Palavras de Vida Eterna


Mostrando postagens com marcador Espírito Santo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espírito Santo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de março de 2021

O Poder do Alto

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. (At 1:8).

A maior necessidade da natureza humana é o poder. O homem é mais fraco do que qualquer outra criatura. O filhote do tigre pode cuidar de si mesmo, mas o ser humano gasta um terço de seu tempo habitual de vida até que alcance maturidade. Ele é vítima de todos os elementos que o cercam e moralmente é ainda mais fraco. Em seu coração há elementos do mal que o arrastam para baixo, e à sua volta milhares de influências que o conduzem ao erro, mas há infinito conforto na abençoada segurança das Escrituras Sagradas; “Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios”. (Rm 5:6).

O evangelho é uma mensagem de poder. “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. (Rm 1:16). É ministério especial do Espírito Santo dar poder do alto.


Este é o Poder de uma Pessoa

A tradução correta destas palavras é: Você receberá não somente poder, mas o poder do Espírito Santo quando Ele vier sobre você. Não é seu poder, mas poder dEle. Não é poder abstrato sob seu controle, mas uma Pessoa cuja presença em você é necessária para que você possua e retenha poder.

Ele tem o poder e você O tem. Na ciência da eletricidade foi descoberto que a melhor forma na qual o poder desta energia motora pode ser usado para mover os bondes na rua não é através de baterias, mas através de fios aéreos. A energia não é armazenada no bonde, mas no gerador e no fio, o bonde apenas a toma de cima pelo contato constante. No momento em que ele deixa seu contato o poder se vai. O poder não está dentro do bonde, mas no cabo, e o poder do Espírito Santo é o poder do alto. Não é nosso poder, mas Seu poder, recebido dEle a cada momento.

A fim de receber este poder e retê-lo há algumas condições que se fazem necessárias. Uma delas é que devemos obedecê-Lo e seguir Sua direção. Somente podemos ter Seu poder no alinhamento da Sua vontade. O bonde somente pode tirar energia do cabo à medida que segue o trilho. Ele pode ter a energia para rodar ao longo da ferrovia, mas não pode tê-la para rodar nas vizinhanças e seguir a vontade caprichosa do motorneiro. O Espírito Santo é dado àqueles que O obedecem, e obediência ao Espírito Santo é uma coisa muito maior do que muitos sonham.

Não é simplesmente guardar-se de fazer o errado na esfera de algum pequeno compromisso; mas é entender e seguir toda a vontade e propósito de Deus no uso desta concessão Divina. Não podemos tê-La para nossa própria satisfação. Não podemos tê-La para nossa própria satisfação nem mesmo no método do nosso trabalho Cristão. Somente podemos desfrutar da plenitude do Espírito desde que usemos esta plenitude para a obra para a qual Ele tem nos chamado. 

Este verso é a medida e o limite do poder do Espírito. Ele é dado para que sejamos testemunhas de Cristo, “até os confins da terra”.

Nós só podemos conhecer a plenitude do poder do Espírito quando o usamos para pregar o evangelho para o mundo todo. Somente na tropa combatente de evangelização do mundo e no cumprimento de nossa grande responsabilidade a igreja de Deus pode compreender o mais alto significado da promessa do Pentecostes.


Ele é o Poder do Caráter Santo

Ele não é primeiramente o poder para o serviço, mas é o poder para receber a vida de Cristo; poder para ser, mais do que para dizer ou fazer. Nosso serviço e testemunho serão resultados de nossa vida e experiência. Nosso trabalho e palavras devem emergir do mais íntimo do nosso ser ou terá pouco poder ou eficácia. Devemos ser verdadeiros em nós mesmos, se quisermos ensinar a verdade.

A mudança produzida pelo batismo do Espírito Santo sobre os primeiros discípulos foi mais marcante em suas vidas do que em seu serviço e testemunho. Pedro, o discípulo hesitante, sempre correndo à frente de Seu Mestre, se jactando em sua autoconfiança do que deveria ou não fazer, e por isto fugiu da ameaça de uma criada, foi transformado num herói destemido que se pôs diante dos assassinos do Seu Senhor e os acusou de seu crime. Então, com espírito modesto e coração humilde, seguiu em frente para andar nos passos de Seu Mestre e finalmente morrer sobre a cruz do Seu Mestre. Este é o maior milagre em sua vida pessoal, mais do que o extraordinário poder de seu testemunho público.

O espírito de amor desinteressado que conduziu à total consagração de todos os seus recursos para o serviço de Cristo e à ajuda de uns aos outros, foi o exemplo que não poderia falhar em impressionar o mundo cético e egoísta. A enorme graça que estava sobre todos eles era mais maravilhosa do que o grande poder com o qual testificavam da morte e ressurreição de Jesus Cristo. A heroica fortaleza com a qual suportaram os sofrimentos incomparáveis, “regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus” (At 5:41), era uma exibição de poder que nenhum homem podia negar; eles carregavam um peso de convicção que nada podia contradizer.

Este é o poder que a igreja necessita hoje para convencer um mundo descrente, o poder que não fará de nós apóstolos inspirados, mas “cartas vivas, conhecidas e lidas por todos” (II Co 3:2). Nada é tão forte quanto a influência de um caráter consistente, sobrenatural e santo.


Ele é o Poder da Verdade
O Espírito Santo trabalha através das Escrituras Sagradas, assim o batismo do Pentecostes foi claramente identificado com o poder da Palavra. A primeira coisa que Pedro fez depois que o Espírito Santo veio foi citar as Escrituras e explicar a manifestação da própria Palavra inspirada de Deus. Foi um sermão escritural usado nas extraordinárias conversões daquele dia.

Se você observar cuidadosamente as diversas mensagens dos apóstolos, descobrirá que em todos os casos eles fizeram grande uso da Bíblia, e algumas das suas mensagens são simplesmente afirmações da Escritura e citações do Velho Testamento. O Espírito Santo concedeu as Sagradas Escrituras e nunca desonrará Sua própria mensagem. Quanto mais sabemos sobre Ele mais honraremos Sua Palavra. A Bíblia precisa ser sempre o fundamento do poder espiritual e o instrumento do serviço espiritual; mas isso sempre no poder do Espírito. “A letra mata, mas o Espírito vivifica” (Jo 6:63).

Este é o poder do Espírito Santo, falando a verdade em amor, a Bíblia inflamada com fogo santo, a Palavra de Deus dissolvida em unção e amor, até que possa ser cumprida em cada elemento essencial do nosso ser e se torne o nutriente de nossa vida.


Ele é o Poder do Amor
O batismo do Pentecostes foi um batismo do amor. Ele trouxe um amor por Deus que aniquilou o poder do ego. “Ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns” (At 4:32). Seus tesouros mais valorosos eram rendidos a Deus. Suas propriedades e seus lares eram empregados no serviço da igreja de Cristo. Amavam uns aos outros e estavam tão absolutamente ligados que formavam uma corporação. Não havia divisão ou lugar possível para paralisia ou mutilação de todo o corpo de Cristo. Hoje a igreja de Cristo está quebrada em pedaços. Aqui e ali encontramos um membro eficiente, mas a totalidade do corpo está mutilada e dividida, de tal forma que não é possível para o Espírito fluir com indivisível e desimpedida plenitude através do todo. Consequentemente nós não temos os dons do Espírito na mesma medida como no dia do Pentecostes. O corpo está carregando com ele enfermidade e membros dilacerados, tomando o poder daqueles que estão sadios para conduzir os que estão quebrados.

O que nós precisamos hoje é do batismo com o Espírito Santo, e então a união virá devido à unidade, e não precisaremos de nossos púlpitos e nossas convocações para reunir o corpo, mas osso a osso, membro a membro e coração a coração estará na “unidade do Espírito”, e a Igreja de Jesus Cristo será “formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército com bandeiras”. (Ct 6:10).

O batismo do Espírito Santo sempre trará um espírito de amor. Ele encherá o coração com devoção e dedicação a Deus, com terna consideração uns pelos outros, com amor e respeito pelo nosso irmão, com desejo intenso pela salvação das almas e com brandura e pureza para com todos os homens. 

Autor: A.B.Simpson
Do livro 'O Espírito Santo ou Poder do Alto'.


quarta-feira, 3 de março de 2021

O Espírito da Verdade

“Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade”, disse o Senhor aos Seus discípulos. O nome deste “Outro” que viria a eles o Senhor dá primeiro como “O Consolador” – uma Pessoa tão verdadeira como Ele realmente era. Um outro que “fique convosco”, um “Paracleto”, significando muito mais do que a palavra “Consolador” transmite. Alguém chamado para defender, apoiar, aconselhar, socorrer e confortar. Em tudo isso nos regozijamos, pois não necessitamos de um Conselheiro neste mundo de sofrimentos, Alguém que nos defenda, apoie, aconselhe e socorra?

Temos a tendência de esquecer que com o nome “Consolador” foi dado um acréscimo pelo Senhor, que define e limita seu significado. Ele disse, “Ele vos enviará outro Consolador... o Espírito da Verdade”. (Jo 14:16-17); “Quando vier o Consolador... o Espírito da Verdade”. (Jo 15:26). “Mas quando vier aquele Espírito da Verdade” (Jo 16:13).

O nome Consolador, portanto, descreve Sua obra, mas o nome Espírito da Verdade descreve Seu caráter essencial; tudo o que Ele faz nos homens e pelos homens como Consolador faz de acordo com Seu caráter como Espírito da Verdade. Se é invocado por algum crente para defender, suportar, aconselhar, socorrer e confortar, Ele só atua em todas estas formas como o Espírito da Verdade, defendendo, suportando, aconselhando, socorrendo e confortando em concordância com a verdade e somente com a verdade. O caráter essencial do Espírito de Deus, como o Espírito da Verdade, precisa ser enfatizado no tempo presente quando estamos dispostos a pensar nEle somente como o Espírito de Poder ou de Amor, na Sua obra na vida do crente.

Qual é a suprema evidência de que um homem é cheio do Espírito? Alguns dizem poder, enquanto outros dizem amor; mas se considerarmos cuidadosamente à luz da Palavra de Deus, veremos que a verdade vem antes do poder, e até mesmo antes do amor, e que para que o poder e o amor sejam verdadeiramente de Deus no crente, é necessário ter a verdade como fundamento. As marcas da natureza Divina que fazem distinção de todas as outras imitações são primeiro a verdade, então o amor. Isto com certeza é a verdade do Espírito de Deus, pois Ele é poder, e Ele é Amor, mas Ele antes de tudo é o Espírito da Verdade procedente do Pai, através Filho, no mundo.

Nas últimas palavras do Senhor aos discípulos antes da crucificação, Ele definiu muito claramente a obra do Espírito da Verdade, quando viesse habitar entre os homens. Isto pode ser brevemente sumarizado como segue:

Como o Espírito da Verdade Ele faz os discípulos saberem a verdade sobre:
a) A união de Cristo com o Pai – “Estou em meu Pai”;
b) A união do crente com Cristo – “Vós em mim”;
c) A habitação de Cristo no crente – “Eu em vós” (Jo 14:20).

Isto sendo estabelecido por Sua habitação, o Espírito da Verdade então ensina aos crentes a verdade como personificada nas palavras de Cristo (Jo 14:26);
Dar testemunho de Cristo (Jo 15:26), e
Guiar o crente em toda a verdade (Jo 14:26).

