Palavras de Vida Eterna


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domingo, 30 de maio de 2021

A Consagração do Poder Espiritual

Sempre que medito na cruz de Cristo, não me torno um beato interessado apenas na minha própria pureza; o meu objetivo dominante passa a ser os interesses de Jesus Cristo. O Senhor não foi um recluso nem um asceta (Pessoa que se entrega a práticas espirituais, levando vida contemplativa com mortificação dos sentidos.); Ele não se isolou da sociedade, mas o tempo todo estava isolado dela interiormente. Não se mostrava indiferente ao que se passava ao Seu redor, mas vivia ligado a outro mundo. Na verdade, achava-se tão integrado no mundo que os religiosos de Seu tempo o acusavam de glutão e bebedor de vinho. Mas o Senhor não permitiu que nada interferisse na consagração de Suas energias espirituais às coisas de Deus.

A falsificação dessa consagração é deixar de fazer certas coisas pensando com isso armazenar poder espiritual para uso posterior, mas isso é grande engano. O Espírito de Deus tem tirado o pecado de muitas pessoas, mas ainda elas não experimentaram a liberdade nem a plenitude espiritual. O tipo de vida religiosa que vemos por aí hoje é inteiramente diferente da santidade atuante que Jesus Cristo revelava. 'Não peço que os tires do mundo e sim que os guardes do mal.' Temos que estar no mundo; mas não ser do mundo; estar isolado dele interiormente, não exteriormente.

Não devemos permitir que nada interfira na consagração de nossas energias espirituais às coisas de Deus. A consagração é a nossa parte; a santificação é a parte de Deus. Temos que tomar uma firme decisão de nos interessarmos somente por aquilo que é do interesse de Deus. A maneira certa de resolver as dúvidas que surgirem em nós é aplicar a elas a pergunta: 'Será que isto é o tipo de coisa que Jesus Cristo está interessado, ou é algo que interessa ao inimigo de Jesus?'

Autor: Oswald Chambers
Extraído do Livro Tudo para Ele. Lição do dia 27 de Novembro


terça-feira, 11 de maio de 2021

Diminuir-me Face aos Seus Desígnios

 “Convém que ele cresça e que eu diminua.” – João 3.30.

Se você se tornar indispensável a outra pessoa estará fora do plano de Deus. Como obreiro, sua grande responsabilidade é a de ser amigo do Noivo. Quando você vir uma pessoa começando a se conscientizar das reivindicações  de Jesus Cristo, saberá que a influência que exerceu sobre ela estava certa; e, em vez de estender a  mão para poupar-lhes  dificuldades, ore para que elas se tornem dez vezes mais fortes, até que não haja mais nenhum poder nem na terra nem no inferno capaz de manter essa pessoa longe de Jesus Cristo. Muitas vezes queremos tomar o lugar de Deus, interferimos e impedimos que Ele opere; dizemos: “Isto não pode acontecer.” Em vez de nos mostrarmos amigos do noivo, nossa compaixão acaba-se tornando empecilho, e aquela pessoa poderá um dia dizer: “Fulano foi um ladrão; roubou minha afeição por Jesus  e eu perdi a visão que tinha Dele.”

Cuidado para não se regozijar com alguém por motivo errado; procure regozijar-se pelo motivo certo. “O amigo do noivo... muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que Ele cresça e que diminua.” Isto é dito com alegria e não com tristeza --- finalmente eles verão o noivo! E João diz que essa é a sua grande alegria. É o total desaparecimento do obreiro, que nunca mais tornará a ser lembrado.

Fique bastante atento para ouvir a voz do noivo na vida de alguém. Não importa que confusões, que transtornos, que declínios de saúde ela possa acarretar; assim que ouvir a voz Dele, regozije-se com  divina alegria. Muitas vezes, você poderá ver Jesus Cristo destroçar uma vida antes de salvá-la (cf. Mt 10.34).

Autor: Oswald Chambers
Extraído do Livro Tudo para Ele. Lição do dia 24 de Março.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O Ministério do Espírito Santo

A Igreja é atacada por três correntes poderosas que operam traiçoeiramente para desvia-la do seu curso. O materialismo, que nega ou ignora o sobrenatural e se concentra sobre o melhoramento das condições exteriores da vida humana; o criticismo, que é engenhoso em análise e dissecação, porém incapaz de construir um fundamento no qual a fé possa se basear e descansar; e o gosto literário refinado, que se desenvolveu recentemente e que se dispõe a avaliar o poder pela força das palavras.

Para tudo isso só existe uma resposta, que não é um sistema, um credo ou uma igreja, mas o Cristo vivo, que foi morto mas vive para sempre, e tem as chaves para destrancar todas as perplexidades, problemas e carências. Embora a sociedade possa ser reconstituída e as necessidades materiais regularmente supridas, o descontentamento poderá surgir novamente de alguma outra forma, a menos que o coração esteja satisfeito com o Seu amor. A verdade que Ele revela para a alma e que está centrada nEle Mesmo por si só capaz de satisfazer o apetite consumidor da mente.

Jesus Cristo, o Filho de Deus eternamente vivo, é a suprema resposta para a inquietação e labuta de nossos dias. Mas Ele não pode, e não vai revelar a Si Mesmo. Cada pessoa na Santa Trindade revela uma outra. O Filho revela o Pai, mas a Sua própria revelação aguarda o testemunho do Espírito Santo, o qual, ainda que muitas vezes dado diretamente, é amplamente dado através da igreja. O que precisamos, e o que o mundo aguarda, é o Filho de Deus, testemunhado e revelado em toda a Sua radiante beleza pelo ministério do Espírito Santo, que Ele realiza com e através dos santos que compõem a igreja. 

Em alguns lugares parece se supor que o Espírito Santo é a solução para as perplexidades do nosso tempo. Hoje não sabemos o que podemos testemunhar em alguma era vindoura, mas nesta é claro que Deus na pessoa de Cristo é a única resposta divina. Eis aqui o ‘sim e amém’ de Deus, o Alfa e o Ômega, a luz para o cego, a cura para o paralítico, a limpeza para o poluído, a vida para o morto, o evangelho para o pobre, triste e desconsolado.

Presentemente desejamos a concessão graciosa do Espírito que pode tomar mais profundamente das coisas de Cristo e revela-las a nós. Quando os discípulos pediram para conhecer o Pai, o Senhor disse, ‘Aquele que viu a Mim viu o Pai. É a Sua glória que brilha em Minha face, Sua vontade que molda Minha vida, Seu propósito que é cumprido em Meu ministério’. Então o abençoado Paracleto poderá voltar nosso pensamento e atenção de Si Mesmo para Aquele, com quem Ele é Um na Santa Trindade, o qual Ele veio revelar.

