Palavras de Vida Eterna


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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Quem Conhece Ama

“Lembrai-vos dos encarcerados como se preso com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito,vós mesmos em pessoa fosseis os maltratados” (Hb 13.3).

Pink Floyd foi um grupo que fez muito sucesso nos anos 80. Seu líder, Roger Waters sempre foi conhecido pelo seu temperamento forte e por suas “loucuras”. O filme “The Wall”, produzido por ele é cheio de imagens psicodélicas, angustiantes, e claramente rodado sob pesadas drogas alucinógenas. Até agora, era essa a imagem que eu tinha dele. Porém, nesses dias vim a conhecer um pouco de sua história. Nasceu na Inglaterra em meio à 2ª Guerra Mundial, filho de um soldado que não o viu nascer, enquanto servia na Itália junto ao exército inglês. Para escapar dos bombardeios alemães sobre Londres, sua mãe enviou o filho para um lugar seguro no interior onde permaneceu com outras crianças até o final da guerra.

Alguns anos depois, quando fogos e festas anunciavam o fim dos combates, os pais foram buscar seus filhos naquele lugar. Aquele garoto viu seus amigos um a um serem levados, menos ele. Seu pai não veio, e pela primeira vez teve a clara consciência de que perdera o pai sem nunca tê-lo conhecido. Sentiu-se abandonado e sozinho, e esse passou a ser um tema obsessivo em suas canções. Waters tem passado a vida procurando o pai ausente num mundo frio e inóspito.

Essa leitura que fiz me aproximou dele, mesmo sem conhecê-lo. Quando nos aproximamos das pessoas, de seus dramas e de suas histórias, nossa visão muda. Identificamos-nos com elas. Descobrimos nelas companheiros de viagem. Descobrimos também que se trata de garotos e garotas assustados como nós, buscando um sentido no mundo, convivendo com a nostalgia de um Pai ausente.

Há alguns dias recebi um telefonema do hospital onde prestamos capelania. Queriam minha presença urgente para falar com um paciente que estava muito revoltado e descontrolado. Corri para lá, e quando entrei  no quarto percebi alguém de maquiagem forte e unhas pintadas. Era um travesti. Apresentei-me, estendi-lhe a mão, perguntei seu nome, e disse que estava ali para ouvi-lo e ajudá-lo. Após uma hora inteira de conversa ele havia se acalmado e eu já conhecia um pouco da vida do Edson (nome fictício), de sua família, seus temores e sonhos, seu desvio da fé, as portas que lhe foram fechadas... já não via mais alguém travestido do sexo oposto, porém um ser humano digno, embora fragilizado, alguém como qualquer outro buscando encontrar o centro do seu ser.

Quando nos aproximamos do outro em amor, desaparece o que nos causava espanto, raiva, ódio, perplexidade, para dar lugar à pessoa. Não é justamente isso que Jesus fez em todo o seu ministério?  Ao jovem rico que só pensava em sua fortuna,  Jesus “fitando-o, o amou” (Mc 10.21). Diante do Mestre já não era mais uma “samaritana”, nem uma “mulher” junto ao poço, mas uma pessoa que ele conhecia sua história e, a despeito de seus erros, a amou.

Vivemos num mundo cercado de muros que nós mesmos construímos. Jesus Cristo veio para quebrar as paredes de separação para nos aproximar uns dos outros. Cristãos deveriam também parar de erigir muros para construir pontes. O Evangelho nos desafia: se amais os seus pares, seus familiares, os que lhe são agradáveis, que recompensas tendes? Aliás, não precisa ser cristão para amar os seus iguais.

Permanecer junto a quem nos é igual e fechar-se num grupo, num partido – seja religioso, político ou étnico, é o caminho mais fácil para desenvolver na alma um sentimento de oposição, de medo, e é o estopim para um mecanismo de defesa chamado “projeção”, que nada mais é que jogar sobre o outro todas as mazelas indesejadas ou rejeitadas – mas não admitidas – que estão presentes em nós.

Palestinos e judeus que vivem separados por um muro, odeiam-se mutuamente. Árabes e judeus vivendo em Jerusalém ou qualquer outra cidade do mundo, quando se conhecem,  vivem amistosamente sem animosidades.

A intolerância diante do pecador é uma das posturas mais inadequadas que um cristão pode ter. Igreja que não ama ao pecador abandonou sua principal missão. Não se trata de condescender com o erro ou pecado, mas de colocar-se ao lado e dizer: “sei como você se sente, porque conheço também meus pecados e é justamente por causa deles que estou aqui; por isso estarei ao seu lado se precisar de mim”. – “Mas pastor, Jesus disse à pecadora para ela ir e não pecar mais”. É verdade, só que isso é interpretado de duas formas: para “nós” é um tratamento a longo prazo, onde Deus vai nos tratando e curando ao longo da vida. Para o “outro” é exigido que ele obedeça imediatamente, mesmo quando ele não tem forças para isso.

Aproximar-se das pessoas, ouvir suas histórias, desenvolver empatia por elas, e colocar-se em humildade nas mesma condições, permite que olhemos o mundo com os seus olhos. Esta é a postura que Deus espera de nós! “Lembrai-vos dos encarcerados como se preso com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fosseis os maltratados” (Hb 13.3).