Não somente as verdades sobre Deus, mas as verdades concernentes a todas as coisas como são do ponto de vista de Deus; a condição do homem; a excessiva pecaminosidade do pecado; a verdade concernente ao arqui-inimigo do Filho de Deus – em resumo, a verdade sobre nós e em nós como vista pelo Deus da Verdade. O homem na sua condição de perdido é permeado com o espírito do engano – o espírito de Satanás –que outrora conheceu a verdade, mas não se firmou nela (Jo 8:44).

Geralmente pensamos na mentira como o ato de falar o que não é verdade, não temos pleno entendimento de que a natureza de Satanás é a corporificação do engano, assim como Cristo – não somente em atos e em palavras, mas em natureza – era e é da verdade. O Senhor tornou isto claro em Suas palavras aos Fariseus quando disse de Satanás: “Não há verdade nele”; portanto, “quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira”. O mundo todo está sob o controle do maligno e respira nele, por assim dizer, o genuíno ar do engano na mentalidade concernente a todas as coisas ao seu redor, e particularmente concernentes a eles mesmos. “O que é a verdade?” disse Pilatos, e “O que é a verdade?” os homens continuam a bradar, enquanto continuam cegados pela vida caída de Adão, cheia do veneno do inimigo de Deus que cega as mentes dos que não creem na verdade de Deus. Por esta razão o mundo está cheio de homens crendo no engano sobre Deus, sobre eles mesmos, e sobre Satanás – crendo até que o engano seja a verdade pela sutil cegueira do inimigo.

O Espírito de Deus veio a um mundo poluído pela mentira como o Espírito da Verdade, para revelar a verdade e produzir testemunho para a verdade, que em seu mais amplo significado pode ser descrita como a visão das coisas como Deus as vê – pois só isso é verdade.

A Verdade Liberta
Muitos homens, mesmo os religiosos, podem ignorar a verdade; é o que vemos através de uma das conversas do Senhor com os Fariseus. Aquele que é a Verdade disse “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Que o véu do engano os envolvia, apesar de seu conhecimento das Escrituras, era evidente em sua rápida resposta, “nunca fomos escravos de ninguém!” “Aquele que comete pecado é escravo do pecado”, replicou o Senhor, que conhecia a verdade sobre o pecado e a real condição deles. Estes homens religiosos viviam e agiam dia a dia crendo numa mentira. Eles pensavam que eram justos e que nunca estiveram em escravidão, mesmo sendo escravos do pecado o tempo todo. Eles precisavam conhecer a verdade e nada mais do que a verdade poderia os tornar livres. Algo vital para todos nós é que deveríamos conhecer a verdade por revelação do Espírito da Verdade. Apenas Ele pode nos guiar em toda a verdade, e isto Ele somente pode fazer ao reconhecermos nossa necessidade da verdade, ao admitirmos que a vida caída de Adão é tão envenenada pelo espírito da mentira que não há verdade nela, e que a verdade, como Deus é a verdade, somente pode vir a nós por meio e diretamente do Espírito da Verdade.

A suprema evidência de que o Espírito de Deus possui e enche um crente é a presença nele do Espírito Santo como o Espírito da Verdade, que o faz amar a verdade, desejar a verdade, buscar a verdade, obedecer à verdade; testemunhar da verdade e sofrer pela verdade, porque ele não pode agir contrário à verdade que o iluminou e tomou posse de seu ser mais interior.

“Quando o Espírito da Verdade vier” disse o Senhor, “Ele os guiará em toda a verdade”. Que Ele habita no meio dos crentes cheios do Espírito como o Espírito da Verdade se percebe pelo fato de que o primeiro registro de agravo ao Espírito não foi por um pecado contra Ele como Espírito de amor, mas como Espírito da Verdade. Andar em Verdade mostrou ser a suprema condição para não extinguir a presença do Espírito de Deus dentre os crentes pelo severo julgamento do Espírito da Verdade, como aconteceu através de Pedro, no caso de Ananias e Safira. Pedro não sacrificou a verdade por amor em uma vã expectação de obter um acordo da comunidade, mas o amor foi conservado pelo severo tratamento da verdade. O pecado não poderia ser coberto ou minimizado. Ananias reteve parte do preço de sua terra mas o apresentou como se fosse o total. Não parece que falou uma mentira. Ele tentou parecer o que ele não era. Foi sua esposa que falou a nua mentira, mas o Espírito da Verdade, possuindo Pedro, revelou a verdade com poder incisivo, e com palavras sucintas e claras, descrevendo a ação como ela era no ponto de vista do Deus da Verdade. Exatamente como Cristo certa vez disse claramente a Pedro, “Arreda, Satanás”, porque viu a fonte de suas palavras, assim Pedro expôs ali Satanás como o pai da mentira dizendo a Ananias, “Por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?”

Este registro sobre Ananias mostra que o Espírito da Verdade é a primeira prova da pureza e poder do Espírito quando possui um homem. Este é o poder do Pentecostes que a Igreja de Deus precisa. Esta clara visão da verdade em si mesma, da condição dos homens, da obra de Satanás e da santidade de Deus. O poder afiado como faca no tratamento com tudo aquilo que é contrário à verdade é a marca suprema de que o Espírito da Verdade possui e controla os crentes em Seu mais amplo poder.

O Espírito da Verdade foi o co-testemunho da verdade sobre a morte e ressurreição do Senhor Jesus, e que capacitou os apóstolos a corajosamente proclamar a verdade ao povo de Jerusalém, sabendo que Deus levantaria testemunhas para Seu Filho. Foi o Espírito da Verdade que então os usou para impor sobre a nação a verdade de que haviam matado o Cristo de Deus.

“O Reino de Deus não constitui em palavras, mas em poder”, escreveu o apóstolo Paulo aos Coríntios. Não em falar, mas em efetuar! “E Ele”, o Espírito da Verdade, “quando vier, convencerá”. Esta é a necessidade da Igreja neste tempo, convicção do pecado, da justiça e do juízo, para ver a verdade sobre o pecado como Deus a vê, e ter assim o Espírito da Verdade habitando em cada crente para que, hora após hora, seja guiado em toda verdade concernente às coisas ao seu redor e dentro de si como elas são na visão de Deus; afim de ser uma testemunha fiel da verdade em todos os tempos e em todos os lugares.

Está muito claro que a natureza Divina é primeiro Verdade e então Amor, e que a característica da natureza Divina comunicada a um crente pela vinda, habitação e enchimento do Espírito Santo traz as mesmas marcas. A alma, cheia como estava a de Pedro no Pentecostes, será cheia do Espírito da Verdade. O crente possuído pelo Espírito Santo da mesma forma com que Paulo foi terá o mesmo discernimento aguçado sobre o que é a verdade e a mesma abnegada fidelidade em obediência ao Espírito da Verdade, “falando a verdade em amor” (Ef 4:15) e será também compelido pelo Espírito nele para reconhecer o mesmo Espírito da Verdade em outros.

Verdade Reconhecível Pela Verdade
Verdade é verdade em todo lugar e traz convicção da verdade a todo aquele que conhece o Espírito da Verdade. É este fato que o apóstolo João descreve em palavras que parecem muito fortes e também sensatas à luz do Espírito da Verdade interior. “Nós somos de Deus; quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. Assim é que conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro”. (I Jo 4:6). Então há algo mais profundo para testar o que é verdade e o que é erro, até mesmo a prova dos espíritos pelo teste de I João 4:2, de acordo com estas palavras do Apóstolo João. Cristo não pode ser dividido! Nem pode o Espírito da Verdade em um crente ser contrário ao Espírito da Verdade em outro crente ao mesmo tempo. Foi assim que o Senhor Mesmo declarou quando disse, “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”.

A verdade é verdade, e a verdade vencerá todas as coisas opostas a ela. Ela exigirá o reconhecimento pelo co-testemunho do Espírito da Verdade. “Pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus” (II Co 4:2), escreveu o apóstolo. A consciência humana reconhece a verdade. Ela não precisa de argumentos, nem defesa, ou apoio. Ela requer apenas testemunho, Deus fará o resto! Deixemos que o Espírito da Verdade nos guie em toda a verdade, pela revelação da verdade, por nosso desejo pela verdade, pela nossa obediência à verdade, pelo nosso andar em verdade e pelo nosso falar a verdade, até que o Espírito da Verdade então sopre através de nós que Ele pode convencer e revelar a verdade a outros que buscam a luz da verdade.

Autora: Jessie Penn-Lewis
Extraído da Revista O Vencedor

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

O Poder do Espírito Santo

A palavra Grega “dunamis”, que é usada em estreita conexão com a obra do Espírito Santo de Deus, em e através de Seu povo, significa capacidade natural, poder inerente, habilidade para realizar qualquer coisa, não meramente poder capaz de ação, mas poder em ação.

Na segunda Epístola aos Coríntios ela é usada em numerosas ocasiões. Na primeira Epístola o poder é atribuído à “mensagem da Cruz” (1:18); Cristo é declarado como “o poder de Deus” (1:24); mais tarde nos é dito que “o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” (4:20). A frase “o poder do nosso Senhor Jesus” é usada no próximo capítulo (5:4); o poder é em seguida atribuído a Deus (6:14); e finalmente lemos sobre o poder relacionado com a ressurreição da morte (15:43; ver também Fp 3:10). Aqui está o poder em ação, inerente em Deus e visto em todas as obras do Seu Reino. Ele é o Todo Poderoso e o poder absoluto é um de Seus atributos.

Na segunda Epístola, Paulo fala da vida Cristã: “Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte” (4:6-7). Todo poder é inerente a Deus e é quando Ele está guardado no coração humano que é dada capacidade para se viver como um Cristão para a Sua glória. Mais tarde, falando do obreiro Cristão, o Apóstolo menciona como parte de seu equipamento; “na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça à direita e à esquerda” (6:7). Colocar o poder entre a verdade e a justiça certamente é importante, pois estes três não podem ser separados. Depois Paulo nos dá um vislumbre de sua própria experiência e, após nos falar de seu espinho na carne e de sua fervorosa intercessão pela remoção do mesmo, escreve; “E ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo” (12:9). A lição prática que sempre deve ser aprendida sobre o poder, é que “O poder pertence a Deus” (Sl 62:11) e somente pode ser exercitado através de nós quando conhecemos como realidade algo da nossa fraqueza. Finalmente nos é dado um vislumbre deste princípio em operação pela forma na qual mesmo o Senhor Jesus Cristo deliberadamente pôs de lado Seu próprio poder como Deus e confiou somente no poder do Pai, “Ainda que foi crucificado por fraqueza, vive contudo pelo poder de Deus” (13:4).

Retornemos agora àqueles lugares onde o poder está diretamente associado ao Espírito Santo de Deus. O evangelho de Lucas contém uma ou duas passagens interessantes. Em Lucas 1:15 é dito a Zacarias: João “será cheio do Espírito Santo”, e quando lemos mais nos é mostrada a forma particular na qual este enchimento molda seu caminho: “Ele irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias... a fim de preparar para o Senhor um povo apercebido” (1:17). Os termos da comissão de João são claros, e ele deve ser equipado com poder para esta obra, o qual só é encontrado na presença do Espírito Santo, cujo propósito é entregar sua vida para que a vontade de Deus possa ser feita. Fora do âmbito da vontade de Deus não há poder.