Através dos chamados séculos Cristãos, a voz do Espírito Santo tem levantado testemunhas para o Senhor. Diretamente, em cada estímulo difundido da consciência humana, em cada avivamento, em cada era de avanço no conhecimento da verdade divina, em cada alma que tem sido regenerada, consolada ou ensinada. Indiretamente, Sua obra tem sido conduzida pela igreja, o corpo daqueles que crêem. Mas, infelizmente, quão tristemente Seu testemunho tem sido enfraquecido e estorvado pelo instrumento através do qual ele deve vir. Ele não tem sido capaz de fazer muitas obras poderosas por causa da incredulidade, que mantém fechada e trancada as avenidas pelas quais Ele teria fluido Seu agradável testemunho ao mundo espiritual, do Senhor glorificado. 

As divisões da igreja, sua discussão sobre assuntos de relativa insignificância, sua valorização de pontos de diferença, seu materialismo, seu amor por si mesma, por posição e poder, seu julgamento de que é rica, cheia de bens e de nada tendo falta, quando era pobre e miserável e cega e nua. Estas coisas não apenas a privaram do seu testemunho, mas ofenderam e extinguiram o Espírito Santo, e anularam o Seu testemunho.

Autor: A.J. Gordon
Extraído da Revista O Vencedor
Extraído da Introdução do Dr. Meyer no livro do Dr. A.J.Gordon, “O Ministério do Espírito” (The Ministry Of The Spirit).


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Impossível para o Homem, Possível para Deus

Disse Jesus: “As coisas que são impossíveis aos homens, são possíveis a Deus”. (Lucas 18,27).

Esta passagem contém dois pensamentos; que no Cristianismo, a questão da salvação e do seguir a Cristo através de uma vida santa, é impossível para nós. E então, ao lado deste, está o pensamento de que o que é impossível para nós é possível a Deus.

Os dois pensamentos marcam as duas grandes lições que temos que aprender em nossa vida Cristã. Muitas vezes leva um longo tempo para aprendermos aquela primeira lição, ‘que na vida Cristã nós não podemos fazer nada', que a salvação é impossível para nós. E muitas vezes, quando aprendemos isto, não aprendemos a segunda lição que, ‘o que tem sido impossível para nós é possível para Deus'. Abençoado é aquele que aprende estas duas lições.

O aprendizado destas duas lições marca dois estágios na vida Cristã. O primeiro estágio é quando estamos tentando fazer o máximo que podemos e fracassamos, e então tentamos ainda mais duramente e fracassamos novamente, e então tentamos ainda mais e sempre fracassamos. E no entanto, muitas vezes, mesmo assim não aprendemos a lição. É impossível. Pedro gastou três anos na escola de Cristo e nunca aprendeu que ‘é impossível', até que negou seu Senhor e fugiu e chorou amargamente. Então ele aprendeu a lição que ‘para o homem é impossível' servir a Deus e a Cristo.

Olhe apenas por um momento para o que significa aprender esta lição. Primeiramente nós lutamos contra ela; então nos submetemos a ela, mas relutantemente e em desespero; e por último a aceitamos de boa vontade e regozijamo-nos nela. No começo da vida Cristã não temos a concepção dessa verdade. Fomos convertidos, temos a alegria do Senhor em nossos corações e começamos a correr a carreira e lutar o combate. Estamos seguros da vitória, pois somos determinados e sinceros, e Deus nos ajudará . No entanto, por alguma razão, muito breve, falhamos onde não esperávamos e o pecado tira o melhor de nós. Ficamos desapontados mas pensamos: ‘Eu não estava vigilante o suficiente, não fiz minhas resoluções fortes o suficiente'. E novamente prometemos, e novamente oramos, e ainda outra vez falhamos. Pensamos: ‘Não sou regenerado? Não tenho a vida de Deus em mim?'. E pensamos: ‘Sim, eu tenho Cristo para me ajudar. Eu posso viver uma vida santa'. Mas no final começamos a compreender que tal vida é impossível para nós; e há uma multidão de Cristãos que chegam a este ponto; fazemos o nosso melhor, mas nunca chegamos muito longe.

Mas, ainda assim, o Senhor nos conduz. Quando voltamos a tomar aquela palavra, ‘é impossível', em toda a sua verdade, e em desejo intenso e oração começamos a clamar a Deus: ‘Senhor, qual o significado de tudo isso. Como posso ser liberto do poder do pecado?'. Então chegamos ao estado da pessoa regenerada em Romanos 7. Ali encontramos os Cristãos tentando o melhor para viverem uma vida santa. A lei de Deus tem sido revelada a eles de modo a alcançar a profundidade dos desejos do coração, e eles ousam dizer: ‘Me deleito na lei de Deus, no tocante homem interior. O querer o bem está presente em mim. Meu coração ama a lei de Deus, e minha vontade escolheu aquela lei'. Pode um homem como este fracassar, com seu coração cheio do prazer na lei de Deus e com sua vontade determinada para fazer o que é certo? Sim. Isto é o que Romanos 7 nos ensina, mas é preciso algo mais. Não somente devo me deleitar na lei de Deus por causa do homem interior e desejar o que Deus deseja, mas preciso de uma onipotência divina para efetuar isto em mim. E isto é o que o apóstolo Paulo ensina em Filipenses 2:13: “É Deus quem opera em vós, tanto o querer como o realizar”. Note o contraste. Em Romanos 7 a pessoa regenerada diz: ‘O querer está em mim, mas o fazer descobri que não posso. Eu desejo, mas não posso realizar'. Mas em Filipenses 2, temos uma pessoa que vai mais longe, aquele que entende que quando Deus efetuou o querer renovado, Deus dará o poder para realizar o que aquele querer deseja.

Vamos receber isso como a primeira grande lição na vida espiritual: ‘É impossível para mim, meu Deus: fazer com que haja um fim da carne e todo seu poder, um fim do ego, e fazer com que minha glória seja abandonada'. Louvado seja Deus pelo divino ensinamento que nos faz incapazes!

Agora vem a segunda lição: ‘As coisas que são impossíveis para o homem são possíveis para Deus”. Eu disse um pouco atrás que há muitos que têm aprendido que ‘é impossível para o homem', mas então se dão por vencidos em impotente desespero e vivem uma vida Cristã miserável sem alegria ou firmeza ou vitória. Mas por quê? Porque não se humilham e não aprendem aquela outra lição: “Para Deus tudo é possível”.

Sua vida todos os dias é uma evidência de que Deus faz coisas impossíveis; sua vida é para que as impossibilidades sejam tornadas possíveis pelo onipotente poder de Deus. Isso é o que o Cristão precisa. Você tem um Deus onipotente que você adora, e precisa aprender a entender que você não quer um pouco do poder de Deus, mas que você quer – com reverência permita ser dito – a totalidade da onipotência de Deus para mantê-lo justo, para viver uma vida Cristã.

Todo o Cristianismo é um efetuar da onipotência de Deus. Olhe para o nascimento de Jesus. Aquilo foi um milagre do poder divino, e foi dito à Maria, “Para Deus nada é impossível”. Foi a onipotência de Deus. Olhe para a ressurreição de Cristo. Nós fomos ensinados que foi conforme a excelsa grandeza de Seu poder que Deus levantou Cristo da morte.