Talvez nosso maior desafio seja o de conhecer o outro. Enquanto são desconhecidos, eles nos assustam e são alvo de nosso julgamento. Somos capazes de amar somente quando o distante se faz próximo.

Olhei ao longe e vi um animal caído na estrada. Cheguei mais perto e vi que era um ser humano. Abaixei-me e reconheci o meu irmão.

Autor: Daniel Rocha, pastor
dadaro@uol.com.br

terça-feira, 30 de julho de 2019

Não Chores

Chorar é um dos primeiros atos que realizamos na vida. Nascemos chorando. Nessa fase de nossa existência é justamente o choro que nos permitirá sobreviver. Há mães que conseguem distinguir a dor que seu bebê tem – seja cólica, dor de ouvido, ou fome – através do choro.

Ainda na infância choramos quando caímos, choramos quando estamos sozinhos, choramos de medo, saudade ou desamparo. Crianças aprendem também que chorar ajuda a chamar a atenção sobre elas.

A Bíblia diz que o nosso choro é ouvido por Deus. Foi por causa do gemido de seu povo cativo no Egito que Ele agiu para libertá-lo (Ex 2.24). É digno de menção o gesto do rei Ezequias quando soube que possuía uma enfermidade mortal, e teria poucos dias de vida. Ele não teve dúvidas: orou e “chorou muitíssimo” (Is 38.3). No popular, “abriu um berreiro”. Deus ouviu o seu choro e viu suas lágrimas, e concedeu-lhe mais 15 anos de vida.

Quando os filisteus levaram cativas as mulheres de Israel, Davi e o povo “choraram até não terem mais forças para chorar” (1 Sm 30.4). Deus sabe porque choramos. Ele conhece o nosso gemido, nem precisa articular palavras.

Desconfio que tem um lugar no céu onde o Eterno recolhe todas as lágrimas derramadas por seus filhos e filhas: “recolheste as minhas lágrimas no teu odre, estão todas inscritas no teu livro” (Sl 56.8).

Jesus falou que seriam bem-aventurados os que choram, porque Ele haveria de consolá-los. A Bíblia registra pelo menos duas ocasiões em que o próprio Jesus chorou: ao saber da morte de seu amigo Lázaro (Jo 11.35) e quando entrou em Jerusalém e viu o mal que viria sobre aquela cidade (Lc 19.41).

Lágrimas têm poder curativo, limpam a alma. Glândulas endócrinas liberam noradrenalina e serotonina produzindo uma melhora de estado geral do corpo.

Uma pergunta se faz necessária: todo choro é justificável?

Realmente haverá os dias maus em que será tempo de chorar, mas com certeza ele não será perpetuado indefinidamente; há tempo de prantear e haverá tempo de saltar de alegria (Ec 3.4). Portanto, o choro não pode ser uma “marca” do cristão. Deus promete que o choro pode durar a noite inteira, mas Ele nos fará sorrir pela manhã (Sl 30.5).

Certamente não podemos ser como Jacó que quando soube da morte de seu filho José, “recusou-se a ser consolado” (Gn 37.35). O choro constante do crente pode indicar um problema, uma inadequação, uma ausência de limite. Vejamos:

1) Não é para chorar por qualquer coisa. Avalie se realmente é motivo de chorar. O profeta Jonas ficou desgostoso com Deus, e pediu a Ele para morrer, pois não valia mais a pena viver. O motivo? Deus não destruiu a Nínive e não fez o mal que prometera aos ninivitas. Isso é motivo para chorar? Para Jonas era. Mas vem Deus e lhe pergunta: “É razoável essa tua ira?”. Ou seja: “Pare com isso, rapaz, isso não é motivo de desgosto”.

2) Não chore além dos limites. Alguém o feriu? Doeu? Chore mesmo. Mas cuidado, não exagere sua dor. Na vida, a todo momento seremos feridos, e por uma razão muito simples: as pessoas não existem para nos satisfazer. Muitas nos farão chorar. Mesmo aquelas que nos amam. E por uma simples razão: também fazemos chorar a quem amamos. Foi ferido? Chore o tempo necessário para digerir a dor, mas depois enxugue as lágrimas.

Davi sabia quando parar. O filho que tivera com Bate-Saba adoeceu gravemente. O rei busca a Deus, jejua e passa as noites prostrado em terra, lamentando e chorando pela criança. Ao sétimo dia morreu a criança e seus servos temiam informá-lo. O rei percebe os cochichos e pergunta se o seu filho morrera. Eles responderam: Morreu. Surpreendentemente Davi levantou, lavou-se, mudou de vestes, entrou no templo para adorar, depois voltou para sua casa e pediu pão (2 Sm 12.20). Ninguém entendeu nada! Davi, então explica: “Enquanto a criança era viva, jejuei e chorei, porque dizia: quem sabe o senhor se compadecerá de mim. Porém, agora que é morta, poderei eu fazê-la voltar? Um dia eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”. Que ensinamento tremendo. Davi estava dizendo: é hora de voltar à vida!

3) A vida não tem sido justa para com você? Conheço muita gente que a vida tem sido injusta, mas que aprendeu a sorrir. Habacuque ensina: “ainda que a figueira não floresça”, o Senhor será minha alegria. Nada de choro.