Quando Gabriel diz a Maria que ela seria mãe do Redentor, ela pergunta maravilhada, “Como se fará isso, uma vez que não conheço varão?” Ela recebe a certeza, “Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus” (1:34-35). O Próprio Deus se curvou para operar o poderoso milagre da Encarnação num corpo humano. A humilde prontidão para Sua vontade foi a parte de Maria, o poder foi de Deus. É sempre assim em todo Seu tratamento para conosco.

Em Lucas 4:14 lemos que quando o Senhor Jesus enfrentou e venceu o Tentador no deserto, Ele “voltou para a Galileia no poder do Espírito; e a sua fama correu por toda a circunvizinhança”. No verso 36 encontramos este comentário, “E veio espanto sobre todos, e falavam entre si, perguntando uns aos outros: Que palavra é esta, pois com autoridade e poder ordena aos espíritos imundos, e eles saem?” Novamente este era o poder visto em ação e as pessoas, reconhecendo sua realidade, ficavam maravilhadas.

A referência final a ser tratada neste evangelho é Lucas 24:49. O Senhor Jesus Cristo definiu explicitamente a comissão dos Seus discípulos. Eles deveriam ser testemunhas de Sua morte e ressurreição, e proclamar no Seu Nome a oferta de perdão ao arrependido. Então disse; “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porém, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder”. O poder e a autoridade são entrelaçados. A autoridade do nosso testemunho é afiançada pela procuração do Espírito. Não temos qualquer direito de tentar sustentar nosso testemunho sem essa procuração. Foi escrito sobre este assunto que ‘Recebemos o Espírito Santo, e Ele concede, ou antes se torna em nós, poder; e mesmo este poder cessará de ser exercido no momento em que nos tornamos auto dependentes ou autoconfiantes. A única esperança do crente ou da Igreja por poder na oração ou na pregação, ou no viver para Deus ou no trabalhar com Deus é encontrado na perpétua possessão e operação do Espírito Santo.

Comentando sobre Romanos 6:13 o Bispo Moule escreve: ‘O Apóstolo de fato chama o crente para se render a Deus o Espírito Santo como a um Poder e Presença que já habita interiormente em viva realidade, mas que está esperando, como esteve antes, pelas boas-vindas da alma para vir para dentro e tomar inteira possessão de todo o círculo e âmbito da vida. É um chamado para deixar a água que brota da montanha de Deus aumentar no crente, em seus propósitos e afeições, em suas obras e vontades, calma e seguramente na direção do seu bendito nível’. Deixemos bem claro aqui que, a obra de Deus só pode ser feita pelo poder do Seu Espírito, e como indivíduos precisamos tratar bem de perto com Ele para nos assegurar que estamos ligados a esta Pessoa, a Fonte de toda obra eficaz. Também nunca devemos nos esquecer que Ele, Que é o poder de Deus, somente nos usará para a tarefa que Deus já planejou para nós.

Atos 1:8 reitera a promessa e conclui o mandamento de Lucas 24:49, “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. O propósito do poder trazido pelo Espírito interior era para testemunhar. As trevas do coração humano só podem ser penetradas e iluminadas pelo poder do Espírito. Evidência, argumento, persuasão e até a pregação são de nenhum proveito sem ele. O testemunho Cristão não deve ser apenas fiel mas também frutífero, e isto é garantido por uma busca pessoal, que conta com a capacitação do Espírito Santo.

Nos primeiros versos de Atos 3 ocorre um notável milagre e no verso 12 lemos que quando Pedro viu que o povo correu a se ajuntar disse a eles, “Varões israelitas, por que vos admirais deste homem? Ou, por que fitais os olhos em nós, como se por nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?” Em nossos dias há em alguns círculos muita conversa sobre curas e poderes milagrosos, mas há também muitos tristes fracassos. O sensacionalismo é sempre perigoso, e o assim chamado milagre – que precisa da propaganda humana para chamar a atenção do povo – geralmente é falsificação. Pedro estava preocupado que o povo não pudesse entender o que tinha acontecido e ansioso para ver que toda honra fosse rendida a Ele, Quem sozinho opera maravilhas. Para citar o Bispo Moule outra vez, “Eu não seria enganado” ele escreve, “como se pretendesse relegar apenas à era apostólica toda as manifestações da presença e poder de Deus através de Seu povo em forma de sinais e maravilhas. Concluo, tanto da história da Igreja como da Escritura em I Coríntios 13:8, que de maneira geral o comumente chamado milagre demonstra que o poder foi destinado somente aos primeiros dias apenas... Creio que perigos sutis e fortes tentações jazem ocultas onde os Cristãos ou a comunidade esta ansiosa pelo dom de tais faculdades miraculosas mais do que por um contínuo aprofundamento na humilhação do ego diante do Deus Santo e de um mais próximo e mais disciplinado andar com Ele’. Que palavras sábias! Ninguém em seu são juízo poderia negar que Deus pode e opera obras milagrosas em nossos dias, mas onde o milagre é incitado e toma o centro do palco, temos somente uma exibição do ego que não apenas fracassará mas será positivamente perigoso.

Nossa palavra também é usada em íntima conexão com o Espírito de Deus para descrever a eficácia do testemunho dos apóstolos, mesmo quando resistidos e perseguidos (4:3). O poder é dado como uma das qualificações que fizeram Estevão apto para o seu ofício como um diácono; e o Senhor Jesus Cristo é declarado durante Seu ministério terrestre como sendo cheio do poder Divino (10:38).

As Epístolas não nos proveem muitos exemplos de acoplamento do Espírito Santo e poder juntos. Romanos 15:13 dá como uma das evidências do poder do Espírito Santo operando na vida, “para que abundeis na esperança”. Isto certamente é um milagre da graça, quando uma pessoa pode ver além do material que a cerca por todos os lados, e estar animado com esperança mesmo nas mais densas trevas e nas situações mais desanimadoras. No verso 19 Paulo fala do “poder de sinais e prodígios, no poder do Espírito Santo; de modo que desde Jerusalém e arredores, até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo”. A demonstração de poder aqui é novamente vista para conduzir todos os pensamentos a um só fim; a glória de Cristo e a proclamação da Sua graça salvadora.

Em I Coríntios 2:4-5 Paulo avalia sua própria pregação, que “não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”; seguramente o único objetivo digno da pregação.

As Epístolas aos Tessalonicenses nos proveem com um contraste. Na primeira Paulo escreve, “porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção” e tomamos a imagem deste grupo de homens e mulheres emancipados estabelecidos em uma Colônia Romana, cuja nova fé fundada era óbvia para aqueles entre os quais viviam e, se odiada por alguns, era respeitada por todos (1:5). Na segunda carta encontramos direta advertência contra aquele cuja vinda “é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem” (2:9-10).

Mais uma referência poderia ser considerada relevante e planejada para trazer real regozijo e segurança a todo coração verdadeiramente Cristão, “Porque Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (II Tm 1:7). Que maravilhosa combinação de elementos, e quão descritiva do poder e do amor, o gracioso método do Espírito Santo! Este é o poder que você e eu precisamos conhecer em toda a sua plenitude para que também possamos ser cheios do poder no testemunho e ver, em qualquer área na qual é Seu prazer operar, os milagres que redundem para Sua e somente Sua glória, por toda a eternidade.

Autor: J.C. Metcalfe
Do livro: “A Bíblia e a Vida Cheia do Espírito” (The Bible and the Spirit-filled Life)
Extraído da Revista O Vencedor


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O Ministério do Espírito Santo

A Igreja é atacada por três correntes poderosas que operam traiçoeiramente para desvia-la do seu curso. O materialismo, que nega ou ignora o sobrenatural e se concentra sobre o melhoramento das condições exteriores da vida humana; o criticismo, que é engenhoso em análise e dissecação, porém incapaz de construir um fundamento no qual a fé possa se basear e descansar; e o gosto literário refinado, que se desenvolveu recentemente e que se dispõe a avaliar o poder pela força das palavras.

Para tudo isso só existe uma resposta, que não é um sistema, um credo ou uma igreja, mas o Cristo vivo, que foi morto mas vive para sempre, e tem as chaves para destrancar todas as perplexidades, problemas e carências. Embora a sociedade possa ser reconstituída e as necessidades materiais regularmente supridas, o descontentamento poderá surgir novamente de alguma outra forma, a menos que o coração esteja satisfeito com o Seu amor. A verdade que Ele revela para a alma e que está centrada nEle Mesmo por si só capaz de satisfazer o apetite consumidor da mente.

Jesus Cristo, o Filho de Deus eternamente vivo, é a suprema resposta para a inquietação e labuta de nossos dias. Mas Ele não pode, e não vai revelar a Si Mesmo. Cada pessoa na Santa Trindade revela uma outra. O Filho revela o Pai, mas a Sua própria revelação aguarda o testemunho do Espírito Santo, o qual, ainda que muitas vezes dado diretamente, é amplamente dado através da igreja. O que precisamos, e o que o mundo aguarda, é o Filho de Deus, testemunhado e revelado em toda a Sua radiante beleza pelo ministério do Espírito Santo, que Ele realiza com e através dos santos que compõem a igreja. 

Em alguns lugares parece se supor que o Espírito Santo é a solução para as perplexidades do nosso tempo. Hoje não sabemos o que podemos testemunhar em alguma era vindoura, mas nesta é claro que Deus na pessoa de Cristo é a única resposta divina. Eis aqui o ‘sim e amém’ de Deus, o Alfa e o Ômega, a luz para o cego, a cura para o paralítico, a limpeza para o poluído, a vida para o morto, o evangelho para o pobre, triste e desconsolado.

Presentemente desejamos a concessão graciosa do Espírito que pode tomar mais profundamente das coisas de Cristo e revela-las a nós. Quando os discípulos pediram para conhecer o Pai, o Senhor disse, ‘Aquele que viu a Mim viu o Pai. É a Sua glória que brilha em Minha face, Sua vontade que molda Minha vida, Seu propósito que é cumprido em Meu ministério’. Então o abençoado Paracleto poderá voltar nosso pensamento e atenção de Si Mesmo para Aquele, com quem Ele é Um na Santa Trindade, o qual Ele veio revelar.

Através dos chamados séculos Cristãos, a voz do Espírito Santo tem levantado testemunhas para o Senhor. Diretamente, em cada estímulo difundido da consciência humana, em cada avivamento, em cada era de avanço no conhecimento da verdade divina, em cada alma que tem sido regenerada, consolada ou ensinada. Indiretamente, Sua obra tem sido conduzida pela igreja, o corpo daqueles que crêem. Mas, infelizmente, quão tristemente Seu testemunho tem sido enfraquecido e estorvado pelo instrumento através do qual ele deve vir. Ele não tem sido capaz de fazer muitas obras poderosas por causa da incredulidade, que mantém fechada e trancada as avenidas pelas quais Ele teria fluido Seu agradável testemunho ao mundo espiritual, do Senhor glorificado. 