O Cristianismo teve seu começo na onipotência de Deus, e em toda alma deve ter sua continuação naquela onipotência. Todas as possibilidades da vida Cristã têm suas origens em uma nova percepção do poder de Cristo para operar toda a vontade de Deus em nós.

A causa da fraqueza em nossa vida Cristã é que queremos exercita-la nós mesmos, consentindo que Deus nos ajude. Isto não funciona. Devemos nos achegar em completa fraqueza e deixar Deus efetuar, e então Ele efetua, gloriosamente. Isto é o que precisamos se somos de fato obreiros de Deus.

Podemos ver nas Escrituras que quando Moisés liderou Israel para fora do Egito; quando Josué trouxe-os para a Terra Prometida; e todos os servos de Deus no Velho Testamento; todos eles contaram com a onipotência de Deus fazendo o impossível. Este Deus vive hoje, e este é o Deus de todo aquele que é Seu filho. E ainda tão freqüentemente estamos esperando Deus nos dar uma pequena ajuda, enquanto fazemos nosso melhor; ao invés de buscar compreender o que Deus quer e estar desejando dizer: ‘Eu nada posso fazer, mas Deus deve fazer e fará tudo'.

Precisamos chegar ao ponto de admitir: 'Na adoração, na obra, na santificação, na obediência a Deus, não posso fazer nada por mim mesmo. E então minha posição é de adorar o Deus onipotente e crer que Ele trabalhará em mim em todo momento'. Oh que Deus pela Sua graça possa nos mostrar que Deus temos, a que Deus temos nos confiado. Um Deus onipotente, desejando, com toda Sua onipotência, colocar-se a Si mesmo à disposição de todos os Seus filhos. Devemos tomar a lição do Senhor Jesus e dizer, ‘Amém, as coisas que são impossíveis para mim, são possíveis para Deus'.

Autor: Andrew Murray
Do livro “Absolute Surrender” (Entrega Absoluta).

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Quem Conhece Ama

“Lembrai-vos dos encarcerados como se preso com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito,vós mesmos em pessoa fosseis os maltratados” (Hb 13.3).

Pink Floyd foi um grupo que fez muito sucesso nos anos 80. Seu líder, Roger Waters sempre foi conhecido pelo seu temperamento forte e por suas “loucuras”. O filme “The Wall”, produzido por ele é cheio de imagens psicodélicas, angustiantes, e claramente rodado sob pesadas drogas alucinógenas. Até agora, era essa a imagem que eu tinha dele. Porém, nesses dias vim a conhecer um pouco de sua história. Nasceu na Inglaterra em meio à 2ª Guerra Mundial, filho de um soldado que não o viu nascer, enquanto servia na Itália junto ao exército inglês. Para escapar dos bombardeios alemães sobre Londres, sua mãe enviou o filho para um lugar seguro no interior onde permaneceu com outras crianças até o final da guerra.

Alguns anos depois, quando fogos e festas anunciavam o fim dos combates, os pais foram buscar seus filhos naquele lugar. Aquele garoto viu seus amigos um a um serem levados, menos ele. Seu pai não veio, e pela primeira vez teve a clara consciência de que perdera o pai sem nunca tê-lo conhecido. Sentiu-se abandonado e sozinho, e esse passou a ser um tema obsessivo em suas canções. Waters tem passado a vida procurando o pai ausente num mundo frio e inóspito.

Essa leitura que fiz me aproximou dele, mesmo sem conhecê-lo. Quando nos aproximamos das pessoas, de seus dramas e de suas histórias, nossa visão muda. Identificamos-nos com elas. Descobrimos nelas companheiros de viagem. Descobrimos também que se trata de garotos e garotas assustados como nós, buscando um sentido no mundo, convivendo com a nostalgia de um Pai ausente.

Há alguns dias recebi um telefonema do hospital onde prestamos capelania. Queriam minha presença urgente para falar com um paciente que estava muito revoltado e descontrolado. Corri para lá, e quando entrei  no quarto percebi alguém de maquiagem forte e unhas pintadas. Era um travesti. Apresentei-me, estendi-lhe a mão, perguntei seu nome, e disse que estava ali para ouvi-lo e ajudá-lo. Após uma hora inteira de conversa ele havia se acalmado e eu já conhecia um pouco da vida do Edson (nome fictício), de sua família, seus temores e sonhos, seu desvio da fé, as portas que lhe foram fechadas... já não via mais alguém travestido do sexo oposto, porém um ser humano digno, embora fragilizado, alguém como qualquer outro buscando encontrar o centro do seu ser.

Quando nos aproximamos do outro em amor, desaparece o que nos causava espanto, raiva, ódio, perplexidade, para dar lugar à pessoa. Não é justamente isso que Jesus fez em todo o seu ministério?  Ao jovem rico que só pensava em sua fortuna,  Jesus “fitando-o, o amou” (Mc 10.21). Diante do Mestre já não era mais uma “samaritana”, nem uma “mulher” junto ao poço, mas uma pessoa que ele conhecia sua história e, a despeito de seus erros, a amou.

Vivemos num mundo cercado de muros que nós mesmos construímos. Jesus Cristo veio para quebrar as paredes de separação para nos aproximar uns dos outros. Cristãos deveriam também parar de erigir muros para construir pontes. O Evangelho nos desafia: se amais os seus pares, seus familiares, os que lhe são agradáveis, que recompensas tendes? Aliás, não precisa ser cristão para amar os seus iguais.

Permanecer junto a quem nos é igual e fechar-se num grupo, num partido – seja religioso, político ou étnico, é o caminho mais fácil para desenvolver na alma um sentimento de oposição, de medo, e é o estopim para um mecanismo de defesa chamado “projeção”, que nada mais é que jogar sobre o outro todas as mazelas indesejadas ou rejeitadas – mas não admitidas – que estão presentes em nós.

Palestinos e judeus que vivem separados por um muro, odeiam-se mutuamente. Árabes e judeus vivendo em Jerusalém ou qualquer outra cidade do mundo, quando se conhecem,  vivem amistosamente sem animosidades.

A intolerância diante do pecador é uma das posturas mais inadequadas que um cristão pode ter. Igreja que não ama ao pecador abandonou sua principal missão. Não se trata de condescender com o erro ou pecado, mas de colocar-se ao lado e dizer: “sei como você se sente, porque conheço também meus pecados e é justamente por causa deles que estou aqui; por isso estarei ao seu lado se precisar de mim”. – “Mas pastor, Jesus disse à pecadora para ela ir e não pecar mais”. É verdade, só que isso é interpretado de duas formas: para “nós” é um tratamento a longo prazo, onde Deus vai nos tratando e curando ao longo da vida. Para o “outro” é exigido que ele obedeça imediatamente, mesmo quando ele não tem forças para isso.

Aproximar-se das pessoas, ouvir suas histórias, desenvolver empatia por elas, e colocar-se em humildade nas mesma condições, permite que olhemos o mundo com os seus olhos. Esta é a postura que Deus espera de nós! “Lembrai-vos dos encarcerados como se preso com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fosseis os maltratados” (Hb 13.3).