Um dia Jesus passava pela cidade de Naim quando o enterro do filho único de uma viúva passou por ele. Certamente havia uma grande comoção, mas Jesus vendo o sofrimento da mãe disse-lhe: “Não chores!” (Lc 7.13). Fico me perguntando: como não chorar numa situação dessas? Hoje em dia muitas mães também choram por seus filhos, sendo levados “mortos” por um cortejo de falsos amigos e pecadores. Jesus também se compadece delas e concede-lhes sua palavra de consolação e a promessa de que – a despeito da morte – Ele tem pleno domínio da situação. Só Ele transforma cortejos fúnebres em gritos de louvor.

Sim, somente Deus pode converter o meu pranto em danças, de transformar a minha veste de lamento em veste de alegria (Salmo 30.11).

Autor: Daniel Rocha, pastor
dadaro@uol.com.br

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Fascinados pelo Senhor Jesus Cristo

No Evangelho de Lucas 19.47-48, lemos: “E todos os dias ensinava no templo; mas os principais sacerdotes, os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo;  mas não achavam meio de o fazer; porque todo o povo ficava enlevado ao ouvi-lo.” (RA 1ª ed.)

RA 2ª ed.–       “Todo povo ao ouví-lo ficava dominado por Ele”

NTLH –           “... todos o escutava com muita atenção”

NVI –              “Todo o povo estava fascinado pelas suas palavras”

Nos dias que antecederam a sua morte, Jesus ia todos os dias no templo ensinando ao povo, suas palavras eram como aquelas aos discípulos no caminho para Emaús – Ardia o coração de todos que a ouviam; suas palavras para a multidão eram Espirito e Vida, seu ensino representava sua AUTORIDADE, suas palavras não eram apenas VERDADE mais também PRÁTICA, ou seja, REALIDADE ou seja, suas palavras  representavam a ELE PRÓPRIO, Seu CARÁTER; podemos entender que o povo que ouvia JESUS estava FASCINADO pelo próprio JESUS, Ele pelo seu comportamento, distinção e autoridade, exercia fascínio a todos os quais o ouviam.

A palavra para “Fascinado”, no grego, expressa a idéia de Dominado, Pendido, Inclinado - o substantivo Fascínio expressa muito bem esta idéia.  Todos estavam fascinados por Jesus, Jesus exercia um fascínio sobre todo o povo.

Convido a todos a refletir sobre a seguinte pergunta: “O que é SER fascinado pelo Senhor Jesus Cristo?”

1. Antes, porém devemos considerar: “O que mais FASCINA você?“; ou ainda “quem ou o que é o alvo do seu Fascínio?”

A. Alguns podem dizer: o que mais me fascina são pessoas famosas por que são poderosas: como políticos, militares, personalidades históricas, pessoas carismáticas, pessoas talentosas.

B. Outros talvez dissessem: O que mais me fascina são coisas como: Casa, Carro, Livros, Conhecimento/Estudo, Televisão, Filmes, Novelas, Dinheiro, Profissão.

C. E outros ainda: o Que me fascina no secreto são os prazeres como: a Luxúria (ou sexo) Comida/bebidas, meu Orgulho pessoal, minha própria capacidade.

 Pergunte a si mesmo com sinceridade: O que realmente fascina você?

 2. Em Lc 19.48, o Povo viu algo em Jesus, e creio que foi a Sua REALIDADE e a Sua AUTORIDADE que fizeram aquela multidão ficar fascinada pelo Senhor, eles viram algo diferente que eles não encontravam nos líderes religiosos de sua época, destes líderes eles ouviam apenas palavras históricas, mortas, uma religiosidade de aparência e sem qualquer Realidade, Talvez parecido com o que vemos hoje, mas Jesus veio e quebrou isto, ELE mostrou o que é VIVER o que SE PREGA, o que é FALAR e Acontecer, ELE PERDOOU, CUROU, SALVOU, trouxe à VIDA a MORTOS, enfrentou o Diabo e suas hostes... JESUS fez um REBOLIÇO em sua época, mas eu pergunto: Jesus mudou na atualidade? Ele ainda pode provocar um reboliço em nós? –  Heb 13:8, diz: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente”, se Ele não mudou, é o mesmo, é bem possível que o problema esteja em nós mesmos, perdemos o fascínio por Ele.

Como podemos ver o Senhor Jesus hoje?

 A Bíblia diz: No Antigo Testamento o “EU SOU” se manifestou a Moisés; No Novo Testamento o “EU SOU” se manifestou ao mundo (João cap 1 e 3:16,17)

 O SENHOR JESUS veio se mostrar o que significa o EU SOU, ELE É TUDO o que precisamos, vamos ver alguns destes aspectos dos quais ELE se declara SER e de fato é no Novo Testamento:

Em Filipenses 2, O Apóstolo Paulo diz que Jesus: É o Messias, o Cristo, o Salvador, o Senhor de toda a humanidade: Ele é o Deus que se esvaziou da sua divindade tomou a forma de homem/servo, se humilhou, e foi obediente até a morte e morte de cruz; - Isto Fascina você?
Em João 11, Jesus É a ressurreição e a vida e todo aquele que estiver nELE, ainda que esteja morto viverá - O Senhor nos dá uma esperança ETERNA, e isto? Exerce um fascínio sobre você?
Em João 1, é dito que Jesus É o verbo de Deus, o Pai, Ele É a atitude, a ação de Deus - Se você quiser ter atitudes certas é só buscá-Lo, e Isto, Te fascina?
Em João 10, Jesus É a Porta das Ovelhas: e quem entra por ELE encontrará pastagens, segurança - NELE há um lugar inigualável de habitação e cuidado; e isto, te faz ser fascinado por ELE?
Em João 10, Jesus É o BOM PASTOR: é quem deu a vida pelas ovelhas, É aquele que conhece as ovelhas e é conhecido pelas ovelhas - Ele se relaciona com os seus, alguém nesta Terra pode se comparar a este tipo de Líder?
Em João 6, Jesus É o PÃO da VIDA e a ÁGUA da VIDA - Se alguém se alimentar dele, nunca, jamais, voltará a ter fome e sede de coisas desta Terra, há algo nesta Terra que se iguala a esta realidade?
Em João 14 e 16 Jesus diz que ELE É quem dá o Espirito Santo para habitar em nós - Agora ELE não está mais do lado de FORA, mas DENTRO de nós; e isto, é fascinante?
Em João 14, ELE É a nossa PAZ - Não temos a necessidade de estarmos preocupados, ansiosos, nem temerosos, Aleluia! Isto como me fascina.
Em João 8: Jesus diz que ELE É a LUZ do MUNDO - nELE podemos também sermos SAL e LUZ do Mundo; Ele tem capacidade para nos transformar, isto também É fascinante!
Em João 14:6: Ele diz EU SOU o CAMINHO, A VERDADE (ou REALIDADE) e a VIDA – ELE é o único ACESSO ao PAI; E a nossa única fonte de VIDA Verdadeira e Real
João 15 diz: “EU SOU a videira verdadeira”- nELE podemos ter vida, amor, e DAR FRUTO, Mais FRUTO e MUITO FRUTO; ou seja, ELE nos fascina pois ainda quer nos usar.
Ap 1:8 Diz que ELE é o SENHOR DEUS, o ALFA e o OMEGA, o inicio e o fim, aquele que É, que ERA e que HÁ de vir – O TODO PODEROSO, o grande Fascínio!
Jesus ainda é muito mais; mas quero dizer que JESUS é o nosso EXEMPLO, ou melhor, O nosso MODELO –
Logo JESUS É o alvo da nossa FASCINAÇÃO, por que ELE é TUDO em TODOS. – Paulo mostra isso em Fl 3:9-11
Se necessitamos de algo, Jesus É Tudo o que precisamos (o EU SOU), e isso é definitivamente fascinante; Ele é alguém por quem podemos nos fascinar, deixar dominar, nos inclinar totalmente.
3. Volto então à pergunta original deste texto: “O que é SER Fascinado pelo Senhor Jesus Cristo?”

     Na minha vida tenho encontrado algumas respostas:

SER FASCINADO por Jesus É Reconhecê-lo: Jo 1:12: “Mas a todos que o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus aos que crêem no Seu nome” – Somos Filhos de Deus, Deus é nosso Pai, Jesus é o primogênito dentre muitos irmãos – E eu reconheço isso!
SER FASCINADO por Jesus É OUVI-LO em TUDO, como aquele povo, ouvia a Jesus e estava fascinado com suas palavras.
Vemos no monte da Transfiguração que o Pai disse a Pedro, Tiago e João: “Este é o meu filho amado a ELE ouvi” (Mc 9:7)
Em Hb 1:2 diz que “Nestes últimos dias o Pai falou pelo filho...”
Há muitas formas de OUVIR ao Senhor Jesus, seja através da PALAVRA de DEUS, a Bíblia, ou através das circunstâncias por piores que sejam, ou mesmo na vida de pessoas próximas e de longe; na busca pessoal do dia a dia – a VOZ do Senhor está dentro de nós e sempre está pronta para se manifestar em nós! Sejamos fascinados por Ouvir ao Senhor!

SER FASCINADO por Jesus É permitir que ELE cresça em MIM e EU (EGO) diminua, Rom 8, nos diz que O Senhor Jesus apesar de nos tratar como filhinhos, Ele deseja que sejamos FILHOS MADUROS. A vida que Ele nos dá no novo nascimento, Cresce!
E o resultado de sermos filhos Maduros está em Rom 8:29 “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos;”
Ele só cresce se eu diminuo, devo aprender a levar a MINHA CRUZ, ou seja, fazer escolhas que agradem ao SENHOR a cada dia e para isso preciso aprender a OUVÍ-LO, e assim OBEDECER. Isso se chama CARÁTER de CRISTO formado em nós!