As divisões da igreja, sua discussão sobre assuntos de relativa insignificância, sua valorização de pontos de diferença, seu materialismo, seu amor por si mesma, por posição e poder, seu julgamento de que é rica, cheia de bens e de nada tendo falta, quando era pobre e miserável e cega e nua. Estas coisas não apenas a privaram do seu testemunho, mas ofenderam e extinguiram o Espírito Santo, e anularam o Seu testemunho.

Autor: A.J. Gordon
Extraído da Revista O Vencedor
Extraído da Introdução do Dr. Meyer no livro do Dr. A.J.Gordon, “O Ministério do Espírito” (The Ministry Of The Spirit).


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Guiados pelo Espírito Santo, Romanos 3.13


Para muitos Cristãos a liderança do Espírito é considerada como uma sugestão de pensamentos para nossa orientação. Eles almejam e pedem por ela em vão. Quando muitas vezes pensam que a têm, ela não traz a segurança ou o conforto que eles pensam que deve ser o selo daquilo que realmente é do Espírito. Assim a preciosa verdade da liderança do Espírito, ao invés de ser um fim para toda a controvérsia e a solução de toda dificuldade, uma fonte de conforto e poder em si mesma, se torna uma causa de perplexidade e a maior de todas as dificuldades.

O erro vem de não aceitar a verdade de que o ensinamento e a liderança do Espírito são primeiramente dados na Vida e não na Mente. No momento em que a conformidade com este mundo e seu espírito é crucificada e morta, quando deliberadamente negamos e reprimimos a vida natural e a vontade da carne, somos renovados no espírito da nossa mente e deste modo ela se torna apta para provar e conhecer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12:2).

Esta conexão entre a obra prática santificadora do Espírito em nossa vida interior e a Sua liderança aparece muito claramente em Romanos 3 verso 13: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. Então segue: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”. Isto é, tantos quantos se permitem serem liderados por Ele nesta mortificação das obras do corpo, estes são os filhos de Deus. O Espírito Santo é o Espírito da vida santa que havia e há em Cristo Jesus, e que opera em nós como uma Vida de Poder Divino. Ele é o Espírito de Santidade, e somente como tal liderará. Através dEle Deus opera em nós tanto o querer como o fazer Seu bom prazer; através dEle Deus nos faz perfeitos em toda boa obra para Sua vontade, operando em nós o que é agradável à Sua vista. Ser liderado pelo Espírito envolve, em primeiro lugar, a rendição à Sua obra enquanto Ele convence do pecado e purifica a alma e o corpo para o Seu templo. É como o Espírito interior, preenche, santifica e rege o coração e a vida, que Ele ilumina e lidera.

No estudo do significado da liderança do Espírito, é de fundamental importância compreender este conceito em todo o seu significado. Somente a mente espiritual pode discernir as coisas espirituais e pode receber a liderança do Espírito. A mente precisa crescer espiritualmente para se tornar capacitada para a orientação espiritual. Paulo disse aos Coríntios que devido ao fato de eles, embora nascidos de novo, serem ainda carnais, como meninos em Cristo, ele não pôde ensinar-lhes verdades espirituais. Se isso refreia o ensinamento que vem através do homem, quanto mais o ensinamento que vem direto do Espírito, pelo qual Ele nos guia a toda a verdade. O mais profundo mistério da Escritura, tantos quanto são compreendidos pela mente humana, pode ser estudado, aceito e até mesmo ensinado pela mente impura. A liderança do Espírito não tem início na região do pensamento ou do sentimento, mas no mais profundo, na própria vida, no laboratório escondido da vida interior, de onde emana o poder que molda a vontade e forma o caráter em nossos espíritos, ali o Espírito Santo faz a Sua morada, ali Ele respira, se move e impele. Ele nos conduz inspirando com a vida e disposição da qual procedem os propósitos e decisões corretos.

“Sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1:9). Esta oração nos ensina que é somente para um entendimento espiritual que o conhecimento da vontade de Deus pode ser dado, e o entendimento espiritual vem somente com o crescimento do homem espiritual e a fidelidade à vida espiritual. Aquele que possui a liderança do Espírito precisa render a si mesmo a fim de ter sua vida totalmente possuída e preenchida pelo Espírito. Foi quando Cristo foi batizado com o Espírito que, “cheio do Espírito”, “foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto” (Lc 4:1), “voltou Jesus para a Galiléia no poder do Espírito” (Lc 4:14), e começou Seu ministério em Nazaré com as palavras, “O Espírito do Senhor está sobre mim”.

Desfrutar da direção do Espírito demanda uma mente muito educável e obediente. O Espírito não é impedido somente pela carne como o poder que comete pecado, mas mais ainda pelo poder da carne que procura servir a Deus. Para ser capaz de discernir o ensino do Espírito, a Escritura nos diz que o ouvido precisa ser circuncidado, na circuncisão não feita por mãos, mas a circuncisão de Cristo. A vontade e a sabedoria da carne devem ser temidas, crucificadas e negadas. O ouvido deve se fechar para tudo o que a carne e sua sabedoria, quer em si mesma ou nos homens ao nosso redor, têm para dizer. Em todos os nossos pensamentos sobre Deus ou em nosso estudo de Sua Palavra, em toda nossa aproximação para adorar e em toda nossa saída para trabalhar para Ele, deve haver uma contínua desconfiança e abnegação do ego e uma bem definida espera em Deus para que o Espírito Santo nos ensine e nos guie. A alma que deste modo espera diariamente e a cada hora por condução Divina e por luz do conhecimento e obediência, seguramente as receberá.

A liderança do Espírito muito especialmente deve ser uma questão de fé, e isso em dois sentidos. O começo da liderança virá quando aprendemos em santo temor cultivar e agir com confiança: O Espírito Santo está em mim, e está fazendo Sua obra. A habitação do Espírito é a parte mais importante da obra redentora de Deus, a mais espiritual e misteriosa parte do mistério da piedade. Aqui é necessário fé. Fé é a faculdade da alma que reconhece o invisível, o divino, que recebe a impressão da Divina Presença quando Deus se aproxima; que em sua medida aceita o que o Ser Divino traz e nos dá. No Espírito Santo está a mais íntima comunicação da Vida Divina; aqui a fé não pode julgar pelo que sente ou entende, mas simplesmente se submete a Deus para deixa-Lo fazer o que Ele disse. Ele media e adora, ora e confia sempre de novo, rende toda a alma em adorável aceitação e agradecimento pela obra do Salvador, “Ele estará em vós”. Ele se regozija na segurança, o Espírito Santo, a força poderosa de Deus, habitando interiormente, da Sua própria maneira e posso depender dEle. Ele me guiará.

Por meio desta fé mais geral na habitação do Espírito, a fé também tem que ser exercitada em relação a cada parte da liderança. Quando há um questionamento, me prostro diante do Senhor e minha alma espera em simplicidade e vacuidade por Sua explicação e utilização daquilo que na Palavra ou providência me satisfaz, devo em fé confiar no meu Deus que Sua orientação não está retida. Não é por impulsos repentinos ou fortes impressões, nem por vozes celestiais que devemos esperar a condução do Espírito. Há almas para as quais tal orientação é indubitavelmente dada e o tempo virá, a medida em que nossa natureza se torna mais espiritual e vive mais em contato com o invisível, nossos próprios pensamentos e sentimentos se tornarão os veículos conscientes da Sua abençoada voz. Porém devemos deixar isto para Ele. Os degraus mais baixos da escada são arriados o suficiente para o mais fraco alcançar; Deus quer que todos os Seus filhos sejam guiados pelo Espírito todos os dias. Começar o caminho de seguir a orientação do Espírito pelo crer, não somente que o Espírito está dentro de você, mas que Ele empreende agora imediatamente a obra que você Lhe pede e confia. Submeta-se a Deus em completa rendição. Creia com implícita confiança que a aceitação de Deus dessa rendição significa que você está entregue ao controle do Espírito. Através dEle Jesus guia, dirige e salva você.

A condução do Espírito é inseparável da santificação do Espírito. Permita cada um que é guiado pelo Espírito de assim o ser pela entrega de si mesmo para ser conduzido pela Palavra, tanto quanto a conheça. Comece do começo, obedeça aos mandamentos. “Guarda meus mandamentos e o Pai lhes enviará o Espírito.” Deixe todo pecado, desista de tudo por Deus, e permita-O tomar a Sua direção. Através do Espírito faça morrer os delitos do corpo. Como um filho de Deus ponha-se inteiramente à disposição do Espírito, para ir por onde Ele conduz, e o Próprio Espírito, este mesmo Espírito, através do qual você mortifica o pecado e se rende a fim de ser conduzido como uma criança, testificará com o seu espírito, em regozijo e poder ora desconhecidos, que você de fato é um filho de Deus, que goza de todos os privilégios de filho no amor e direção de Seu Pai.

Autor: Andrew Murray
Do livro “O Espírito de Cristo” (The Spirit of Christ)


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Enchei-vos do Espírito, Efésios 5:18

I. Ser Cheio do Espírito Santo
1. É possível – é a promessa do Senhor
2. É possível no inicio da vida cristã: Não só para os mais crescidos na fé.
3. É possível ser cheio repentinamente: Nem sempre temos que esperar.
4. É possível saber que fomos cheios: Os resultados são marcantes
5. Quais são as condições?
    a) Confessar os pecados: O templo precisa estar limpo.
    b) Entregar a vida ao Senhor: Precisamos nos render a Ele.
    c) Crer na Promessa do Senhor: Precisamos crer que Ele nos deu. (Charles Inwood)

II. A Água Viva
“Se conheceras o Dom de Deus e Quem é o que te pede: dá-me de beber, tu Lhe pedirias e Ele te daria água viva” – Jo 4:10 – O Senhor Jesus estava falando com a mulher samaritana.
1. Se tu conheceras o Dom de Deus: Você sabe que Dom é esse?
2. Tu Lhe pedirias: Você seria movido a Lhe pedir
3. E Ele te daria: Jesus sempre cumpre o que promete
4. Ele te daria Água Viva: Rios de água viva do Espírito

III. Rios de Água Viva 
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em Mim, como diz a Escritura, Rios de Água Viva fluirão do seu interior. Isto Ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que Nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” – Jo 7:37-39

IV. Quem tem Sede
1. Você tem sede? “Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5:6). Deus espera que tenhamos essa fome para então nos satisfazer.
2. Você já bebeu? Beber significa receber e essa iniciativa é nossa. Ninguém pode fazer isso por nós. É algo pessoal.
3. Você já glorificou a Jesus? Existe um glorificar histórico que se deu na ascensão de Jesus. Mas este é experimental: Quem ocupa o trono da sua vida? Jesus tem o primeiro lugar?

V. Pedir ao Pai o Espírito Santo
“Se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” – Lucas 11:13
1. Pedir: Mostra que eu creio na bênção do Espírito
2. Pedir: Mostra minha profunda necessidade
3. Pedir: Mostra a real possibilidade de receber. (G. MacGregor)

VI. A Vida Abundante Interior
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em Mim, como diz a Escritura, rios de água viva fluirão do seu interior. Isto Ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nEle cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” – Jo 7:37-39
1. A Provisão Divina: “Do seu interior fluirão rios de água viva”; Ele disse isso com respeito ao Espírito”.
2. A condição exigida: “Se alguém tem sede”.
3. Os passos para receber:
    a) Venha a Mim – ao Único que pode nos dar o Espírito
    b) Venha e beba – Como? Aquele que pede recebe
    c) Glorifique a Jesus – Precisamos  dar o primeiro lugar a Ele em nossas vidas. Precisamos entregar a Ele todas as chaves e principalmente aquela pequena que cabe entre os dedos (F.B. Meyer).