Talvez nosso maior desafio seja o de conhecer o outro. Enquanto são desconhecidos, eles nos assustam e são alvo de nosso julgamento. Somos capazes de amar somente quando o distante se faz próximo.

Olhei ao longe e vi um animal caído na estrada. Cheguei mais perto e vi que era um ser humano. Abaixei-me e reconheci o meu irmão.

Autor: Daniel Rocha, pastor
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Sobre Santos e Mundanos

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2.15)

Boa parcela de cristãos costuma fazer certa confusão quando se refere ao “mundo”. Embora a bíblia use sempre o mesmo vocábulo (kósmos), é preciso reconhecer os seus diferentes significados: há o “mundo”, globo terrestre, que inclui toda obra da Criação, a humanidade e suas gentes, e há o “mundo” entendido como perversão de valores, lugar de trevas e engano. Mundo, então, neste sentido, é a ideologia vigente que se rebela ao Eterno, e leva a tragédia à existência humana. Quem vive sob esta ótica não tem como amar a Deus, pois se tornou escravo do sistema e o seu “eu” é o seu próprio deus.

A bíblia alerta: “não ameis o mundo” (ideologia), mas diz que “Deus amou ao mundo” (pessoas).

Geograficamente, o cristão está “no” mundo, embora não seja “do” mundo, e Jesus roga ao Pai para que não tirasse os seus filhos do mundo, mas que tão somente  os guardasse do mal. (Jo 17.15)

Mundo-perversão não é necessariamente um lugar geográfico, mas ele sempre surgirá onde predominam pensamentos, atitudes e posturas contrárias ao Evangelho. Até a igreja pode ser mais “mundo” que o mundo se os seus valores estiverem invertidos. Disputa pelo poder, busca de sucesso e glamour, espírito de competição, e satisfação de interesses pessoais, sempre nascem de uma visão “mundana”.  Quando Lutero tentou evadir-se das mazelas da sociedade do seu tempo, se refugiou num mosteiro, mas logo percebeu que “o mundo” estava presente ali tanto quanto lá fora.

Pode um cristão compartilhar da amizade e companhia de pessoas “do mundo”? Claro, o mundo é o nosso campo de atuação, é onde a luz precisa brilhar, e o sal salgar. Jesus, orando ao Pai, disse: “Assim como Tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17.18).

Quando Paulo escreve: “não vos associeis com os impuros” (1 Co 5.9) significa: “não comungueis com as ideias e posturas que não correspondam aos valores do Reino”. Ou seja, viva no mundo, mas não se prenda à valoração deste mundo. Não manter contato com “impuros” seria impossível, pois senão “teríeis de sair do mundo” (1 Co 5.10), finaliza o apóstolo.

Interessante, como um Jesus inegavelmente santo, vai às festas que o convidam,  não se importa com a fama de quem Ele se senta à mesa, dá de ombros quando é  chamado de “glutão e beberrão, amigo de pecadores” (Lc 7.34), e não faz acepção de pessoas. Em tudo isso ele não se maculou.

Um aspecto que a igreja às vezes tem dificuldades em admitir, é de que Deus além de ter amado o mundo de tal forma que enviou o Seu Filho, Ele também outorga as suas bênçãos a todas as pessoas, independentemente delas aderirem à fé ou não. É a “graça comum”, que embora não conduza à salvação de seus recebedores, é concedida pelo Pai que “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45). “O Senhor é bom para todos” (Sl 145.9), ensina o salmista.

Eric Lidell, campeão olímpico nos 100m em 1924, no filme Carruagens de Fogo disse: “Creio que Deus me fez para um propósito, mas Ele também me fez veloz, e quando eu corro, sei que agrado a Deus”. Mais tarde ele diria que “desistir de correr, seria despreza-Lo”. Depois Lidell tornou-se missionário e terminou seus dias num campo de concentração na China aos 43 anos.

É de Deus que vem todo talento e destreza nas artes em geral, na música, no cinema, teatro, esportes, na literatura.... Tudo que é belo, tudo o que é bom, e todo dom perfeito vem do Alto (Tg 1.17). Por vezes, muitos incrédulos são até mesmo mais aquinhoados com talentos que os próprios cristãos confessos, pois “os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz” (Lc 16.8).

Só assim é possível entender porque há tantas coisas boas na vida, produzidas por gente do “mundo”. Os versos de Pessoa, a voz limpa e clara da Ana Carolina, as canções do U2, o vozeirão rouco do Louis Armstrong, os dribles do Neymar, a guitarra do B.B.King, os girassóis de Van Gogh, a genialidade do Bill Gates, e tudo o mais que há de belo e perfeito tiveram origem em Deus. Origem em Deus, eu repito  – e não no diabo – ainda que estes não reconheçam nem glorifiquem ao Eterno.

Agora, quem não é capaz de ver beleza nestas coisas, duvido que aprecie o que verá no céu, pois na Nova Jerusalém os reis da terra apresentarão a Deus a glória que possuem e a honra das nações (Ap 21.24-26). Creio que lá estarão presentes o acervo do Louvre, do Masp e a metade de Florença com suas pinturas e afrescos.

Há coisas que estão no mundo, mas não são “mundanas”. Por isso, enquanto puder quero continuar levando meu filho ao estádio, assistir filmes que emocionem, dar muita risada com o Jim Carrey, gastar dinheiro com livros, ler a Folha e o Estadão enquanto tomo café, comer churrasco com a família reunida,  e descansar janeiro na praia, sem fazer nada...., pois “nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus, pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se?” (Ec 2.24-25).

Autor: Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 19 de junho de 2019

O Cristianismo pode Salvar o Mundo

Demonstrei a ineficácia de todas as principais tentativas de tratar da desagregação provocada pela religião no mundo atual. No entanto, o propósito dessas tentativas me agrada. No início do capitulo, falei do “terreno escorregadio” que toda religião costuma instalar no coração humano. Esse terreno escorregadio leva todos com grande facilidade à opressão. No entanto, dentro do cristianismo – o cristianismo robusto, ortodoxo existem fartos recursos capazes de transformar seus seguidores em agentes da paz no mundo. O cristianismo possui em si mesmo um poder notável de explicar e expurgar as tendências às divisões presentes no coração humano.

O cristianismo fornece uma base firme para o respeito aos indivíduos que professam outras religiões. Jesus parte do princípio de que os incrédulos na cultura a sua volta terão boa vontade para admitir que grande parte do comportamento cristão é “bom”. (Mt 5.16; cf. 1Pe 2.12). Isso pressupõe algumas zonas de coincidência entre a constelação cristã de valores e os valores de qualquer cultura específica e de qualquer outra religião. Qual é a razão dessas zonas de coincidência? Os cristãos acreditam que todos os seres humanos são criados à semelhança de Deus e com potencial de bondade e sabedoria. A doutrina bíblica da imagem universal de Deus, assim, leva os cristãos a ter esperança de que os incrédulos possam ser melhores que qualquer coisa que as suas crenças equivocadas os tenham levados a ser. A doutrina bíblica do pecado universal também leva os cristãos a ter consciência de que os crentes, na pratica podem ser piores que qualquer coisa que suas crenças ortodoxas poderiam leva-los a ser. Dessa forma, existe um vasto terreno para a cooperação respeitosa.

