos bazares, etc
4. Egocêntrica: Tocando trombeta
5. Sistemática: Dando como hábito
6. Imparcial: Dando a quem precisa e a quem Deus indicar
7. Sacrificial: Dando do necessário
Autor: Watchman Nee
Traduzido por Delcio Meireles
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2º 19125, 05122018
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