VII. As Vestes e o Óleo
“Sejam sempre alvas as tuas vestes e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” – Ec 9:8
1. Vestes alvas: A roupa simboliza a conduta, o caráter. O vestido da Noiva de linho fino, resplandecente e puro são os atos de justiça dos santos (Ap 19:8). O pecado, a carnalidade e o mundanismo entristecem o Espírito (Ef 4:30).
2. Óleo sobre a cabeça: O óleo simboliza a unção do Espírito Santo. Sua finalidade é produzir em nós a iluminação e o poder para testemunhar. Se não obedecermos o ensino da Unção (1 Jo 2:27) podemos apagar o Espírito (1 Ts 5:19). 

VIII. Rute e Boaz – A Vida de União com Nosso Senhor
“Lava-te, unge-te e veste os teus melhores vestidos e desce à eira... chegarás e lhe descobriras os pés e te deitarás” – Rute 3:3, 4
1. Lava-te: A Pia do Lavatório (Ex 30:17-21) representa o Espírito Santo (a água) purificada pela lavagem da Água pela Palavra (Ef 5:26). Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de todo pecado (1 Jo 1:9)
2. Unge-te: É preciso nos manter sempre sob a Unção.
3. Veste os teus melhores vestidos: Precisamos viver na prática de atos de justiça e andar como o Senhor andou (1 Jo 2:6)
4. Descobriu-lhe os pés e se deitou: Precisamos entregar totalmente nossa vida ao Senhor. Ele não é apenas nosso Salvador; acima de tudo Ele é o Senhor! Ele merece tudo!

IX. A Porção Dobrada Prometida
“Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse Eliseu: Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito. Tornou-lhe Elias: Dura coisa pediste. Todavia, se me vires quando eu for tomado de ti, assim se fará; porém, se não me vires, não se fará” – 2 Re 2:9-10.
1. “Disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui; respondeu Eliseu: não te deixarei” (2Re 2:2-6). Eliseu precisava vigiar para ver o momento em que Elias seria arrebatado. E ele viu e recebeu.
2. “Disse Eliseu ao rei Jeoás: Toma o teu arco e flechas... atira... toma as flechas... fere a terra com elas; Jeoás feriu a terra três vezes e parou. Então o homem de Deus (Eliseu) se indignou muito contra ele e disse: Cinco ou seis vezes a deverias ter ferido; então feririas os sírios até os consumir; porém, agora, só três vezes ferirás os sírios” (2Re 13:15, 19). O próprio rei Jeoás limitou a bênção de Deus em sua vida.
3. “Ao lado destes repararam os tecoítas. Os seus nobres não meteram o pescoço ao serviço do seu Senhor. Então os tecoítas reparam outra parte” (Ne 3:5, 27). Os nobres recusaram trabalhar no muro e a parte deles foi dada aos humildes de Tecoa. Porção dobrada. 

Abre bem a tua boca e a encherei!
Ó bendito Paracleto, confirma o Teu domínio interior
Faça do meu corpo o Teu templo apropriado
Para Tua constante permanência.

Por muito tempo essa Tua casa
Foi possuída por amores estranhos
Deixou-Te excluído do seu santuário secreto
Considerou a Ti como um hóspede insignificante.

Rasga agora, ó bendito Espírito
O véu do meu pobre coração;
Entra no Teu descanso por tanto tempo negado
E nunca mais vá embora.

Oh, ser cheio de Ti!
Nada além disso eu peço;
Pois todos os hóspedes impuros devem fugir
Se Tu em mim habitares. (A.J. Gordon)

Autor: Delcio Meireles


quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Não Resista, Não Entristeça, Não Extinga

Novos privilégios sempre trazem novas responsabilidades e resulta que estas responsabilidades criam novos riscos. Se esta era é a mais favorecida da história dos homens, ela tem, portanto, que enfrentar o maior e mais sério risco. Estes riscos são os de resistir, entristecer e extinguir o Espírito. Estes termos não se referem ao mesmo risco. Existem os que não resistem ao Espírito que ainda assim O entristecem; existem também aqueles que não resistem e não O entristecem no sentido em que o apóstolo usou a palavra, no entanto estão em perigo perpetuo de O extinguir. O perigo de resistir ao Espírito é daqueles que não nasceram de novo; o perigo de entristecer o Espírito é daqueles que nasceram do Espírito e são habitados por Ele; o perigo de extinguir o Espírito é daqueles sobre os quais Ele depositou algum dom para o serviço.

Em João 3:7 Jesus disse a Nicodemos: “É preciso nascer de novo”. Isto se refere ao primeiro ato do Espírito em uma pessoa. Para a mulher Samaritana Ele disse em João 4:14: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna”. Isto se refere ao segundo aspecto da obra do Espírito no crente, como um perene e perpétuo jorrar. Para a multidão que estava na festa Ele disse em João 7:38: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva”, referindo-se à obra do Espírito, em seu fluir através do crente a fim de renovar outras vidas.

Os três aspectos da obra do Espírito: regeneração, habitação e provisão revelam os riscos destes tempos.

Em relação à regeneração o perigo é definido pela palavra resistir. Em relação à habitação o perigo é definido pela palavra entristecer. Em relação à provisão para a obra o perigo é definido pela palavra extinguir.

A primeira destas palavras ocorre na defesa de Estevão. Depois de ter enumerado os atos de rebelião que tinham caracterizado a história do povo, ele exclamou em Atos 7:51: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito”. Resistir ao Espírito Santo consiste em uma hostilidade determinada a Seus propósitos e obra. Naquele momento nem sempre era evidentemente intencional; o pecado está no fato de que eles não perceberam a oportunidade quando ela veio.

Quando seus irmãos venderam José, eles não entenderam que estavam vendendo o seu libertador para a escravidão. Foi um pecado de cegueira. Quando o povo falhou em entender Moisés, o rejeitaram e murmuraram contra ele, eles não compreenderam toda a missão divina para a qual ele foi levantado. Eles foram hostis à obra do Espírito Santo de Deus e sua hostilidade foi o resultado da cegueira. Resistir ao Espírito Santo, no entanto, não é necessariamente intencional; pode ser o resultado da cegueira; mas quando Deus trata com as pessoas Ele leva em conta a causa da cegueira, e onde esta causa é criada por eles mesmos. Ele os responsabiliza. O ciúme e o ódio de sua legítima posição cegaram os irmãos de José; e o mesmo espírito de malícia estava na raiz da oposição a Moisés. Eles estavam cegos, e por causa da cegueira cresceu a hostilidade.

Os crentes precisam continuamente examinar a si mesmos se estão na fé. Existem muitos que negariam veementemente a acusação de serem hostis aos propósitos divinos, cujas vidas estão fora de toda a harmonia com os movimentos do Espírito. Aquele que veio para estabelecer o reino de Deus no coração do povo, Aquele que veio para trazer para a vida humana justiça e amor como forças que transformam e transfiguram, ainda não está apto para concluir tais propósitos neles, porque o Espírito Santo está sendo resistido. Aos Coríntios (II Co 13:5) o apóstolo escreveu: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé”. É um alerta solene, que ocorre depois da expressão de um temor de sua parte (II Co 12:20): “Porque temo que, quando chegar,... haja contendas, invejas, iras,..., tumultos”. Todo tipo de impureza pode ser resumido em um pensamento de falta de amor. Dentre as coisas que o apóstolo estava temendo, não havia nenhuma que fosse obra de notória impureza. Era o espírito de facção, sismo e divisão que ele temia; e seu temor provocou sua advertência. “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé”. Esta foi a palavra dita, não para o mundo lá fora, mas para os que professam ser Cristãos. A questão, tanto para as pessoas que resistem ao Espírito, quanto para as que são uma parte da força no mundo que é hostil ao Espírito, está estabelecida, não pelo julgamento que os vizinhos fazem, mas pelo julgamento claro como a luz e penetrante como o fogo, quando no lugar da intimidade com Deus a oração é sinceramente oferecida: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos, vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno”. (Sl 139:23-24).

O segundo perigo é o de entristecer o Espírito Santo. Não há palavra no Novo Testamento que mais clara e graciosamente revele a ternura do coração de Deus. A palavra ‘entristecer’ significa literalmente ‘causar mágoa’ e revela um caso extraordinário da forma na qual Deus graciosamente usa o ser humano para a ilustração de Sua própria atividade de afeição e pensamento. Há um entendimento de que é difícil pensar que Deus se entristece, e ainda se curva para esta grande palavra, a fim de ensinar que é possível aos Seus filhos, habitados pelo Espírito, causarem tristeza ao Seu coração. Não deixe ninguém minimizar o valor desta palavra. Não aflija, não cause tristeza, não magoe o coração de Deus.

As palavras ocorrem em meio ao mais magnífico argumento a respeito da sublime chamada de Deus para o Seu povo, e está conectada com a declaração (Ef 1:13-14), “No qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória”. O Espírito Santo sela para o dia da redenção. Quando Ele faz morada no coração da alma confiante, não é somente para a bênção presente, mas é também para a consumação. Quando o Espírito Santo toma posse de uma alma e concede vida, aquela vida é a profecia e a promessa para uma eventualidade. Para aqueles que são filhos de Deus o completo significado do fato ainda não existe (I Jo 3:2), “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos”.

Ninguém pode imaginar qual será a glória da Sua vinda, nem mesmo pode saber qual será a glória dos filhos de Deus quando a obra de Deus estiver acabada em suas vidas. O Espírito Santo no interior sela até aquele glorioso fim. A selagem não consiste em simplesmente colocar uma marca de possessão sobre uma propriedade, mas no trabalhar na vida de toda a beleza e graça do Próprio Cristo. Como quando nosso abençoado Senhor foi transfigurado na montanha, não foi a transfiguração de uma glória que veio sobre Ele, mas a da glória que já era residente em Seu interior, brilhando através do véu da Sua carne. Deste modo, quando o Espírito sela, Ele assim faz pelo dom da vida, que é capaz de transformar o caráter.

É deste segundo aspecto da obra do Espírito que surge o segundo risco. Sempre que Ele é impedido, sempre que Ele é desobedecido, sempre que Ele dá alguma nova revelação de Cristo que não traz resposta, Ele é entristecido. O coração de Deus está triste quando, pela desobediência de Seus filhos, Seu propósito de graça neles é obstruído. Que tristeza! Quão frequentemente o Espírito Santo tem sido entristecido; quão frequentemente Ele traz alguma visão do Mestre que exige devoção, reivindicando uma nova consagração; e porque o caminho da devoção e da consagração é sempre o caminho do altar e da cruz, os filhos do Seu amor retrocedem. O Espírito tem sido entristecido porque, impedido em Seus propósitos, o dia do aperfeiçoamento dos Seus santos tem sido postergado e a vinda do Reino de Deus tem sido atrasada. É um pensamento muito terrível o de que o entristecimento do Espírito dentro da Igreja posterga a vinda do Reino de Deus ao mundo. Na medida em que os homens são obedientes ao Espírito interior e permitem a Ele ter Seu caminho em todas as áreas da vida, nessa proporção estão apressando a vinda do dia de Deus, trazendo o Reino de Paz.