O cristianismo não só leva os seus adeptos a acreditar que os indivíduos de outras religiões possuem bondade e sabedoria para oferecer, como também a esperar que muitos levam uma vida moralmente superior a vida de muitos cristãos. Chamemos isso de visão do “aperfeiçoamento moral”. O cristianismo ensina exatamente o contrario. No entendimento cristão, Jesus não nos diz como viver de modo que mereçamos a salvação. Em vez disso, Sua vinda teve como propósito nos perdoar e nos salvar por meio de Sua vida e morte no nosso lugar. A graça de Deus não é dada aos que superam moralmente os seus semelhantes, mas os que admitem o próprio fracasso e reconhecem a necessidade que tem de um Salvador.

Os cristãos, assim, devem considerar a possibilidade de encontrar incrédulos muito mais bondosos, gentis, sábios e melhores do que eles. Por quê? Os crentes não são aceitos por Deus por seu desempenho moral, sua sabedoria ou virtude, mas em virtude da obra de Cristo realizada em favor deles. A maioria das religiões e filosofias da vida supõe que a condição espiritual da pessoa depende de suas realizações religiosas. Isso leva naturalmente seus adeptos a se sentirem superiores aqueles que não creem nem se comportam como eles. O evangelho cristão não deveria provocar tal feito.

É comum dizer que o “fundamentalismo” leva à violência, mas, como já vimos, todos nós possuímos compromissos fundamentais de fé, não sujeitos a verificação, que imaginamos serem superiores aos dos outros. Assim, a pergunta vital é: Que fundamentos da fé levariam aqueles que a professam a ser mais afetuosos e receptivos em relação aos que não compartilham a mesma fé? Que conjunto de crenças inevitavelmente exclusivas nos conduziria a um comportamento de humildade e de amor à paz?

Um dos paradoxos da História é a relação entre as crenças e práticas dos primeiros cristãos em comparação com as crenças e práticas da cultura que os cercavam.

As posturas religiosas do mundo grego-romano eram abertas e aparentemente tolerantes – todos tinham seu próprio deus. As práticas da cultura, porém, eram bastante cruéis. No mundo grego romano, altamente estratificado do ponto de vista econômico, havia uma enorme distância entre ricos e pobres. Os cristãos, ao contrário, insistiam na existência de um único Deus verdadeiro, Jesus Cristo Salvador, morto por nós. Suas vidas e práticas, contudo, eram incrivelmente receptivas com relação aos indivíduos marginalizados pela cultura vigente. Entre os primeiros cristãos havia gente de diferentes raças e classes, o que parecia escandaloso para os que o cercavam. O mundo grego-romano costumava desprezar os pobres, mas os cristãos se mostravam generosos não apenas com seus próprios pobres, como também com aqueles de outras religiões. Na sociedade em geral, as mulheres desfrutavam de uma condição bem inferior, sujeitas a altos índices de infanticídio de meninas, casamentos impostos e a carências de igualdade econômica. O cristianismo proveu as mulheres de uma segurança e uma igualdade muito maiores que os existentes até então no antigo mundo clássico. Durante as terríveis pestes urbanas dos dois primeiros séculos, os cristãos cuidavam de todos os doentes e moribundos das cidades, com frequência pagando com a própria vida.

Por que um sistema de fé tão exclusivista levaria a um comportamento tão receptivo em relação aos demais indivíduos? Porque o sistema de fé cristã possuía em seu âmago o recurso mais forte possível para estimular a prática do sacrifício, da generosidade e da conciliação. No próprio núcleo de sua visão da realidade estava um homem que havia morrido pelos inimigos, implorando que eles fossem perdoados. Refletir sobre isso só poderia levar uma forma radicalmente diversa de lidar com a diferença. Significava que os cristãos não poderiam agir com violência e opressão sobre os seus opositores.

Não há como nos esquivar do fato de que a igreja cometeu injustiças em nome de Cristo, mas quem é capaz de negar que as forças das crenças mais fundamentais dos cristãos pode constituir um poderoso estímulo para a paz em nosso mundo conturbado?

Autor: Timothy Keller
Extraído do livro; A Fé na Era do Ceticismo

 A Fé na Era do Ceticismo, Timothy Keller


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Ofertas Daí e dar-se-vos-á!, Watchman Nee

A forma do crente ofertar é totalmente diferente da forma do não crente. O crente dá; o não crente acumula. Os pássaros não passam fome e os lírios do campo vestem lindas roupas. Se houver necessidade, deve haver um vazamento em algum lugar. Vejamos onde ele se encontra.

O Princípio Cristão
“Dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” Lc 6:38. Como crentes, esperamos em Deus todo o nosso suprimento, mesmo os que são ricos. Paulo nos exorta a não colocarmos nossa esperança na incerteza das riquezas (I Tim. 6: 7-10 e 17-19). Só os que confiam no Senhor, mesmo não tendo economias, não passarão falta. Mas existe uma condição para experimentar isso. Aquele que chega ao ponto de privação, não administrou seu dinheiro de acordo com o princípio de Deus. Se seguirmos a lei do gastar, naturalmente cairemos na pobreza. Deus pode nos suprir ricamente; nunca pense que Ele é pobre. Tudo no mundo é dEle. Mas precisamos preencher esta condição “dai e dar-se-vos-á!”.

O Receber é Medido pelo Dar 
Tenho visto irmãos em crises financeiras e a dificuldade não está no ganhar pouco e sim no dar pouco. Aquele que pensa em si é pobre; o que dá é rico. Para evitarmos a pobreza precisamos dar! Quanto mais dermos, mais Deus vai nos dar (é bom lembrar que não se trata de barganha com Deus! Sou movido a dar, mesmo que não receba de volta o que dei). Devemos dar porque sabemos que temos bastante na poupança? De modo nenhum! Deus nos tratará da mesma forma que tratamos nossos irmãos. Se dermos tudo a eles, eles nos darão tudo! Se ganhamos pouco é porque ofertamos pouco! O ensino da Palavra é: “Dai e dar-se-vos-á !” Dê e o Senhor dará a você; se não dermos aos outros, Deus não terá obrigação de nos dar. Muitos têm fé para pedir dinheiro a Deus, mas não tem fé para dar ofertas aos outros. Os novos crentes devem aprender essa lição logo. Aprendam isso: vocês devem dar da forma como gostariam de receber! Na verdade Deus Se compromete a suprir apenas um tipo de pessoa: as que estão dispostas a dar. Os termos em Lucas 6:38 são maravilhosos: boa medida. Quando Deus dá, ele nunca faz cálculos. Ele dá abundantemente! Seu cálice transborda: boa medida, recalcada, sacudida, transbordante! Não esqueça: “com a medida com que medirdes vos medirão a vós.”