SER FASCINADO por Jesus É SERVI-LO:
É ter um comprometimento pessoal com o REINO de DEUS em primeiro lugar e a sua justiça – sabendo que assim as demais coisas serão acrescentadas (Mt 6:33)
É estar atendo às situações que exijam o meu serviço, onde o meu EU não apareça, mas sim CRISTO em MIM!
É a prática habitual do serviço sincero, Rom 12:11-16
“não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;  alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;  acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade;  abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis;  alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram;  sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos;”

Que o SENHOR gere em nós este FASCÍNIO e DEVOÇÃO de forma que em nós seja encontrada a SUA VIDA, e que a nossa VIDA seja um IMPACTO naqueles com quem nos relacionamos, e que no nosso ajuntamento, celebremos com amor e paixão o nosso SENHOR pelo qual vivemos fascinados.

“Se conhecermos a preciosidade do nosso Senhor, nunca será um sacrifício consagrar-nos a Ele.”- Christian Chen

Autor: Nelson Cardoso de Carvalho – Abril/2009

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Sobre Santos e Mundanos

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2.15)

Boa parcela de cristãos costuma fazer certa confusão quando se refere ao “mundo”. Embora a bíblia use sempre o mesmo vocábulo (kósmos), é preciso reconhecer os seus diferentes significados: há o “mundo”, globo terrestre, que inclui toda obra da Criação, a humanidade e suas gentes, e há o “mundo” entendido como perversão de valores, lugar de trevas e engano. Mundo, então, neste sentido, é a ideologia vigente que se rebela ao Eterno, e leva a tragédia à existência humana. Quem vive sob esta ótica não tem como amar a Deus, pois se tornou escravo do sistema e o seu “eu” é o seu próprio deus.

A bíblia alerta: “não ameis o mundo” (ideologia), mas diz que “Deus amou ao mundo” (pessoas).

Geograficamente, o cristão está “no” mundo, embora não seja “do” mundo, e Jesus roga ao Pai para que não tirasse os seus filhos do mundo, mas que tão somente  os guardasse do mal. (Jo 17.15)

Mundo-perversão não é necessariamente um lugar geográfico, mas ele sempre surgirá onde predominam pensamentos, atitudes e posturas contrárias ao Evangelho. Até a igreja pode ser mais “mundo” que o mundo se os seus valores estiverem invertidos. Disputa pelo poder, busca de sucesso e glamour, espírito de competição, e satisfação de interesses pessoais, sempre nascem de uma visão “mundana”.  Quando Lutero tentou evadir-se das mazelas da sociedade do seu tempo, se refugiou num mosteiro, mas logo percebeu que “o mundo” estava presente ali tanto quanto lá fora.

Pode um cristão compartilhar da amizade e companhia de pessoas “do mundo”? Claro, o mundo é o nosso campo de atuação, é onde a luz precisa brilhar, e o sal salgar. Jesus, orando ao Pai, disse: “Assim como Tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17.18).

Quando Paulo escreve: “não vos associeis com os impuros” (1 Co 5.9) significa: “não comungueis com as ideias e posturas que não correspondam aos valores do Reino”. Ou seja, viva no mundo, mas não se prenda à valoração deste mundo. Não manter contato com “impuros” seria impossível, pois senão “teríeis de sair do mundo” (1 Co 5.10), finaliza o apóstolo.

Interessante, como um Jesus inegavelmente santo, vai às festas que o convidam,  não se importa com a fama de quem Ele se senta à mesa, dá de ombros quando é  chamado de “glutão e beberrão, amigo de pecadores” (Lc 7.34), e não faz acepção de pessoas. Em tudo isso ele não se maculou.

Um aspecto que a igreja às vezes tem dificuldades em admitir, é de que Deus além de ter amado o mundo de tal forma que enviou o Seu Filho, Ele também outorga as suas bênçãos a todas as pessoas, independentemente delas aderirem à fé ou não. É a “graça comum”, que embora não conduza à salvação de seus recebedores, é concedida pelo Pai que “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45). “O Senhor é bom para todos” (Sl 145.9), ensina o salmista.

Eric Lidell, campeão olímpico nos 100m em 1924, no filme Carruagens de Fogo disse: “Creio que Deus me fez para um propósito, mas Ele também me fez veloz, e quando eu corro, sei que agrado a Deus”. Mais tarde ele diria que “desistir de correr, seria despreza-Lo”. Depois Lidell tornou-se missionário e terminou seus dias num campo de concentração na China aos 43 anos.

É de Deus que vem todo talento e destreza nas artes em geral, na música, no cinema, teatro, esportes, na literatura.... Tudo que é belo, tudo o que é bom, e todo dom perfeito vem do Alto (Tg 1.17). Por vezes, muitos incrédulos são até mesmo mais aquinhoados com talentos que os próprios cristãos confessos, pois “os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz” (Lc 16.8).

Só assim é possível entender porque há tantas coisas boas na vida, produzidas por gente do “mundo”. Os versos de Pessoa, a voz limpa e clara da Ana Carolina, as canções do U2, o vozeirão rouco do Louis Armstrong, os dribles do Neymar, a guitarra do B.B.King, os girassóis de Van Gogh, a genialidade do Bill Gates, e tudo o mais que há de belo e perfeito tiveram origem em Deus. Origem em Deus, eu repito  – e não no diabo – ainda que estes não reconheçam nem glorifiquem ao Eterno.

Agora, quem não é capaz de ver beleza nestas coisas, duvido que aprecie o que verá no céu, pois na Nova Jerusalém os reis da terra apresentarão a Deus a glória que possuem e a honra das nações (Ap 21.24-26). Creio que lá estarão presentes o acervo do Louvre, do Masp e a metade de Florença com suas pinturas e afrescos.