O terceiro e último perigo é o descrito pelas palavras (I Ts 5:19), “Não extingais o Espírito”. A palavra extinguir não se refere à morada interior do Espírito para vida e desenvolvimento no crente. Ela se refere inteiramente à Sua presença como um poder em serviço. A palavra em si é sugestiva. Resistir pressupõe a vinda do Espírito Santo para atacar a fortaleza da alma. Entristecer pressupõe a residência do Espírito como o Consolador interior. A palavra extinguir pressupõe a presença do Espírito como um fogo. Esta sugestão do fogo traz de volta as palavras (At 2:3), “E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma”. Fogo era o símbolo de poder para adorar, orar e profetizar. No argumento do apóstolo as duas coisas estão ligadas (I Ts 5:19-20). “Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias”. Aqui está o terceiro perigo. O Espírito, que veio sobre o crente para adorar, orar e profetizar, pode ser extinto. É possível que o dom do Espírito Santo, concedido para o serviço, possa ser perdido. É possível que aqueles sobre os quais tenha caído, desapercebida pelos olhos mortais, a Língua de Fogo, aqueles que têm sido chamados por Deus para o lugar do verdadeiro serviço na Igreja, possam extinguir o Espírito e assim perderem o seu poder de testemunho.

Há muita extinção do Espírito Santo pelo serviço que não espera, mas se apressa, e pela queima de fogo estranho sobre os altares de Deus. A tentativa de conduzir a obra do Reino de Deus por meios mundanos, a permanente profanação das coisas santas pela aliança com coisas que são impuras, a pressão do espírito de cobiça (mamom) no serviço de Deus, têm causado a extinção do Espírito. Porque Deus jamais permitirá que o Fogo do Espírito Santo seja misturado com fogos estranhos sobre Seus altares. O que é verdade para as Igrejas é verdade para o indivíduo. Deus tem equipado o Seu povo para o serviço com dons espirituais. Para cada um, algum Fogo do dom de pregar ou de influir tem sido dado; mas tem sido perdido quando cessado de ser usado na lealdade para com Cristo. Muitos perdem seu dom de poder para o serviço e se tornam estéreis de resultados no trabalho para Deus porque prostituem um dom celestial para um serviço sórdido e egoísta, para a glorificação de suas próprias vidas, ao invés de exercitarem o dom somente para a sua verdadeira finalidade.

Os crentes constantemente extinguem o Espírito por tentarem trabalhar em sua própria força, esperando que Deus intervenha e complemente suas deficiências. Deus não virá e ajudará homens a fazerem suas próprias obras. Ele pede que eles se doem a si mesmos a Ele para fazer a Sua obra. Este não é um jogo inútil de palavras, a diferença é radical. Se os homens fazem os seus planos de serviço e então pedem a Deus para ajuda-los, eles podem, pela própria afirmação do ego, extinguir o Espírito. Se, por outro lado, esperam a visão e a voz Divina, e o caminho divinamente apontado, se esperam até que ouçam Deus dizendo, ‘Estou indo para lá, precisaria que você fosse comigo’, então o Espírito Santo pode exercitar Seu dom em suas vidas. O Espírito é extinto pela deslealdade a Cristo, ou quando Seu dom é usado em algum outro propósito além daquele no qual o coração de Deus está posto.

Não resista, não entristeça, não extinga o Espírito!

Autor: G. Campbell Morgan
De ‘O Espírito de Deus’ (The Spirit of God).

PSD 2829300411

sábado, 9 de janeiro de 2021

Cheio do Espírito mas Bloqueado

É impossível ser cheio do Espírito e ao mesmo tempo frustrado por não podermos liberá-lo a outros. Isto porque nos lançamos sobre os resolutos esforços de Satanás para bloquear nossas mentes e assim frustrar o fluir do Espírito Santo. “Portanto sede sóbrios” (IPe 4:7).

Embora nossos padrões de pensamentos possam ser influenciados por muitas fontes e por uma multiplicidade de coisas, ajudará a simplificar nosso entendimento considerarmos as três áreas principais que precisam da nossa vigilante atenção. O principal objetivo de Satanás é criar confusão e distração, deste modo não devemos “ignorar os seus ardis” (II Co 2:11). Devemos também usar armas espirituais para frustrar suas táticas, porque argumentos carnais são de nenhum proveito neste combate (II Co 10:4).

A primeira área que devemos guardar é aquela dos assuntos diários que demandam nossa atenção, as tarefas imediatas e responsabilidades nas quais estamos envolvidos, tais como nosso trabalho, nossa família e atividades em tempo livre. O perigo aqui é o de permitir que estas coisas dominem totalmente nossos pensamentos. Jesus faz referência aos “cuidados deste mundo” que sufocam a palavra (Mc 4:19), deste modo impedindo o fruto (Mt 13:22). Satanás procurará bloquear nossas mentes até mesmo com coisas legítimas e necessárias. Ele também nos desafiará na constante batalha de relacionamentos ao sentirmos que devemos declarar ou defender nossos direitos.

Ele está continuamente no trabalho de buscar promover estas sórdidas brigas no lar e em nosso local de trabalho. Tristemente mesmo na igreja ao tentarmos tomar nosso próprio caminho mesmo que esse traga amarga inveja e discussão. Isto é falsa sabedoria e o triste resultado é desordem e toda obra perversa (Tg 3:15-16). Tudo isto está em violento contraste com a sabedoria espiritual que traz uma colheita de paz (Tg 3:17-18). Sendo assim, como lidamos com este problema?

Não existe melhor forma de começar um dia ocupado que se ocupar em um breve tempo com o Senhor. Como Maria, precisamos nos sentar aos pés de Jesus, ouvir Suas palavras e olhar para Sua face (Lc 10:42). Então ao encararmos as pequenas tarefas diárias elas provavelmente nos distrairão menos. As dificuldades do dia serão controladas muito mais eficientemente se não negligenciarmos nossa comunhão com Ele. Não há dúvida de que iremos irradiar uma graciosa calma e confiança assim que emergirmos do nosso tempo em Sua presença. 

Este primeiro canal para a mente, ainda que ocupado, não deve vir a ser bloqueado! Então, quando temos isto claro, a vida de Jesus será capaz de fluir desimpedida, nos capacitando não somente a carregar nossas próprias cargas mas também as de outros (Gl 6:2).

A segunda área é quando Satanás tenta invadir violentamente nossos pensamentos para que fiquemos desnorteados e confundidos. Em momentos como este não é estranho para alguns crentes chegar muito perto de ter um colapso mental. Se seguirmos toda a assim chamada 'orientação' sem conferi-la cuidadosa e devotamente, poderemos correr o risco de ouvir a voz do desconhecido! Se falharmos em exercitar o discernimento nessa área estaremos falhando em atender a advertência do Bom Pastor (Jo 10:5). 

Então como podemos reconhecer nosso inimigo? Podemos reconhecê-lo pelo tom da sua voz, pela tática que ele usa e finalmente pelo efeito que suas palavras têm sobre nosso espírito. O inimigo será agressivo, buscando conduzi-lo a fazer coisas irracionais, citando até a Escritura fora do contexto (Mt 4:6). Ele o acusará, sugerindo que você é um fracasso tal que ir à igreja, ler sua Bíblia, ou mesmo orar é pura hipocrisia (Ap 12:11). Ele criará ansiedade por atormentá-lo, sugerindo muitas coisas duvidosas que o deixam perturbado, inquieto e sob tensão.

Sim, esteja em guarda contra a voz ameaçadora, incômoda e acusadora do desconhecido. Não dê atenção a essa voz, que é mais como a de um carniceiro do que a de um pastor.

Qualquer tática que Satanás use, mesmo que você não tenha certeza, não esteja passivo! Como Jesus, você deve resisti-lo ativamente (Lc 4:8). Não argumente, mas use a Palavra de Deus como uma espada (Ef 6:17). Relembre-o de que ele é um inimigo derrotado (I Jo 3:8); que você está em Cristo que o derrotou (Cl 3:3) e que nada pode jamais o separar do Seu amor (Rm 8:35-39). Diga ao inimigo que o amor de Deus por você não está baseado no seu desempenho mas na perfeição do amor de Cristo por você (Ef 1:6). Relembre-o da vinda do seu julgamento e condenação final (Ap 20:10).

Diga em voz alta sua confissão de fé. Diga, 'Escolhi ouvir somente a voz do meu Pastor. Silêncio toda interferência do desconhecido, por todo o poder do Calvário, eu o resisto!' Se você sente precisar de mais ajuda, tome outro para resistir com você em oração, mas lembre-se, você deve continuar a resistir ativamente, você não deve esperar outros fazerem todo o combate.

Agora vamos para a terceira área que você deve guardar e a razão de toda esta atividade satânica. Ela é para distrair você e abafar a voz baixa e serena do seu Pastor (Jo 10:3-4). Em direto contraste com a voz severa e exigente de Satanás, Jesus é gentil em Sua abordagem. Sua voz é tão cheia de amor que o perigo agora é que você possa facilmente ignorá-la!

Após ter silenciado ativamente todos os sons perturbadores, aprenda a responder ao gentil anseio do Pastor. Você será guiado para Seus verdes pastos, repousado e refrescado por Suas águas tranquilas. Sua presença o confortará e o guiará por toda circunstância obscura e difícil. Você não temerá a dificuldade (Sl 23:1), 'pastos verdes' (v2), 'águas tranquilas' (v2), 'refrigera a minha alma' (v3), confiança em Sua mão guiadora (v3), e completa paz da mente (v4).

Será que devemos seguir todos os pensamentos que achamos que Ele está tentando colocar em nossas mentes, obedecendo-os sem questioná-los ou conferi-los com as Escrituras? Certamente que não! Mas se a comunicação se ajusta às nossas circunstâncias como uma chave se ajusta a uma fechadura e está em harmonia com os princípios Bíblicos, então a fé pode suavemente girar a chave e obedecer à palavra. Porém, uma palavra de precaução, seja cuidadoso para não forçar a chave ou empurrar muito forte, pois quando Deus abre uma porta de orientação ela gira sobre uma dobradiça bem lubrificada, e homem nenhum pode batê-la em sua cara (Ap 3:8).

É assim que Jesus andava em comunhão diária com Seu Pai, sempre alerta e ouvindo aquela voz interior. Ele disse, “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo” (Jo 5:30).

Visto que vivemos no Espírito, seremos de modo crescente “guiados pelo Espírito” (Rm 6:14); filhos que foram livres da escravidão de Satanás para gozarem de libertação e liberdade para viver para Jesus.

Contudo, se o seu caminhar traz um senso de preocupação e inquietação em seu espírito, considere sua situação em oração. Também é aconselhável compartilhar seus discernimentos com crentes cheios do Espírito que os confirmarão e darão suporte em seu passo de fé.

Deus nunca chamará sua atenção por fazer certo (Tg 1:5). Além disso, nunca se esqueça de que Jesus prometeu que todo aquele que O segue “de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12). A palavra de Deus sempre trará luz para seu problema. A luz não somente trará confiança, mas também concederá a você uma exaltação em seu espírito. Então quando você obedecer à luz e tomar a coragem da exaltação, você chegará à maravilhosa liberdade.