A História do Dr. Moule 
Handley C. G. Moule da Inglaterra foi o editor da revista Vida e Fé. Conhecia muito bem a Bíblia e vivia pela Fé. Foi provado muitas vezes mas conhecia Lucas 6:38. Sempre que havia falta de algo, ele dizia à esposa que havia algo errado com eles na questão do dar. Nunca considerava o quanto haviam dado, mas apenas onde podiam estar errando no deixar de dar. Uma vez ficaram reduzidos a quase nada. A farinha acabou de todo.Esperou dois dias e nada chegou. Ele e a esposa começaram a procurar o que estava sobrando na casa, que impedia o Senhor de dar mais. Descobriram que tinham manteiga além do necessário. Já eram idosos nesta época. Cortaram a manteiga em pedacinhos e enviaram aos irmãos mais pobres. Ajoelharam e disseram: “Senhor, queremos apenas lembrar ao Senhor as Tuas palavras: “dai e dar-se-vos-á”. Entre os que receberam a manteiga havia uma irmã idosa que comia pão há vários dias sem manteiga. Ele havia orado: “Senhor, envia-me um pouco de manteiga” e logo depois o sr. Moule levou a manteiga a ela, sem saber da sua oração. Ao orar ela disse: “Embora nosso irmão não tenha falta de nada, pois me trouxe essa manteiga, se houver alguma necessidade, dê a ele, Senhor”. O irmão Moule não deixava ninguém conhecer sua necessidade e muitos imaginavam que ele era um homem rico, pois estava sempre ofertando aos outros! Mas a irmã orou por ele e dentro de duas horas ele recebeu duas sacolas com farinha.

A História de Watchman Nee
“Vou falar a minha primeira experiência. Foi em 1923 (20 anos de idade). Fui convidado para pregar o evangelho em uma cidade, distante 180km de onde eu morava. A viagem ficava em 70 ou 80 dólares de barco. Pedi direitinho ao Senhor e ele começou a chegar: 20 dólares e cento e poucos daimes. Era um terço da passagem mas resolvi viajar assim mesmo. Na quinta-feira de manhã, um dia antes da viagem, fui impressionado pelas palavras “dai e dar-se-vos-á”. Fiquei um pouco conturbado em meu coração por causa da viagem. Mas a impressão ficou mais forte e senti que devia dar os 20 dólares e guardar os centavos. A quem devo dar? Orei e saí esperando encontrar um irmão que tinha família e tinha necessidades. De repente estava diante dele e lhe entreguei o dinheiro dizendo: “Irmão, o Senhor quer que eu lhe dê esta quantia.” Depois de andar alguns metros as lágrimas rolaram dos meus olhos. Eu disse: “Senhor, já avisei que iria pregar. O que farei agora?”. Chegou a vez do Senhor suprir. Fui pegar o barco e saí pela primeira vez da minha cidade. Orei até adormecer no barco. No mesmo dia mudei de barco e andei de um lado para outro, pensando que isso podia ajudar o Senhor. Mas meu coração dizia que se dei, o senhor me daria! O barco chegaria em Sueicou às 5 da tarde e teria que fazer a última parte da viagem que era mais cara. Tinha apenas uns 70 daimes de resto. Pensei em voltar, mas dentro de mim uma voz dizia: “Por que você não pede uma viagem menos cara?” Fiz isso. Ao aproximar do barco o responsável me perguntou se eu ia para determinada cidade. Respondi que sim. Ele disse que me levaria por 70 daimes. Eu tinha 80! A viagem já havia sido paga aquele homem pelo governo local e o meu pagamento seria ganho extra!

Chegou a hora de voltar. Três dias antes da viagem um missionário me convidou para almoçar e me disse que gostaria de pagar minha viagem de volta. Eu respondi que já tinha Um responsável por mim. Ele me pediu desculpas. Quando voltei ao meu quarto me lamentei pelo que havia feito, mas tinha descanso no coração. No dia da viagem só tinha 2 daimes no bolso. Minha bagagem foi enviada para o barco e eu orava o tempo todo: “Senhor, Tu me trouxeste; És responsável por mim”. A meio caminho do barco o missionário amigo me enviou uma carta dizendo: “Sei que alguém responsabiliza-se por você, mas Deus me mostrou que eu devia participar da sua visita aqui. Permita que seu irmão possa ter uma pequena parte?” Agradeci ao Senhor e além de pagar a viagem de volta, ainda deu para imprimir um número da revista Reavivamento. Chegando em casa encontrei com a esposa do irmão a quem dera o dinheiro. Ela disse: ‘Irmão, estávamos orando há três dias porque não tínhamos nem alimento nem combustível.\' Não disse nada a ela sobre minha viagem, mas fiquei pensando comigo mesmo: ‘Se tivesse guardado os 20 dólares, teriam ficado inúteis; mas ao dá-los, quão úteis se tornaram.\' Aquele que dá é que recebe!

A forma do cristão administrar suas finanças não é segurando firmemente o dinheiro em suas mãos. Quanto mais seguramos, mais fatal ele se torna. Tal dinheiro será inútil; derreterá como gelo. Somente dando é que o dinheiro é aumentado. Segurar o dinheiro produz pobreza.

Semeando para Deus
“E isto afirmo: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (II Co. 9:6). Isso se relaciona com as finanças do cristão. Não se trata de jogar fora e sim de semear. Como podemos colher se não semeamos? Muitas orações por suprimento não são ouvidas porque somos duros e queremos colher onde não semeamos! Semeia para seus irmãos e irmãos em dificuldade! Paulo está falando de enviar dinheiro para os irmãos pobres em Jerusalém. Muitos comem tudo o que ganham. Semeia um pouco e no próximo ano você terá o dobro.

Entregando ao Senhor
A palavra de Deus é muito clara no Antigo Testamento: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro... e fazei prova de mim, diz o Senhor ” (Ml 3:10). O povo de Israel estava em grande pobreza nessa ocasião porque não deram ao Senhor. Se com 100 reais já é difícil, como será com 80? Esse é o raciocínio humano; mas “para os homens isso é impossível, mas com Deus tudo é possível ” ( Mt 19:26). O motivo da pobreza é os 100 reais e não os 80. Se entregamos a Deus, entramos na benção.

Espalhando para Deus
“Um dá liberalmente e se torna mais rico; outro retém mais do que é justo e se empobrece” (Pv 11:24) Muitos não espalham e por isso nada sobra. Mas os que espalham se tornam ricos diante de Deus.

Gastando para Deus 
Quando Elias orou pedindo chuva, a nação estava sofrendo grande seca. Mas quando Elias ofereceu um sacrifício e pediu chuva, ele ordenou que derramassem água sobre o holocausto. A água era preciosa, mas Elias fez com que derramassem três vezes sobre o sacrifício, até a vala ao redor do altar ficar cheia de água. Não havia chovido ainda; não era um desperdício? Mas Deus enviou a chuva. Você quer a chuva do céu? Então derrame sua água primeiro.