Há coisas que estão no mundo, mas não são “mundanas”. Por isso, enquanto puder quero continuar levando meu filho ao estádio, assistir filmes que emocionem, dar muita risada com o Jim Carrey, gastar dinheiro com livros, ler a Folha e o Estadão enquanto tomo café, comer churrasco com a família reunida,  e descansar janeiro na praia, sem fazer nada...., pois “nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus, pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se?” (Ec 2.24-25).

Autor: Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Culto Familiar

Existem algumas ordenanças exteriores importantes e meios de graça que são claramente sugeridos na Palavra de Deus, porém, para o exercício delas nós temos poucos, se é que há alguns, preceitos claros e positivos; antes, fica ao nosso encargo ajuntá-los do exemplo de homens santos e de várias circunstâncias acidentais. Uma importante conclusão é respondida por este arranjo: a provação é assim produzida pela condição dos nossos corações. Ela serve para tornar evidente se, pelo fato de um mandamento claro não poder ser obedecido no tocante ao seu cumprimento, os cristãos professos negligenciarão uma obrigação claramente inferida. Assim, mais da real condição das nossas mentes é descoberta e se torna manifesto se temos ou não um ardente amor por Deus e ao Seu serviço. Isso vale tanto para a vida pública quanto para o culto familiar. Todavia, de modo nenhum é difícil provar a obrigação da piedade doméstica.

Consideremos primeiro o exemplo de Abraão, o pai dos fiéis e o amigo de Deus. Foi por causa da sua piedade doméstica que ele recebeu a benção do próprio Jeová. “Porque Eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão e justiça;” (Gn 18:19a). O patriarca esta aqui sendo recomendado a instruir seus filhos e servos no mais importante de todos os deveres, “o caminho do Senhor” – a verdade a respeito da Sua gloriosa pessoa. Suas reivindicações sobre nós, Seus requisitos sobre nós. Note bem as palavras “a fim de que ele ordene” então; é isto, ele deveria utilizar a autoridade que Deus havia dado a ele como pai e cabeça de sua casa, para se fazer cumprir os deveres de uma família piedosa. Abraão também orou, bem como instrui sua família: aonde quer que ele armou a sua tenda, ali ele “edificou um altar ao Senhor” (Gn 12;7; Gn 13:4). Agora meus leitores, nós bem que devemos questionar a nós mesmos: Nós somos a “descendência de Abraão” (Gálatas 3:29) se nós “não praticarmos as obras de Abraão” (João 8:39) e negligenciamos a importância e os deveres do culto familiar?

Os exemplos de outros homens santos são semelhantes ao de Abraão. Consideremos a determinação piedosa de Josué que declarou a Israel, “Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Josué 24:15b . Nem mesmo a posição elevada que possuía, nem a pressão dos deveres públicos que estavam sobre ele diante de uma multidão, afastarão a sua atenção do bem estar espiritual de sua família. A respeito de Davi; quando ele trouxe a arca de Deus de volta a Jerusalém com alegria e ações de graça, após cumprir os seus deveres públicos, “voltou para abençoar a sua casa” (2 Sm 6:20). Em adição à esses famosos exemplos devemos mencionar o exemplo de Jó; em Jó 1:5 e de Daniel, Daniel 6:10. Nos limitando apenas a um exemplo no Novo Testamento; Timóteo, que foi educado em um lar piedoso. Paulo pede para que ele se lembre “da fé sem fingimento” que havia nele, e adiciona, “que habitou primeiro em sua avó Loide e em sua mãe Eunice”. (2Tm 1:5) É algo maravilhoso o que Paulo pôde dizer “desde a infância sabes as Sagradas Escrituras” (2 Tm 3:15).

Por outro lado, nós devemos observar quão temíveis ameaças são pronunciadas contra aqueles que negligenciam esse dever. Gostaríamos de saber quantos de nossos leitores têm considerado seriamente essas solenes palavras.”Derrama a Tua fúria sobre as nações que não Te conhecem, e sobre as famílias que não invocam o Teu nome” (Jr 10:25)! Quão inefavelmente solene é encontrar estas famílias negligentes aqui juntas com aqueles que não conhecem ao Senhor. Será que isso nos surpreende? Porque há muitas famílias pagãs que se reúnem em adoração a falsos deuses, não estão eles colocando em vergonha milhares de Cristãos professos? Observe também que Jeremias 10:25 registra uma maldição sobre ambos: “Derrama a Tua fúria sobre...” Quão em alta voz deveria soar a nós essas palavras. Não é suficiente que nós oremos e adoremos em secreto como indivíduos, devemos também igualmente honrar a Deus em nossas famílias. Ao menos duas vezes a cada dia – na parte da manhã e a noite – todos os membros das famílias devem se reunir e se prostrarem diante do Senhor – pais e filhos, senhores e servos – confessarem seus pecados, agradecerem a Deus por Sua misericórdia, buscar o Seu auxílio e Sua bênção. Nada deve nos impedir de cumprir esse dever: todos os outros deveres domésticos estão abaixo deste. O cabeça da casa é o único que pode liderar esta devoção, mas se ele estiver ausente, ou seriamente doente, ou se for incrédulo, então a esposa deve tomar o seu lugar. Sob nenhuma circunstância o culto familiar deve ser omitido. Se vamos desfrutar da benção de Deus sobre nossas famílias então vamos juntos, como membros da família, diariamente, para oramos e O adorar. “Eu honrarei aos que Me honrarem” (1Sm 2:30) é Sua promessa.