Deste modo, ande no Espírito, guardando sua mente livre de qualquer bloqueio de Satanás, aberta para a sugestão de Jesus, e sem demora você será agradavelmente surpreendido pelo modo gracioso no qual Ele vai ministrar através de você. Libere mais sua mente para a plenitude do Espírito.

Autor: Eric Maddison
Do livro: “You Can Find God's Best” (Você pode Encontrar o Melhor de Deus).
PSD 03052011


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

A Vida pelo Espírito (Romanos 8:1-11)

O Nome do Espírito Santo, ‘o Senhor, o Doador da vida’, é desconhecido em Romanos capítulo sete, mas aqui, no capítulo oito, o fato e o poder do Espírito Santo estão presentes em todo lugar. Aqui encontramos o segredo para calar a luta que nossas almas conhecem tão bem. Aqui está o modo de andar e agradar a Deus (I Ts 4:1) em nossas vidas justificadas. Aqui está a forma, não para ser como eram as vítimas do corpo e os escravos da carne, mas para ‘fazer morrer as práticas do corpo’ em um exercício contínuo do poder interior, e para ‘andar no Espírito’. Eis aqui o recurso no qual podemos estar para sempre alegremente pagando ‘o preço’ de tal caminhar; dando ao nosso redentor e Senhor Seu direito, o valor de Sua compra, mesmo a nossa vontade, amando render-se, no poder todo suficiente do ‘Espírito Santo dado a nós’.

Já ouvimos do Espírito Santo em nossa vida Cristã (Rm 5:5 e 7:6). A água celestial foi vista e ouvida em seu fluir; assim como em uma região de pedra calcária o viajante vê e ouve, através das fissuras nos campos, as águas correntes encobertas, mas vivas. Mas aqui a verdade do Espírito, como tais correntes de águas que por fim encontram saída em algum rochedo acidentado, precipita-se para a luz e anima toda o cenário. Nesta seqüência e tipo de tratamento há uma lição espiritual e também prática. Certamente somos lembrados de que de certa forma possuímos o Espírito Santo em Sua plenitude desde a primeira hora da nossa possessão de Cristo. Somos também lembrados de que é no mínimo possível que precisemos disso para perceber e usar a nossa possessão do pacto para que a vida possa ser desde então uma nova experiência de liberdade e santa alegria. Somos lembrados de que este ‘novo começo’ é novo antes para nós do que para o Senhor. A água esteve correndo todo o tempo sob a rocha. O discernimento e fé, concedidos por Sua graça, não a invocaram do alto, mas ela esteve no interior, liberando aquilo que ali se encontrava.

A lição prática disto é importante para o pastor e professor Cristão. Por um lado, permite a ele fazer muito, da revelação do Espírito, em suas instruções pública e privada. Permite-lhe não deixar lugar, na medida do possível, para dúvida ou esquecimento na mente de seus amigos sobre a absoluta necessidade da plenitude da presença e poder do Santo Espírito, se a vida é de fato Cristã. Fá-lo descrever tão corajosa e plenamente quanto a Palavra descreve o que a vida deve ser e onde habita aquela sagrada plenitude; quão segura, quão feliz, quão serviçal, quão pura, livre e forte; quão celestial, quão prática, quão humilde. Permite-o convencer todo aquele que ainda precisa aprender a conhecer tudo isto em sua própria experiência, clamando sobre seus joelhos pelo dom poderoso de Deus. Por outro lado, o faz ser cuidadoso para não exagerar em sua teoria e prescrever muito rigidamente os métodos de experiência. Nem todos os crentes falham nas primeiras horas da sua fé em perceber e usar a plenitude do que a Aliança lhes dá; e onde aquela compreensão chega depois de nosso primeiro vislumbre de Cristo, como acontece com muitos de nós ela de fato chega, nem sempre é a mesma experiência e ação. Para um é uma memorável crise, um Pentecostes privado. Outro desperta como que de um sono e encontra o inesperado tesouro ao seu alcance, escondido dele até então por nada mais espesso do que sombras. E outro está tão atento que de qualquer maneira usa a Presença e Poder como não usou há um momento atrás, ele cruzou uma fronteira, mas não sabe quando.

Em todos estes casos o crente possui o grande dom todo o tempo. Na aliança, em Cristo, ele era seu. Assim que avançou pela penitente fé no Senhor pisou sobre solo que, é maravilhoso dizer, era todo seu. E sob ele corre, naquele momento, o Rio de Águas Vivas. Ele apenas teve que descobrir, extrair, e aplicar.

Mais uma vez, o relacionamento entre nossa possessão de Cristo e nossa possessão do Espírito Santo que acabamos de mencionar é um assunto de máxima importância, espiritual e prática, apresentada proeminentemente nesta passagem. Ao longo dela, quando a lemos, encontramos inextricavelmente ligadas as verdades do Espírito e do Filho. “A lei do Espírito de vida” está ligada a “Cristo Jesus”. O Filho de Deus foi enviado para tomar nossa carne, para morrer como nossa Oferta pelo pecado, a fim de podermos “andar no Espírito”. “O Espírito de Deus” é “o Espírito de Cristo”. A presença do Espírito de Cristo é tal que, onde Ele habita, “Cristo está em vós”. Aqui lemos ao mesmo tempo uma advertência, e uma verdade da mais rica benção positiva. Somos admoestados a lembrar que não há um “Evangelho do Espírito” à parte. Nem por um momento devemos avançar, como aconteceu, do Senhor Jesus Cristo para uma mais alta ou mais profunda região governada pelo Espírito Santo. Todas as razões, métodos e assuntos da obra do Espírito Santo estão eterna e organicamente conectadas com o Filho de Deus. Somente O temos porque Cristo morreu. Temos vida porque Ele nos ajuntou ao Cristo vivo. Nossa prova experimental de Sua plenitude é que Cristo é tudo para nós, e devemos estar em guarda contra qualquer exposição de Sua obra e glória que possa por um momento excluir estes fatos. Mas não devemos somente estar alertas; devemos nos regozijar na ideia de que a poderosa e infindável obra do Espírito está para sempre completa sob aquele campo sagrado, Cristo Jesus. E todos os dias devemos fazer uso do interno Doador de Vida para fazer por nós a Sua própria e característica obra; para nos mostrar “nosso Rei em Sua beleza”, e ‘encher com Ele nossa fonte de pensamento e vontade’.


Autor: H.C.G. Moule
Extraído do comentário do Bispo Moule sobre “A Epístola aos Romanos”.


domingo, 23 de fevereiro de 2020

O Lutador Vitorioso

“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contras os principados, contras as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6:12)

A carta aos Efésios não termina com o nono verso do sexto capítulo, mas continua: “No demais, fortalecei-vos no Senhor”, o que abre a nós a verdade com relação à batalha do cristão. Esta consumação da revelação nesta epístola.

Nenhum cristão verdadeiro está isento desta batalha. Aquele que plenamente possui sua herança em Cristo (Ef 1:11) e está andando dignamente (Ef 4:1) é de se esperar então que se engaje na batalha espiritual que está acontecendo nos lugares celestiais (Ef 6:12). Deus não tem lugar para um pacifista espiritual. Ele chama todo santo para as armas.

Mas Deus tem uma ordem divina que não pode ser invertida. É completamente loucura para um cristão entrar para a batalha com as hostes poderosas, sobrenaturais e Satânicas, a menos que possa dignamente passar pela prova de eficiência de Deus tão claramente delineada em Efésios 6:1 a 6:9.

Para batalhar com Satanás deve-se estar andando no Espírito. Por isso, nos convém, àqueles que se propõem serem lutadores, vigiar o nosso caminhar.

Paulo mesmo, um provado e confiante guerreiro, através de dois mandamentos nítidos adverte de dois pontos vulneráveis que abrem a Satanás o caminho da vitória pela mutilação do cristão na batalha espiritual. Então através de um terceiro mandamento ele exorta todo cristão a aperfeiçoar a sua prontidão para a batalha.

1. Não deis lugar ao Diabo. (Ef 4:27)
Dando lugar ao Diabo dá-se quartel-general a Satanás no arraial de Cristo. Isso provê a ele uma base da qual conduzir a sua campanha. Dando lugar ao Diabo faz-se de uma parte do exército de Cristo um aliado do Seu arqui-inimigo.

Dando lugar ao Diabo diminui-se o poder do homem das tropas do Senhor e rende a Satanás recursos espirituais que pertencem somente ao Capitão da nossa salvação. Isso compele Cristo a sair para a batalha em desvantagem. Isso enfraquece o poder na batalha da onipotência. Isso diminui a força de operação do sobrenatural. Dando lugar ao Diabo dividi-se a aliança e se coloca traidores e desertores no exército do Senhor.

Por isso o Diabo esta incessantemente ocupado buscando ganhar algum lugar na vida de todo lutador cristão. Ele começará com um lugar muito pequeno, qualquer coisa contanto que ganhe um apoio para os pés. Ele conhece os nossos lugares fracos. Ele se aproxima pelo nosso lado cego. Ele abre passagem onde a crosta é mais fina. Ele espera o seu tempo até que possa nos pegar de surpresa. Ele nos tenta em nossos pontos mais suscetíveis. Ele trabalha astutamente, como arqui-enganador que ele é, para nos seduzir a fazer uma associação com ele. Para o verdadeiro guerreiro espiritual ele vem muitas vezes como um genuíno anjo de luz, até mesmo apanhando alguns numa armadilha proclamando ser enviado de Deus. Ele usa qualquer método, por meio inteligente ou cruel de ganhar acesso, e faz o possível para disfarçar a sua aproximação. O que ele procura ganhar é um lugar para começar as suas atividades, para que possa minar o moral do guerreiro cristão e torná-lo incapaz de lutar.


2. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus (Ef 4:30)
Alguém que poderia retrair-se com tremor e temor de dar lugar ao Diabo pode sem embargo estar tornando a vitória dele nas regiões celestiais possível entristecendo o Espírito Santo.

O Espírito Santo vive dentro de nós para reproduzir dentro de nós a vida vitoriosa do Cristo glorificado para que possamos ser capacitados a “permanecer”, e liberar através de nós o Seu poder sobrenatural para que estejamos aptos a “resistir”. Qualquer coisa que contenha ou restrinja o Espírito Santo de executar a Sua obra em Sua máxima capacidade favorece Satanás a derrotar o servo de Cristo.

Então o que é que em nós nos entristece o Espírito Santo? Qualquer coisa profana. Tudo o que em nós é contrário àquilo que Ele é, O entristece. Ele é o Espírito da verdade, da fé, da graça, da sabedoria, do poder, do amor, da disciplina, da santidade, portanto qualquer coisa que seja mentirosa, incrédula, desagradável, imprudente, estéril, não amável, incontrolável, profana, entristece o Espírito de Deus. Por isso, o pecado de qualquer natureza ou grau, seja aberto ou secreto, seja na carne ou no espírito, seja grosseiro ou refinado, entristece o Espírito Santo.