Eis o problema de muitos: o apego ao que possuem. Depois querem que Deus os ouça. Sempre reservam um pouco para o caso de Deus não responder. Não, devemos gastar o que temos. Isso se aplica ao dinheiro. Os novos crentes (e os mais antigos) devem aprender a se livrar do poder de Mamom. Coloquemos tudo no altar.

O Suprimento de Deus
“E o meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as Suas riquezas em glória em Cristo Jesus” (Fl 4:19). Os de Corinto eram limitados no dar, mas os Filipenses eram generosos. Uma e outra vez eles supriram o Apóstolo Paulo; agora Paulo diz que Deus vai supri-los ricamente. Muitos tentam aplicar este versículo mas esquecem que Deus supre os doadores e não os que apenas pedem! Quando sua panela estiver quase vazia e a botija faltando azeite, lembre-se de fazer um bolo para Elias, o profeta de Deus. Aí o seu pouco durará três anos e seis meses. Quem já ouviu falar de tal coisa? Isso não dá para uma refeição, mas se for dado a Deus primeiro, sua vida poderá ser sustentada por esse pouco.


A PRÁTICA CRISTÃ É DAR 
O Antigo e o Novo Testamento enfatizam a mesma coisa. Existe pobreza em nosso meio? A razão pode ser o apego ao que temos. Quanto mais nos amamos, mais fome teremos. Se a questão do dinheiro não for resolvida, nada será resolvido. Qualquer que considera o dinheiro como algo grande, está próximo da pobreza. Posso não ter condições de testemunhar de outras coisas, mas dessa eu posso: quanto mais seguramos o dinheiro, mais pobres nos tornamos. Vamos soltar o dinheiro, permitindo que ele realize milagres para Deus.

O gado nas montanhas e as ovelhas nos campos, pertencem a Deus. Quem é tolo em pensar que pode ser dono disso? Que o dinheiro da igreja seja vivo. Coloquemo-nos na Palavra de Deus, senão ele não terá como realizar Sua Palavra em nós. Vamos nos dar primeiro ao Senhor e depois soltar nosso dinheiro para que Ele possa nos dar.

SETE FORMAS DE DAR 
1. Descuidada: Damos para toda causa, sem discriminação
2. Impulsiva: Damos sem meditação
3. Preguiçosa: Fazemos bazares, etc
4. Egocêntrica: Tocando trombeta
5. Sistemática: Dando como hábito
6. Imparcial: Dando a quem precisa e a quem Deus indicar
7. Sacrificial: Dando do necessário

Autor: Watchman Nee
Traduzido por Delcio Meireles
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2º 19125, 05122018

terça-feira, 20 de novembro de 2018

A Importância da Segurança da Fé

A segurança da fé é a convicção de pertencer a Cristo por meio da fé e desfrutar a salvação eterna. Aquele que tem essa segurança não somente crê na justiça de Cristo para a sua salvação, mas também sabe que crê e que é amado graciosamente por Deus.

Essa segurança é ampla em seu escopo. Inclui liberdade da culpa do pecado, alegria no relacionamento com o Deus trino e um senso de pertencer à família de Deus. James W. Alexander disse que a segurança “leva consigo a idéia de plenitude, tal como uma árvore carregada de frutos ou como as velas de um navio enchidas por ventos favoráveis”.

A segurança é conhecida por seus frutos, tais como a comunhão íntima com Deus, a obediência submissa, sede de Deus e anelo por glorificá-lo, cumprindo a Grande Comissão. A segurança prevê, em oração, o avivamento, mantendo-se submissa à esperança escatológica. Os crentes que têm essa segurança vêem o céu como o seu lar, anseiam pela segunda vinda de Cristo e pela trasladação à glória (2 Tm 4.6-8).

A segurança sempre foi um assunto vital. Sua importância é mais crucial agora porque vivemos em dias de segurança mínima. E, o que é pior, muitos não compreendem isso. O desejo de comunhão com Deus, o anseio pela glória de Deus e pelo céu e a intercessão em favor de avivamento parecem lânguidos. Isso acontece quando a ênfase da igreja na felicidade terrena sobrepuja a convicção de que ela está peregrinando neste mundo em direção a Deus e à glória.

A necessidade de uma doutrina de segurança alicerçada nas Escrituras é fortalecida pela ênfase da cultura nos sentimentos. A maneira como sentimos as coisas toma geralmente a precedência em relação ao que sabemos e cremos. Essa atitude infiltrou-se na igreja. O crescimento extraordinário do movimento carismático pode ser atribuído, em parte, a um cristianismo formal e sem vida, pois o movimento carismático oferece aos seus adeptos emoção e estímulos para encherem o vazio criado pela falta de verdadeira segurança da fé, bem como pela ausência de seus frutos. Hoje, necessitamos desesperadamente do pensar doutrinário acompanhado do viver santificado e vibrante.

Este artigo trata de questões, dificuldades e assuntos associados à segurança da fé. Consideremos cinco razões importante por que devemos crescer nesta segurança.

Integridade de Fé e Vida
Nosso entendimento da segurança da fé determina a integridade de nossa compreensão a respeito da vida espiritual. Podemos estar certos em muitas áreas e incorretos em nosso entendimento desta doutrina fundamental das Escrituras.

Muitos pensam erroneamente que são cristãos. Tememos que inúmeras pessoas que se consideram cristãs despertarão no inferno, em horror eterno.

O problema envolvido no “crer fácil” é que as pessoas não examinam se a sua fé é genuína e está bem fundamentada. Esse erro talvez seja mais bem designado como a “segurança fácil” e não o “crer fácil”. Eles reivindicam a segurança sem possuírem um fundamento para ela. Erros a respeito de como uma pessoa chega à segurança da fé podem conduzir facilmente a uma segurança falsa. Um entendimento correto da segurança da fé nos ajuda a evitar essa presunção.

Um ponto de vista errado a respeito da segurança pode impedir-nos de ter segurança, quando deveríamos tê-la. Alguns filhos de Deus verdadeiros não crêem que são filhos de Deus. Aceitam um tipo de “crer difícil”, procurando evidências pelas quais não têm o direito de esperar. Pode haver evidência firme e bíblica de que eles são filhos de Deus, mas não estão satisfeitos com isso. Eles mesmos são o maior obstáculo na obtenção da segurança. Um entendimento correto da segurança da fé também é importante nesse caso.

Aqueles que têm uma compreensão apropriada da segurança evitarão tanto o crer fácil como o crer difícil. A segurança não será um benefício automático. Eles não se tornarão seguros de sua fé sem uma evidência de fé sólida e bíblica operando em sua vida. Ficarão cientes do perigo do crer fácil e examinarão regularmente seus coração e vida à luz da Palavra de Deus. Por outro lado, eles reconhecerão em sua vida a evidência do novo nascimento e perceberão a sua presença. Quando sentirem anseio genuíno por Deus e ódio pelo pecado, reconhecerão essas coisas como obra do Espírito Santo e serão consolados por elas. Não desprezarão as dias das coisas humildes. Sem esses dias, poucos filhos de Deus ficarão seguros quanto à sua fé.