Um antigo escritor disse bem: "Uma família sem orações é como uma casa sem telhado, aberta e exposta a todas as tempestades do céu." Todo o conforto de nossos lares durante o tempo passageiro que vivemos é fruto da misericórdia e bondade do Senhor, e o melhor que podemos fazer em resposta é reconhecermos juntos com gratidão, Sua bondade para conosco como família. Desculpas contra o cumprimento desses deveres sagrados são inúteis e sem valor. De que servirá quando prestarmos contas a Deus pela mordomia de nossas famílias dizer que não tivemos tempo disponível, trabalhando duro desde a manhã até o anoitecer? Quanto mais urgentes as nossas obrigações temporais, maior a nossa necessidade de buscar socorro espiritual. Nenhum cristão pode alegar que não está qualificado para tal obra: Dons e talentos são desenvolvidos com o uso e não pela negligência.

O culto familiar deve ser conduzido com reverência, seriedade e simplicidade. Assim as crianças irão receber suas primeiras impressões e formar suas concepções iniciais a respeito do Senhor Deus. Deve se tomar um grande cuidado para não apresentar-lhes uma ideia falsa a respeito do caráter Divino, por isso deve se preservar um equilíbrio que reside entre Sua transcendência e eminência, Sua santidade e Sua misericórdia, Sua justiça e Sua graça. O culto deve começar com poucas palavras de oração invocando a presença e a benção de Deus. Uma leitura curta de Sua palavra deve vir em seguida, com um breve comentário sobre a mesma. Dois ou três versos de um Salmo pode ser cantado. Encerre com uma oração de entrega às mãos de Deus. Podemos não ser capazes de orar com eloquência mas devemos ser sinceros. As orações predominantes devem ser breves. Tenho cuidado para não cansar os mais jovens.

As vantagens e as bênçãos do culto familiar são incalculáveis. Primeiro, o culto familiar irá livrar-nos de muitos pecados. Traz temor à alma, nos dá compreensão da majestade e autoridade de Deus, ensina verdades solenes à mente, traz dádivas do alto, de Deus até a nossa casa. A piedade pessoal no lar é a maior das influências, abaixo de Deus, em transmitir a piedade aos mais pequenos. Crianças são criaturas que imitam em grande medida, amam copiar o que veem nos outros. “Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos;” Salmos 78:5 a 7. Quanto da terrível condição moral e espiritual das massas hoje pode ser identificado devido à negligência de seus pais no cumprir estes deveres? Como podem esses que negligenciam o culto a Deus em suas famílias buscarem por paz e conforto em seus lares? O culto familiar diário em nosso lares é um abençoado meio de graça para dissipar essas infelizes paixões pelas quais a natureza que nos é comum está sujeita. Finalmente, o culto familiar traz a nós a presença e benção do Senhor. Há uma promessa de Sua presença que tem uma aplicação peculiar no cumprimento deste dever: veja Mateus 18:19 e 20. Muitos com maior eficiência tem encontrado no culto familiar o socorro e a comunhão com Deus do que o encontrado em suas orações em secreto.

Autor: A.W. Pink

domingo, 16 de junho de 2019

Pais, Atenção às Práticas Espirituais dos Filhos

Pais, não tomem o provérbio bíblico ensina a criança e trate-o como uma promessa, assumindo que, se fizerem tudo certo em sua paternidade e maternidade, seus filhos irão bem. Provérbios são verdades gerais, não promessas específicas. Além disso, quando consideramos o contexto geral da Bíblia, vemos quão contraproducente é tentar treinar nossos filhos para confiarem em Deus se o que mostramos para eles é que confiamos em nosso treinamento.

Mas, apesar de colocarmos a nossa esperança em relação aos nossos filhos em Deus, não em nosso treinamento, reconhecemos como esse provérbio nos ensina a treinar seriamente os nossos filhos — tanto para onde guiá-los quanto também para pastorearmos os seus corações. E parte desse pastoreio e orientação inclui o efeito de uma cultura familiar.

Em um novo estudo LifeWay Research entrevistou 2.000 protestantes e não-denominacionais que iam à igreja pelo menos uma vez por mês e têm filhos adultos entre 18 a 30 anos. O objetivo do projeto era descobrir quais práticas dos pais eram comuns nas famílias onde os jovens adultos permaneciam na fé. O que afetou o desenvolvimento moral e espiritual deles? Quais os fatores que se destacavam?

Vocês podem esperar que os cultos de adoração familiar desempenham um papel importante, ou o simples hábito de comer em torno da mesa. Talvez vocês esperariam que uma criança que frequentou uma escola cristã fosse mais tendente a seguir Jesus do que uma criança que estudou em escola pública. Todos têm ideias sobre quais práticas são positivas para crianças.