3. Enchei-vos do Espírito (Ef 5:18)
Este é o slogan do lutador vitorioso. São os guerreiros cheios do Espírito que vencem e derrubam as hostes Satânicas. Cheios da sabedoria do Espírito (Ef 1:17) eles discernem o ardil do diabo (Ef 6:11). Cheios do poder do Espírito (Ef 3:16) eles estão contra elas. Cheios da plenitude do Espírito (Ef 3:19) eles estão sobrenaturalmente equipados para se engajar nesta batalha entre as forças sobrenaturais do bem e do mau e sobrenaturalmente fortalecidos para se tornarem vencedores.

Portanto tomem toda a armadura de Deus, para que possam estar capacitados a permanecer firme em seu campo no dia da batalha e tendo lutado até o fim, permanecerem vencedores no campo. (Ef 6:13)


Autora: Ruth Paxon
Extraído da revista O Vencedor Junho de 2011 a Setembro de 2011 – www.editorarestauracao.com.br











terça-feira, 26 de novembro de 2019

O Senhor Deus Onipotente Reina

O Senhor Reina; tremem os povos. Ele esta assentado acima dos querubins; comovam-se a terra. Sl 99:1. Porque convém que Ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de Seus pés. 1 Co 15:25

Todas as coisas lhe sujeitasse abaixo dos pés. Vemos, porém, coroado de gloria e de honra aquele JESUS... Hb 2:8 e 9 - Ele é o ponto focal da nossa visão, quando olhamos para o mundo, com o seu acumulo de situações que parecem impossíveis em quase todos os países. Que os filhos de Deus não cedam ao espírito de depressão que enche a atmosfera do mundo, mas que levantem os olhos, pois a sua redenção esta próxima. A Palavra de Deus nos disse antecipadamente que todas essas coisas devem acontecer no final da era. Deus olha para a terra que Ele fez e vê mais, muito mais, do que a nossa visão finita pode captar do ataque da maré de apostasia na igreja professa, a negligência e o fraco testemunho de muitos que são realmente Seu e o terrível caos das nações. Ele vê as tentativas de Satanás de, onde não pode destruir, diluir e adulterar o Evangelho até que não seja mais o Evangelho. Mais do que isso, Ele vê que ainda mais sutilmente Satanás governa no mundo do qual usurpou a chefia, a exaltação do homem como homem, a glorificação do Adão caído e a pregação da salvação sem Deus.

Mas a mão de Deus não esta encolhida para que não possa salvar. Os Seus estão sobre o Seu cuidado e guarda especial enquanto Ele permite Satanás governar a terra para dirigi-la para o seu curso final para o desastre, para que todo o universo possa ver que Deus é Onipotente, e realmente reina. Todo o curso das eras esta culminado neste manifestado fracasso do Usurpador de governar o mundo sem Deus. Desde a primeira promessa da semente que deveria “esmagar a cabeça da serpente” Deus esteve reinando em Sua Onipotência muito longe da esfera ocupada pelos “principados e potestades”, os “príncipes das trevas deste século”, e “Ele reinará para todo o sempre.” “Jeová é Rei... não esteja nunca a terra tão inquieta”.

E, na provisão maravilhosa da Sua graça, Deus esta nesta era provando Ele mesmo que é superior ao Diabo por meio de uma criação. “um pouco menor que os anjos”. Satanás deve ser humilhado pelo homem, pelo Espírito de Deus no Homem. O próprio Deus vivendo, pelo Espírito do Seu Filho, no espírito interior dos Seus remidos, os faz “mais que vencedores”, mesmo enquanto eles andam em território atualmente ocupado pelo Príncipe Usurpador.

A batalha em oração simplesmente significa manter incessantemente o poder da obra consumada de Cristo sobre as hostes da maldade. O guerreiro de oração apóia firmemente na vitória do Calvário, na vitória consumada de Cristo sobre Satanás, até que as forças da maldade se retirem e sejam vencidas.

Possamos nós, como uma força unida àqueles que Deus revelou algo desta poderosa vitória, manejar a Espada do Espírito contras essas forças da maldade, não com um espírito de temor e depressão mas na luz da inquebrável palavra do nosso Deus dada acima, afirmada diante dos homens e dos anjos as quais asseguram o fato de que “o Senhor reina” e que “Ele deve reinar” até que todos os Seus inimigos estejam sobre os Seus pés. Aqueles que assim estão do lado do Senhor se encontrarão do lado da vitória naquele dia, embora que possam muitas vezes parecerem estar do lado que perde, quando seguem o Cordeiro no caminho que Ele traçou para eles. Alguma vitoria alguma vez se pareceu mais com derrota do que a do Calvário?

Não fique desencorajado se não ver nenhum resultado. As suas orações estão atando os poderes das trevas no reino invisível. O Espírito Santo na Igreja esta restringindo, retendo, as investidas do mal, até o Espírito Santo e o Seu templo, “e vós sois o templo” 1 Co 3:17, juntos sejam removidos desta terra. Há batalha nos céus mesmo agora, para arremessar  para baixo Satanás e as suas hostes, e as orações dos santos estão tendo efeito contras as numerosas hostes de principados e potestades nos lugares celestiais. Uma obra vital esta sendo feita pelas orações daqueles que oram em união com Cristo e pelo Seu Espírito, quando se levantam, no Vitorioso, contra o inimigo. Podem estar vindo dias quando veremos menos e menos resultado na terra para a nossa oração, dias quando tudo que a Igreja de Deus pode fazer será estar, firme no Espírito contras as forças do mal, firmes para que a vontade de Deus seja feita a qualquer preço.

Se não fossem as orações dos santos na terra, a ilegalidade não encontraria nenhum limite, mas enquanto estão na terra são o sal da terra e a luz do mundo. Por isso, quando olhamos para o mundo e vemos as convulsões da natureza, o caos das nações, e a apostasia das igrejas professas, e até mesmo as formas sutis pelas quais muitos crentes verdadeiros estão sendo desviados da simplicidade que esta em Cristo Jesus, vamos levantar a nossa cabeça e gritar “Ele é vitorioso, Satanás é um inimigo derrotado”. Toda oração iniciada pelo Espírito Santo será respondida, muito embora possa não parecer que elas façam qualquer diferença material. No reino invisível elas estão sendo acrescentadas ao incensário das orações dos santos de todas as eras diante do trono, o Intercessor Celestial as oferece a Deus em Seu próprio nome todo poderoso, e elas estão ajudando nas consumações dos propósitos de Deus para esta era.

Autora:  Sra M. Wanzer
Extraído da revista O Vencedor Junho de 2011 a Setembro de 2011 – www.editorarestauracao.com.br 

sábado, 19 de outubro de 2019

A Comunhão do Espírito Santo na Vida de Estevão

Em Atos 6:8, lemos que Estevão estava cheio de graça e poder, mas não somente isso, pois o versículo 10 nos diz que “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava”. Estevão era ministro da Palavra?  Sabemos que ele era judeu helenista, vindo de outro país, não de Israel. Os ministros da Palavra eram judeus hebraicos. Mas havia muitas sinagogas onde se falava a língua de Estevão, também havia muitas sinagogas onde falavam a língua de Paulo, e provavelmente Paulo ia até aqueles sinagogas para adorar.

Quem era Estevão? Tudo que sabemos é que ele apenas servia as mesas e era cheio do Espírito Santo. Quem era Saulo? Um grande erudito, um Rabino que fora treinado aos pés de Gamaliel, um homem que abraçou três mundos. Não há dúvida que Saulo era cheio de sabedoria, um grande rabino, estava cheio da palavra do Antigo Testamento. Saulo provavelmente entrou naquela sinagoga onde Estevão estava e deve ter discutido com Estevão, mas a Bíblia diz: “E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava”.

Estevão tinha essa sabedoria porque o Espírito Santo é o Espírito de sabedoria. Ele não dependia de si mesmo, mas do Espírito Santo. Ainda que estivesse servindo as mesas, fazendo muitas coisas pequenas, até mesmo desprezíveis, mas estava cheio do Espírito Santo. Quando um homem está cheio do Espírito Santo, qualquer lugar lhe é agradável. A qualquer instante Estevão poderia ter uma comunhão maravilhosa com o Senhor, o Espírito Santo estava em seu espírito. Ele poderia adorar o Senhor em qualquer instante, quando lavava os pratos, poderia ter uma comunhão maravilhosa com o Senhor. Por causa daquela experiência maravilhosa, ele foi cheio do Espírito Santo e dependia dEle para que o Senhor pudesse realmente usá-lo.

As pessoas que estavam na sinagoga encheram-se de inveja e o acusaram. Mas Atos 6:15 diz: “Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estevão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo”. Estevão estava no Sinédrio, estava sendo julgado, muitos o acusaram e queriam ouvir a sua defesa. Mas, antes de falar, sua face ficou como a face de um anjo. Não foi Lucas, o escritor de Atos, quem presenciou essa cena, mas Paulo. Lucas escreveu o livro de Atos, mas foi Paulo que lhe passou essas informações. Paulo ficou impressionado! Se aquele homem fosse um criminoso, se realmente queria destruir o templo, como pôde seu rosto tornar-se como rosto de um anjo? Ele estava na boca dos leões, seria rasgado em pedaços em poucas horas. Mas Estevão pregou sua mensagem com aquela face de anjo. “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis” (At 7:51). “Ouvindo eles isto, enfureciam-se no seu coração e rilhavam os dentes contra ele” (At 7:54).

Esse foi um momento especial, mas, para Estevão, era seu estado normal. Aquele que está cheio do Espírito Santo pode tornar-se mártir, não precisará de mais nada. Estevão não precisou de um enchimento especial, ele já estava cheio do Espírito Santo; por causa disso, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e o Senhor Jesus a Sua direita. De acordo com a Palavra de Deus, de acordo com Pedro, o Senhor está assentado à destra de Deus, como Estevão o viu em pé? Estevão tornou-se mártir, ele estava cheio do Espírito Santo, mas sendo transformado à imagem do Filho de Deus. Quando o Senhor descobre algo semelhante ao que aconteceu com Ele mesmo aqui na terra, Ele não pode ficar assentado, nosso Senhor levantou-se e deu as boas-vindas para Estevão. A maneira como Estevão orou quando foi martirizado faz lembrar o Senhor Jesus. Isso é resultado do Pentecostes.

Qual a sua impressão ao estudar o livro de Atos? É o vento impetuoso ou as línguas de fogo, ou o falar em línguas que lhe impressionam? Quando nosso Senhor viu alguém sobre a terra cheio do Espírito Santo, com a visão da glória de Deus, Ele não pode resistir, mas ficou em pé e deu as boas-vindas a Estevão. Se você quer ser cheio do Espírito Santo, prepare-se bem, pois ficará cheio de pedras. Muitas pessoas desejam ficar cheio do Espírito Santo, mas não querem estar cheios de pedras, elas querem o Espírito Santo sem cruz. O Espírito Santo sempre nos dá a cruz, e a cruz sempre nos leva de volta ao Espírito Santo. Foi isso o que aconteceu depois de Pentecostes. Estevão não era um dos Apóstolos, não era um dos ministros da Palavra, apenas servia as mesas, era apenas alguém que queria servir a Deus sem reclamação nem murmuração. Essa é a comunhão do Espírito Santo.

Autor: Christian Chen
Extraído do livro Andai no Espírito

ARTIGOS MAIS LIDOS DA SEMANA