Paz com Deus
A segurança é inseparável da paz e do consolo do evangelho. A segurança de que somos nascidos de Deus é necessária, se temos de experimentar paz, amor e alegria. Experimentar verdadeira paz e alegria no Senhor enriquece grandemente a nossa vida, enquanto estamos neste mundo. Essa é uma das razões por que Thomas Brooks intitulou de Heaven and Earth (Céu e Terra) o seu livro sobre a segurança da fé. A segurança está relacionada com a paz e a alegria do evangelho e precisa ser cultivada.

Como cristãos, devemos desejar esses dons, porque somos exibições do evangelho. Filipenses 2.15 nos ensina: “Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo”. Manter uma atmosfera de paz e alegria é uma das maneiras pelas quais o crente pode resplandecer como luz neste mundo perverso. Que tipo de idéias o mundo nutre a respeito de Deus, se o povo de Deus não mostra que servir ao Senhor é algo maravilhoso? Que tipo de afirmação fazemos a respeito de Deus, se as pessoas não podem detectar em nós a paz e a alegria tranqüilas que nos distinguem?

Isso não significa que os cristãos não terão tempos de tristeza por causa do pecado, dificuldades e dúvidas. Mas as Escrituras são bastante claras em dizer que os cristãos procuram normalmente exibir paz e alegria no Senhor. Para fazermos isso, precisamos estar seguros de nossa fé.

Serviço Cristão
Um cristão seguro é um cristão ativo. Paulo disse aos cristãos de Tessalônica: “O nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção” (1 Ts 1.5). O evangelho foi abençoado em Tessalônica de modo que houve muita convicção. E Paulo acrescentou: “De sorte que vos tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia. Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma” (vv. 7-8). Quão admirável! Aqueles cristãos, recém-convertidos, repercutiram a Palavra de Deus; ou seja, eles evangelizaram. Assim, quando Paulo chegou à região deles, descobriu que a Palavra de Deus já estava ali. Essas pessoas se mostraram zelosas por Deus, porque estavam seguras de sua salvação.

Um cristão que não possui segurança raramente se interessa por boas obras. Em vez disso, seu vigor espiritual é consumido em questionar se é salvo ou não. Quando essa dúvida não é resolvida, a pessoa fica incerta quanto a ajudar os outros no serviço do Senhor. Como o disse J. C. Ryle: “O crente ao qual falta uma firme esperança passa grande parte do seu tempo sondando o próprio coração acerca de seu próprio estado de alma. Tal como uma pessoa nervosa e hipocondríaca, ele encherá a cabeça com as suas próprias indisposições, com as suas próprias dúvidas e perguntas, com seus próprios conflitos e corrupções. Em suma, tal crente ficará com freqüência tão absorvido com seus conflitos íntimos que pouco tempo lhe restará para outras coisas e para trabalhar para Deus” (“Segurança”, em Santidade sem a qual Ninguém Verá o Senhor, Editora Fiel, 2009, p. 159).

Ás vezes, pensamos que nosso propósito aqui na terra é somente achar a salvação; uma vez que somos salvos, temos pouco a fazer até chegarmos ao céu. A conversão é vista como um fim em si mesmo. Mas isso não é verdade. Somos convertidos para cumprir um propósito: servir a Deus no mundo. 1 Pedro 2.9 nos diz por que Deus resolveu converter pessoas: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Deus nos converte para que proclamemos as suas virtudes. Somos convertidos para servir a Deus e ao nosso próximo. Se nos falta segurança, nosso servir a Deus não será entusiasta.

Comunhão com Deus
A segurança é valiosa porque enriquece a nossa comunhão com Deus. Como uma pessoa pode ter comunhão íntima com Deus, se teme que Deus está irado? Quão difícil seria termos comunhão com um filho que está sempre com medo de nós. O filho nunca fica tranqüilo e jamais aceita nossas expressões de amor. Nessa atmosfera, um relacionamento íntimo é impossível.

Por contraste, considere a segurança implícita no Cântico dos Cânticos, quando a noiva disse: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”. Aqui há comunhão, interação, um relacionamento caloroso e digno, amor e confiança, por parte da noiva, no fato de que o amor é mútuo. Esse é o tipo de comunhão que o Senhor deseja ter com seu povo. Ele descreve freqüentemente seu relacionamento com eles em termos que implicam intimidade: Pai e filhos, Esposo e esposa, Noivo e noiva, Cabeça e corpo. O Senhor usa o mais íntimo dos relacionamentos da vida para descrever o relacionamento que deseja ter com seu povo. É óbvio que a segurança é necessária para desenvolvermos esse tipo de relacionamento.

Santidade ao Senhor
Finalmente, a segurança é crucial porque torna o cristão mais santo. Falando sobre a segurança que resulta do conhecimento de que somos filhos do Pai, João disse: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1 Jo 3.3).

A segurança que não conduz a um viver mais santo é falsa. Aquele que tem a segurança bem fundamentada, que experimenta paz e alegria, que se ocupa com a obra do Senhor e vive em comunhão íntima com Deus é uma pessoa santa. Um crente não pode persistir nos altos níveis de segurança enquanto persiste em baixos níveis de santidade.

A segurança nos traz a um contato íntimo com o poder de Deus. Quando desfrutamos de um relacionamento de confiança com Deus e descansamos em sua misericórdia e graça, nossos corações são inflamados pelo amor a Deus. Esse amor nos dá poder para um viver santo. Quanto mais íntimos somos de Deus, tanto mais amor teremos por ele e tanto mais pura será a nossa vida. Uma pessoa santa é motivada por amor a Deus, por causa de Cristo. O amor de Cristo constrange o homem santo (2 Co 5.14).

Assim você pode perceber quão importante é este assunto da segurança. É possível alguém ser salvo e não ter segurança. Contudo, é quase impossível alguém ser um cristão sadio se não possui a segurança da fé. Você pode objetar: as Escrituras não afirmam que Deus tem interesse especial por pecadores necessitados e pobres? Se ele parar de ser pobre e necessitado, há motivo para duvidarmos que a sua segurança está alicerçada em bases sólidas. Cristo tem de crescer, e ele diminuir (Jo 3.30).

O Senhor está perto daqueles que têm um coração quebrantado, um espírito contrito e ainda não têm a segurança da fé. Mas isso não leva a concluir disso que essa seja uma condição desejável. Se somos pobres e necessitados sem a segurança da fé, devemos buscá-la.

Conclusão
A segurança é vital para o nosso bem-estar espiritual. Algumas pessoas acham que segurança indica superficialidade. Aos seus olhos, alguém é considerado suspeito se possui segurança. Na realidade, aqueles que vêem a dúvida como um sinal de profunda experiência religiosa e seguem em direção a Deus e à glória sem a segurança da fé, esses têm apenas um entendimento superficial das Escrituras. Um entendimento mais profundo nos leva a reconhecer a obra do Espírito em nosso coração, a conhecê-la e descansar no Senhor Jesus Cristo, com fé semelhante à de uma criança.

Autor: Joel Beeke
Extraído do Blog Voltemos ao Evangelho do Ministério Fiel

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