A pesquisa indicou que as crianças que permaneceram fiéis como jovens adultos (se identificando como cristãos, compartilhando a sua fé, permanecendo na igreja, lendo a Bíblia e assim por diante) cresceram em lares onde certas práticas estavam presentes.

Leitura bíblica
O maior fator foi a leitura da Bíblia. Crianças que liam regularmente a Bíblia enquanto cresciam eram mais propensas a ter uma vida espiritual vibrante quando se tornaram adultos. Essa estatística não me surpreende. A Palavra de Deus é poderosa. A Bíblia revela a grande história de nosso mundo e nos ajuda a interpretar as nossas vidas e a tomar decisões no âmbito de uma cosmovisão bíblica. A leitura da Bíblia é um constante lembrete de que vivemos como seguidores de Deus. Nosso Rei falou. Ele reina sobre nós. Nós desejamos andar em seus caminhos.

Oração e serviço
Mais dois fatores seguem bem atrás: oração e serviço na igreja. A prática da oração não foi especificada, se era privada ou congregacional, antes das refeições ou antes da hora de dormir, ou pela manhã. Porém, a oração estava presente.

Observe que o fator relacionado à igreja é sobre o serviço, não apenas a frequência. Não era apenas que os pais levassem os seus filhos para a igreja (onde o “pastor profissional” poderia nutri-los espiritualmente), mas que as crianças eram incluídas e integradas na igreja através do serviço. O hábito de servir aos outros na igreja e na comunidade provavelmente formou esses jovens adultos de um modo que os impediu de se identificarem apenas como “consumidores” da igreja, mas sim como contribuintes da edificação do povo de Deus. Um pouco abaixo na lista, as viagens missionárias da igreja aparecem como outro indicador do poder do serviço ativo.

Canto de músicas cristãs
O que pode surpreender vocês é quão alto na lista estava esse fator: ouvir principalmente músicas cristãs. A música contemporânea cristã tem uma má reputação atualmente, em geral por ser mais inspiracional do que teológica (embora eu acredite que este estereótipo não é verdadeiro em todos os casos). Ainda assim, não devemos descartar a verdade por trás da antiga observação de Agostinho de que nós cantamos a verdade em nossos corações. Quando cantamos juntos como congregações e quando louvamos a Deus individualmente ou cantamos músicas que fortalecem a nossa fé, enfatizamos a beleza da nossa fé. (Também foi notável descobrir abaixo na lista que ouvir principalmente música secular foi um indicador que afetou negativamente a vida espiritual).

Cultura, não programas
Há décadas, muitos cristãos têm assumido que certos programas da igreja são os fatores-chave no desenvolvimento espiritual de uma criança: escola bíblica de férias, atividades de grupos de jovens, escola dominical, e assim por diante. Mas esse estudo mostra que tais programas têm um impacto quando estão conectados a hábitos consistentes de oração, leitura bíblica, louvor e serviço. É a cultura familiar e da igreja, e o que mais importa é o fato que eles integram as crianças e os jovens em disciplinas espirituais, e não o modo como isso acontece.

Também é impressionante o impacto do exemplo dos pais em relação a lerem a Escritura, participarem de projetos de serviço, compartilharem a sua fé e pedirem perdão após pecar. Em outras palavras, quanto mais a vida cristã penitente e alegre fosse exemplificada, as crianças mais provavelmente ​​permaneceriam na fé.

O poder da imitação e do ambiente
A pesquisa não deve ser mal utilizada de forma a transformar as crianças em “páginas em branco”. Não existe uma fórmula perfeita para pais e, como mencionei acima, ninguém deve assumir que existe uma fórmula ou método infalível para garantir o resultado de um filho crente. Não superestimem o seu poder. O Espírito Santo é quem salva, não vocês.

Contudo, também não subestimem o poder do Espírito agir através do ambiente que vocês criam para o seu lar. Existe um poder na fiel imitação cristã. As crianças são mais propensas a se arrependerem e pedirem perdão quando viram os pais fazerem isso e quando experimentaram a graça nas relações humanas. As crianças são mais propensas a aspirar ao cristianismo fiel quando veem o serviço alegre como uma virtude exemplificada no lar.

    - Que tipo de cultura desejamos em nossos lares e igrejas?
    - Que espaço criamos para que nossos filhos floresçam?
    - Como enraizamos nossas famílias na Palavra de Deus?
    - Como estamos exemplificando a oração e o arrependimento?
    - Como a fidelidade é demonstrada em nosso lar?
    - Quais são as músicas que estão em nossos corações e em nossos lábios?
    - Como estamos cumprindo a Grande Comissão?

Façamos essas perguntas e supliquemos a Deus que opere em nós e através de nós, para a sua glória e para o bem de nossas famílias.

Autor: Trevin Wax
Extraído do Blog Voltemos ao Evangelho do Ministério Fiel
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Trevin Wax é editor das categorias Bíblia e Referência do LifeWay Christian Resources e tem servido como redator-chefe do The Gospel Project, um currículo para pequenos grupos para todas as idades, centrado no evangelho. Contribui para inúmeras publicações, incluindo The Washington Post, Religion News Science, Christianity Today e World. Trevin escreve diariamente no Kingdom People, um blog hospedado pelo The Gospel Coalition.

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